sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Poema sonhador

O mel desregrado,
o pé de cajá carregado,                                                          
a macaxeira quentinha,
a coalhada docinha,   
o pão da fruta,
a fruta-pão,
o vinho do açaí,
o suco de murici,
o tambaqui, o taperebá,
o assado tamuatá,
o pomar coberto de bago,
o cerrado repleto de gado,
e no lago, os cisnes...

E a rua livre e linda,
a casa leve, limpa,
a horta verdinha,
a praça bem ventiladinha,
a água cristalina,
a chuva fresquinha,
o jardim de cheiro bom,
a paz da noite sem som,
um retiro, um recanto,
o pássaro e seu canto,
e o encanto dos rios...

A amplidão dos lugares,
a sosseguidão dos palmares,
as baleias saltitantes nos mares, 
o aroma dos bosques nos ares,
a sombra da bacabeira,
a floração da paineira;
e a natureza  que a todos sustenta,
e a fartura que a todos alimenta;
e nossa benevolência na distribuição,
e nossa consciência na preservação,
e os animais sob nossa proteção,
e a humanidade em comunhão,
e na contra mão, a morte...