domingo, 15 de janeiro de 2017

Atualmente estou escrevendo sobre o seguinte tema: AUGUSTO RUSCHI


As lutas de Ruschi

Pelo direito, ser rodeado,
ao mais sagrado que existe:

álacre pássaro, seu alpiste,
no quintal sombreado...

Não genocida a vida, 
pelo direito...
Robalo não mercuricida:

a pescaria de vara
de vera, nos proveria

Água cristalina
pelo direito, de graça

E da graça da garça 
Branco ou negro, o cisne...

Pelo direito, ter peito
para o dever do trabalho

se a paga bem paga,
e sem penduricalho...

Pelo direito, o dinheiro
não mercaria:

cobrir no leito a criança,
quarto de paz e escuro...

Sonham os pais, o país, 
pelo direito o futuro...

Pelo direito aos ninhos,
intocáveis os filhos!

Dum mundo augusto,
pelo direito

quase mundo perfeito 
E justo

sábado, 14 de janeiro de 2017

O mundo de Ruschi

Mundo de urdir futuro

De tumbar-se,
mundo tranquilo...

Mundo de munir-se
nulo

Sem tranca a prole
no prédio com grilo...

Mundo do prado
repleto:

colibris e flores
destraficados, livres...

Sem crase, sem crise
esse mundo
De criaturas sem crime

Mudo de sigilo
(Ruschi-mundo):

o ninho encobri
do colibri-berilo...


Paixão por beija-flor

beija-flor
flora-beija

beija-flor-das-fadas
estrelinha-ametista

beija-flor-do-mato
(ou da rua)

beija-flor na flor
(ou Nilópolis)

o chupa-mel
o pica-flor

o chifre-de-ouro

do-rabo-branco,
                preto...

beija-flor-de-bigode
de-gravata
de-leque
de-topete

beija-flor-safira
dourado
rubi
estrela

ó beija-flor, me beija...

beija flor feitiço
enlevo
beleza
poesia

beija-flor:
na linha de Nazca

beija-flor: 
na palma do Ruschi!


quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Augusto menino

Menino Augusto
transpirado, robusto...
A fitar no jardim
os colibri carmim

A mãe atrás de ti,
ó augusto guri...
Detrás do arbusto
(que susto), curumim!

O nino Gusto 
co'a sua joaninha...
Seus seis anos, 
já o hábito tinha:

o gosto de bolinar
o que se mexia...
Permuta de olhares,
uma encantaria

entre as espécimes,
se desvendar mútuos...
Do jovem Augusto
ao fausto vetusto,

 aventura desvelar
a maviosa vida...
A ti Augusto,
o teu próprio Busto!

E o pequeno Justo
a brincar no quintal...
Trajado ele (que
susto!), um Neandertal

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Brasil ingrato

Sobre o brio do
brasileiro...

Brava gente, 
morrer e viver

por Brasil...

Gente que a gente
preteriu

da história
do bravo gentio...

Agente que não
sufraga a guerra...

A gente que não
na mão motosserra...

Gentil gente,
com gente e porco-da-terra...

Maná-do-brasil:
na mídia o banco-reserva...

Protagonista sem fuzil
que prospera a troposfera...

No apreço do tórax sumiu,
como deserto sem erva...

Céu de cor anil,
sem bril' de estrela,

des-gentil povo
do Bras em breu

Uma espuma ou bruma
no arroio correu...


domingo, 8 de janeiro de 2017

Respeitar o Ruschi

Respeitar de um homem
a sua lira, a sua poesia...

Respeitar de um homem
o seu desenho, uma saíra...

Evocaria o ocaso
a tua arte: Colatina...

Sete cores, sua saíra
Idem pontes, do Mel
                      a Ilha...

Respeitar de um homem
a sua poesia, a sua lira...

Respeitar na trilha
sua pegada, co'a matilha:

Da Patagônia ao Alasca,
Ele seguia...

Indicaria-lhe a estrela:
salsaparrilha

Anchieta e Ruschi
até rimariam...

Andarilha dupla
mais além romaria...

A santa vida ao olor,
ar de baunilha

Sim, venerar de um homem,
sua ideologia...

Ser Dubai ou do bem,
a taxonomia...

Velar dum homem
sua utopia, sua euforia,

sua não monotonia...

De não fazer deste mundo,
carvoaria.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Capitão-da mata

Eu prezo o Ruschi,
o que fez no seu momento,
preciso movimento...
Em precioso tempo.

Na varanda tomando vento,
matutando experimento
(um catavento?) 
Desopulento, o não preguicento:

no trampo, sempre...
Arriscando-se no pampa:
cão-do-campo e sarampo
Vento no peito e ventre.

Destilou-lhe veneno,
o sapo...E eu raivento!
Mas o Pajé na pajelança
lança-lhe fora o quebranto...

