sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Olhar além, no Natal...

Olhai, nesse tempo de Natal...
pela parturiente na fila do hospital lotado,
pela mãe que perdeu, para o traficante, o filho viciado,
pelo prato vazio, pelo olhar de fome esbugalhado,
pela pobreza produzida pela riqueza,
pelo menino maltrapilho, com frio, abandonado,
pelo pai de família desempregado, desanimado,

olhai pela cidade, suas vias e desvios, seus destinos e desatinos,
suas bocas de fumo, suas bocas com fome,
olhai pelos sem-teto, pelos sem-terra,
pelos sem-chão, pelos sem-solução,
olhai por aqueles que não tem visão,
olhai com os olhos da emoção

Olhai, nesse tempo de Natal
-e Natal deveria ser todo dia,
com olhos, pés e mãos fazedores,
 desatadores de dores,
cuidadores de flores
de magníficos odores...

e os lírios do campo!