domingo, 26 de dezembro de 2010

Minha poesia saiu de férias

 Arrumei a rima
sem rumo

Arruinei a rinha

Livre,  solta, a palavra louca
-a língua  no céu da boca

A lua cheia beija o céu
-viaja versinho no papel

Nada séria,
a ideia pingou aérea

Lunático verso eu quisera
-quimera

Meu verso clichê
de tanto mel, 
melou

Falso dossiê,
malou

Pouca mola
-não esticou

Mudo:
uma mula

Poesia sincera, azeda

Sensata, azara
Zero voto, se desenhar a cara desse país

Poesia inútil, que se

  apega em coisa particular
Intraduzível, fútil


Tipo insosso:
 palavrinha chula ou fria
Relógio mudo,
casa vazia

Dissabor de amor

mofa na prateleira
Poesia morta,
 torta



Cidade ou personalidade
repaginada em poema,
águia velha sem voo
Marulho, enjoo


Poesia, qual deve ser sua matéria?
A vaidade de quem  te escreve
ou a piedade de quem te lê?
O duelo das palavras 
ou o elo das?
Sua falência? Ou sua resistência?
Sua reinvenção? Ou não?


poesia cara de sapucaia

 milagre

 malabarismo
 maracutaia

 Meu poema de tanto poemar 
fadigou
bocejou
entediou

Meu verso-reverso

desparafusou


meu poema se safou
licenciou
escafedeu-se

escapuliu

conceber as rimas em outro clima...
volver as horas em anarquia...
recompor energia...


meu poema feriou


segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Dísticos lúdicos

Bucólico crepúsculo, fantásticas transmutâncias
Crédito impávido em calendário novíssimo

Altíssimo magnânimo, Lâmpada magnífica!
 Ômega em florescência, Ágape boníssima!

Têmpera harmônica, angélica paranética
Zéfiro lírico, sidéreo feérico

Rútila resplandescência, êxule lágrima
Benevolência-essência, êxtase anímico

Pássaro lépido no límpido zênite
Fôlego mágico, química mística
 
Intrépidos propósitos em proparoxítonos tônicos
Frêmitas idéias em áltimos píncaros

Louvaríamos em cânticos e poéticas épicas
Balsâmico sândalo: o amor oxítono 

sábado, 18 de dezembro de 2010

P'ro ano nascer feliz

A vida é velha, o ano é novo
Serve e segue. Semeia e colhe
Persevera. E recomeça

Avante e sempre. Já, sem demora
As velhas mazelas, e a velha vida...
Mas reinicia. E doma o destino

A dieta, a dívida, a dúvida
Arrumar ou arruinar a rima...
Viver à margem do juízo 
ou além da lenda...
Retoma o leme. E reanima

O velho rejuvenesce
O trabalho compensa
O tempo urge
O amor faz valer viver

Creia -apesar. E caminha
Forte, mas sereno
Poderoso, mas humilde
Vencedor, mas grato
Conquistador, mas fiel

Determines:
as causas e os efeitos
as ações e as reações

 Toca o barco

Eleja
suas glórias e suas escórias
Seus atinos e seus desatinos
Suas searas e seus saaras

Dita para si tuas regras. E acorda cedo

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Feliz Natal!

Feliz Natal, alma querida!
Nasce Jesus em amparo a tua lida sofrida
Crê no remanso - a lágrima  um dia finda
Breve é a despedida, veloz e veraz é a vinda
Vindouro o resgate- sê firme- mesmo que tarda 'inda
Até do sepulcro jubila linda a vida...

Feliz Natal, querida alma!
Cristo renasce espargindo luz alva
Dedica-te àquilo que te restaura a calma:
a benfeitoria te eleva com alegria,
a oração te enleva em paz divìna,
o amor sublima a dor
Com o crepúsculo cresce um sombreado reparador
Aurora ourada ressurge áurea em esplendor...

Feliz Natal, criatura almada!
No presépio sonha ressonada
a esperança, encarnada em criança iluminadora e iluminada
Jesus é cajado e bordão, ó alma amada
No servíço do bem, vinga a vida serenada
Se a folha amarela cai, viceja outra mais verdejada
Contempla-nos a eternidade com a perfeição de Deus glorificada...