Eu prezo o Ruschi,
pois no Espírito Santo
santificou as matas,

um encanto,

o teu recanto!
Donde beijadores de
flores polinizam Açores
de cores, odores...

Eu gosto do Ruschi,
Capitão-do-campo...
O que acampou na mata,
e quem a desmata?

 Eu gosto do Guardião-da-mata,
que sob lua de prata,
nada diplomata co'o pirata de mulata:
mandou-lhe plantar batata!

Eu gosto do Ruschi,
e lhe é grata a briófita,
e lhe é grato o próximo,
e o primata, e seu primo... 

Eu gosto do Ruschi.
Gosto também do gosto
de gabiroba-do-campo,
e do uirapuru, seu canto...

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Poema simples para Augusto Ruschi

Eu falo do Ruschi
Eu não falo do eucalipto
sugando as águas...

Eu falo do Ruschi
Eu não falo dos óxidos
comprimindo pulmões...

Eu falo do Ruschi
Não da minha zona 
de conforto que eu falo...

Eu falo do Ruschi
Eu não falo do colibri
com fome, sem casa... 

Eu falo do Ruschi
Eu não falo do homem
que vende sua alma...

Eu falo do Ruschi
Eu falo de fiar-se,
crer na humanidade...

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Ruschi dos olhos de lince

Visão apurada de lince tem,
no rastro do homem que vem!

Dia e noite vigiando a mata,
na caça do que desmata!

Corujando tempo inteiro,
no encalço do palmiteiro!

Comboio de lobo e (bom) Homem,
na pegada do Lobisomem!

O Augusto encarnara insônia,
do Chuí até Amazônia,

seu olhar de lince atento...
A guarida, seu fundamento 

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Aprendi com o Ruschi

A floresta é minha rua...
Fiel amiga, minha lua

Seres simples, quanto mais...
Na sua missão, contumaz

O colibri é meu senhor:
brota a mata do teu labor

Os homens são humanos...
Por água clamamos!

As matas mais lucrativas,
valem mais, protegidas...

Uma cidade, pode ' beleza...
Pode ser Santa Teresa

A humanidade é um momento...
A natureza, um monumento

Se semeou-se, colher-se-á...
O pinho se seculizará


segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Patrimônio do Ruschi

Cada jardim e seu colibri,
tem um pouco do Ruschi...

Cada xaréu pequeno,
              sem veneno,
tem um pouco do Ruschi...

Cada equipamento 
sem escapamento,
tem um pouco do Ruschi...

Cada samambaia-japonesa,
cada face ilesa 
                     da natureza...

Cada bosque do Galito,
não se rendera ao palmito,
tem um pouco do Ruschi.. 

Cada jasmim e seu colibri,

Cada brinco-de-princesa 
de Santa Teresa a Veneza...

Cada fonte de pesquisa,
cada tese de pesquisa,
tem um pouco do Ruschi...

Cada balsâmica brisa
que paralisa a poetisa, 

tem um pouco do Ruschi...


O colibri de Augusto Ruschi

O colibri venerara
Augusto; o passarin'
do pouso delicado,
dos pezin' no fino
               arbusto...

D'arco-íris, que cores
das aves aquelas!
Cor cinza nos colibris:  
são dElas...

(seu colibrizin', 'inda
em Santa Teresa..
seu colibrizin', 'inda
terna beleza...)

Divertira-lhe seu vôo
pra frente e pra trás...
O colibri aos olhos,
cadê? E zaz-traz!

Vôo de avião a jato,
de fato a velocidade...
Da ave imprimira ao
Ruschi: espanto e
            felicidade!

(Seu colibrizin', 'inda
em Santa Teresa..
Seu colibrizin', 'inda
terna beleza...)

Serzin' tão deli-
cadin', a polinizar
gran' floresta...Na
varanda de Ruschi,
             esta festa:

passarando adoçando
bico, na bica
com zelo ideando
pelo fausto Augusto
                  -o justo

(Seu colibrizin', 'inda
em Santa Teresa...
Seu colibrizin', 'inda
terna beleza...)

Álacre ao descobrir
o Mateiro qua a ave
            (Ave Maria!) 
não se ajustaria
em cativeiro...

Cativou no terreiro
pois livre a ave...
E cativou na nave,
digo, no cativeiro, 

a crivada avestruz...
Pobre Jesus na cruz...
E cultivou no viveiro 
o mastruz:
              o Porta-luz...

Baila colibri no ar,
ágeis asas a valsar...
Pirueta a gratidão
lhe traduz,
  
(seu colibrizin', 'inda
em Santa Teresa..
seu colibrizin', 'inda
terna beleza...)

            ao Andaluz,
            ao Ruschiluz...

