segunda-feira, 30 de maio de 2011

A que se destina o amor?

Da humana essência ser a resplandescência

Da singeleza ser a beleza

Do desencanto ser o encanto

Da amargura ser elixir em doçura

De Jesus ser a luz

Do jardim ser o jasmim

Do delírio ser o lírio

Do bom humor ser a cor (e o sabor, e o odor)

Do bem ser essa magia
que a todos modificaria

Da poesia ser a canção

Da mãe ser a mão

Do grão ser a raiz

e a paz da alma feliz

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Família

base teto
mão pé
amor amor
família é

solidez polidez
e um papel:
desviar destinos
da bala, da Babel

Descrucificar
ombros umbrais
Tirar da reta,
os Balanços Gerais

Não respalda culpa
Não respinga espora
Cada família pura
cura catapora

Mundo louco porco
Imundo mundo cão
Família traz paz
Solidão, não

traços laços
abraços de aço
Fora do seu compasso, família,
sou bagaço

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Poema singelo para as mães

Tão divinas as mãos de mães
a nos fazer divinos pães!

São boas mães
as que proferem cortantes nãos

Brancas raízes capilares...
Belas albas ondas dos mares...

Ternura no olhar
pura
candura
Cantiga de ninar

Fronte flexionada,
costas arqueadas...
Curou minha renite,
trocou minhas fraldas

Sol a que o girassol se dobra
Som de flauta, cheiro de flora

Mix de riso e rigor:
sinais de amor

Perdoa-nos, excelso coração,
a nossa quase sempre tardia gratidão

As 'speranças arrefecem,
vencidas por dura sorte...

São fortalezas as nossas mãezinhas,
são águias a trair a morte!