segunda-feira, 25 de abril de 2011

Às mães

Farta-se a vida de cruentas doridas
e ervas daninhas amargosas ao fel
Alivia-nos a dócil doçura das madres,
amores de amoras ternuradas ao mel

O mal que impera neste mundo
ínfimo é, ante o materno amor
Se a urtiga afugenta o colibri,
maravilha a petúnia o beija-flor

Percorre nestes vales fugidio
o tempo, ao galope de um audaz corcel
Perdura o aroma mátrio (amor-perfeito)
Perfumam angelicais angélicas no vergel

Ó mãe, figura virginal e pura
resguardada em minh'alma no escapulário
És toda sorte de berilos belos
Pedraria fina em meu relicário

Castelos fundamentados n'areia
se diluirão grãos em correnteza
Dai-me, ó mãe, tua mão firme,
que derriba a frágil morada, erguendo fortaleza

Senhora resplandescente de graça e provedora
do nosso sacro alimento, mas também provida
da paz do céu que em ti corroboa
Das tulipas belas, és a mais bela tulipa!

segunda-feira, 18 de abril de 2011

A Páscoa é tempo de esperança

Sementes boas a gerar fertilidade
Cristãos a praticar benignidade
A Páscoa é tempo de esperança

Enlevar-nos em poemas santos...
Elevar-nos em sublimes cantos...
de Páscoa, tempo de esperança

Tornar dóceis os gestos...
Tornar doces as palavras...
na Páscoa, tempo de esperança

Eis as boas-novas em advento!
Fraternar-nos na temperança
-e na esperança -ainda em tempo

A cristandade em festas e orações
a nutrir de esperanças corações
Páscoa, tempo de luz

Fluidificar esperança,
gratificar ao Salvador
Páscoa:  templo do amor

A paixão e morte de Jesus 
a nos redimir em perdoadora cruz
A Páscoa é tempo de esperança

Páscoa, tempo bom de libertar 
os ressentimentos mesquinhos...

Bom tempo para banir rancores,
baixar espadas, aparar espinhos...

Páscoa das alegrias em luz inebriadas
a vencer as agonias em treva enlutadas...
A Páscoa é tempo de esperança!

terça-feira, 12 de abril de 2011

Manifestação de respeito

Todos somos
portadores de deficiências suficientes
-ou de eficiências insuficientes

A visão opaca,
o ato falho,
a perna coxa,
a pele com mancha,
a memória traiçoeira:
somos nós...

Todos somos...
um pouco cegos - mas não menos iluminados
um pouco surdos - mas não menos sabedores
um pouco entrevados - mas não menos fazedores
um pouco deficientes - mas não menos eficientes

Os orvalhos secam,
os carvalhos vergam,
mais cedo ou mais tarde...
Nosso corpo: 
casa de provação,
envoltório em expiração,
mais tarde, mais cedo...

A fadiga na retina,
a fragilidade nos ossos,
o tremor nas mãos,
a fraqueza na força,
o descompasso no coração,
somos nós...

Obras-primas em eterno acabamento
Almas gêmeas na imperfeição,
ardentes por sermos cuidados,
carentes de mútuo respeito...

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Dos feitos e dos efeitos

É pelo nossos passos que os caminhos vão se fazendo
É pela nossa fé que as montanhas vão se removendo
É pela nossa paz que o mundo vai se sustentando
É pelo nosso perdão que a consciência vai se aliviando
Pela nossa oração, vai o mal fraquejando
Pelo nosso semear, a colheita vai se figurando
É pela nossa caridade que a fome não nos vai definhando
Ou é pelo nosso egoísmo que a fome vai nos envergonhando
É pela nossa sabedoria que a humanidade vai humanizando
 Pelas nossas mãos é que as coisas todas vão se tornando,
e pelas mãos amorosas de Deus, o universo, pelo bem, vai
                                                   conspirando

Para Ana Vidigal, amiga