quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Ao viciado em trabalho

Curta essa vida curta
-isso eu já disse e repito
A nenhum lugar te leva
o teu farfanhar aflito

Fugidio rosa do pêssego
Solitária casa fria
Findo dia (sem alegria)
dormes com o vìcio que o engolira
 (com embolia)

Ah, ares dos mares...
Refrescantes ventos uivantes...
Jardins, jasmins, 
cheirosos pomares...

que teus olhos não pairam sobre eles...
Caramba dos teus intermináveis deveres!

Bromélias sob montanhas rochosas,
nacentes entre orquídeas formosas...

que teu corpanzil frágil
não ágil
nunca debandará nesse cenário
extraordinário

Não sobe tua silhueta de barril
um Morro do Pescador
ou um Arpoador
nenhum mirante no Brasil

 E os filhinhos e a mulherzinha
a lhe esperar, esperar...
 eternamente para o jantar 
(e a sopinha a esfriar)

Pior é quando consigo levas
para o teu ofício poço-sem-fundo
as criaturas, tuas servas,
amiga da vida, do mundo

A porção de vida a ti servida,
minhalmamada,
passará passaria
-mas nunca passarada