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Legado de Ruschi

Não é a bomba atômica
Ou a pomba evaporada

Não é a água esgotenta;
a Terra em Marte silenciada

Não é um olhar triste,
retina rubra da mata 
                        queimada

Não é a lavoura tóxica:
microrazão encefalada

Não, não é céu anil sem ave 
(migrou a clã enganada

Não é arara azul sem nave
(engrenagem avariada)              

O legado de Ruschi
é a infernal/celestial cantoria
(a mata enfestada) 
                           
dos trinca-ferro,
(o legado de Ruschi),
suas taquara-rachada!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

O Ruschi era bom

Um homem é bom
quando respeita o tempo

O tempo do próximo,
ou digo o vento...
               
Se se angustia ao
alheio contratempo,

humano bom...

Bom é o sujeito,
se pisa com jeito

o solo da formiga
a portar mantimento...

Um homem é bom,
sua mão ferramenta:

fermenta o pão essa mão,
co'o mais puro do grão...

O homem é bom
quando ele dá água

à aguia sedenta,
e ao sabiá-pimenta...

Um homem é bom
quando ele fomenta

A idéia de ser a Nave,
de todo que a frequenta...
  
Arca da avó, da ave.
E da jumenta.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Eu quero ser Ruschi

Quero ser Ruschi!

Quero andar na floresta
Eu quero festa

de colibri na janela
aberta fresta

O vento, o sol,
'dentrando casa...

Eu quero asa
Eu quero esta

manhã com maçã
sem medo e veneno...

Rouxinol e atol,
colorido ameno

Usar andiroba
-ao invés do benzeno

(quero ser Ruschi)

Ambiente e gente,
jaz a combustão

Quão simples a arte,
viver sem canhão

Comeu papagaio
girassol, em minha 
                     mão

Quero ser Ruschi!

Andar na mata
sob prata lua

Semente intacta
cantou cacatua

Rompeu aguerrida
margarida


na relva,
na rua...

Orquídeas e Ruschi

Oh...Orquídeas!

Alvas, não manchadas;
de paletas embaralhadas...

Ilustres, em orquidários
Ou saudosas -obituários

As de matizes exóticas,
dum verde-abacate...

De amora-escarlate,
as não estrambóticas...

Oh...Orquídeas!

Suas cores caras;
nem tão raras carraras...

As de pencas parrudas;
as tão solitárias...

Oh... Orquídea!
Oh...Venustídea!
 
Mina virgem,
em bromélia ocultada...

Afoita mulher,
por colibri polinizada...

Oh, orquídea!

O poeta a vê lascívia,
o Ruschi a vê materna...

O mercador a vê artigo;
o Ruschi a vê tão terna...

Orquídea-ser-vivo,
quase humana, boa...

O Ruschi a velara,
flama eterna ressoa...

Oh, orquídeas,
oh, orquídeas!

As alvas, as não manchadas...
Ou as de paletas
                         embaralhadas...

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

O que um homem pode ser

Um homem pode ser uva-
passa. Passa uva ruim
-no rum não passa

Um homem pode penumbra
ser sombra de alguém
-duma rosa Holambra

Um homem pode ser 
um lobisomem, eterna
fera: o homem

Mas pode ser o Sapiens
carvalho, ou orvalho que o
rega. O Ruschi o era.




domingo, 3 de julho de 2016

Do bem

Eu não vi o Ruschi
sojarando mata

Eu não vi o Ruschi
jacarezando couro

Eu não vi o Ruschi
açucarando nata

O Ruschi eu não vi
aliciando ouro

sexta-feira, 15 de abril de 2016

As garrafinhas de água e açúcar

A quem alimenta um bichano,
chamo-lhe "humano"

Pra quem tem pássaros na janela,
a vida é bela...

Açúcar cristal nágua:
dócil colibri

Enche a pancinha 
e baila

(corpinho rubi)

São garrafinhas dágua,
glicose, e aí...

Colibris dançantes
daqui, dali...

De Ruschi a idéia fora
-descobri!

terça-feira, 12 de abril de 2016

Meu voo raso



Não, não saberei poemar
o Ruschi, não ousarei...

Porque não sei o nome das flores,
e o colibri, quais mesmo cores?

Não, não saberei poemar
-não este pomar

O augusto Ruschi,
o Ruschi augusto,

cada riacho,
cada uva no cacho..

Cada mata, sua cascata,
cada lago, sua lua de prata...

Rodeava-se de bichos,
rugiam alto, nos nichos...

Tudo lindo, a Natureza
Junção: homem e Alteza... 

As cidades, seus ipês...
Águas claras, fluidez...

Consumismo? Pouquinho...
Valia mais, colibrizin' no ninho... 

O tempo, em que a
sustentabilidade rompeu...

Como um girassol,
dum gineceu...

Flutuavam as asinhas
no ar...

Alga esmeralda, 
rubi do mar... 

O mundo de Ruschi:
pra se deslumbrar!

Não, não saberei poemar
o Ruschi...

Pois o augusto,
pois o arbusto...

Vereda das alamedas,
seus bichos-da-seda... 

Não, não saberei poemar
a leveza...

Sutileza de tons: 
brincos-de-princesa...