segunda-feira, 30 de abril de 2012

Soneto clássico

Sonoros, simétricos sonetos...
Sidéreas silhuetas sibilando...
Sinos sensações sussurrando...
Sublimes sombras, selados segredos...

E ascendem signos em seleto acervo...
Insignificantes sentenças soando...
Seculares símbolos ressoando...
Sublimando co' suave incenso...

Sofismam sufixos simulados...
Serafins sinfônicas silvam
solenes sonhos dissimulados...

Sigilosas siglas cintilam

cenários de sonhos soçobrados...
Serenadas sintaxes assobiam...

A um trabalhador

De Franca, o ilustre Ricardo. Cadeirante.
Pedreiro. Assentador de azulejos.
Brasileiro. Milhões de sonhos, desejos...
Sem lamúrias.  Gratidão constante. 

Sua cadeira precária. Avante!
A enfrentar a calçada: queijo
suíço esburacado. Eu vejo
o heroi. De impostos pagante.

O Ricardo e sua fortaleza...
me põe no chinelo. Eu, me preocupando
co'a caloria d'uma cereja... 

Arrimo de família, ele madrugando...
Com alegria aceita sua peleja...
Conduta que vem nos inspirando...

Antônimo de tempo

Contrário de tempo: antitempo
antimateria, o eterno ou morte?
Não passar pelo tempo, má sorte...
Sinônimo de tempo: vento?

Pudera controlar seu intento...
Correriam as eras... e o passo forte...
Tilintaria mais limpidamente a glote...
Para sempre do adeus isento...

Pega-nos à força e nos leva...
aonde não se quer chegar...
no éden da flor mais bela...

Vaga-lumes no breu a brincar...
A chuva vista da janela...
Antônimo de tempo é voar...

Negra cor

Cor parda, negra, mulata...
Cútis bela, linda tez...
Matiz de orgulho e altivez...
Brilha ao sol e lua de prata...

Pele preta, merece serenata...
Brasil genuíno, a bola da vez...
Enaltecer a raça, sem timidez...
Abolir a indiferença insensata...

Machado de Assis, Castro Alves,
Senadora Benedita, Paulinho da Viola,
Joaquim Nabuco, Zumbi dos Palmares...

Nuances na velha e atual historia...
Seres idôneos, espetaculares...
Asa morena, rara joia...

domingo, 29 de abril de 2012

Manifestação de respeito aos idosos

Coroa, idoso, ancião...
O prêmio da longevidade...
O ápice da jovialidade...
As gerações em evolução...

Ó Pai, põe piedade no coração...
Olhamos com desdem a maturidade,
não damos crédito à terceira idade,
sua capacidade, sua emoção...

Pudéramos nós todos lá:
cabeça alvinha, gesto meticuloso...
pintando na tela o sabiá

Respeitar o destino caprichoso...
Confiar no tempo, que se desdobrará...
Fazendo da uva, vinho precioso...

Epígrafe

Colhemos o que plantamos


A semente germina
sem tempo para desenganos

Louco e heroi

O que quebra o egoísmo
O que abusa das cores
O que crê, sem fanatismo
E molha, nas ruas, as flores...

(louco e heroi)

Remete-nos ao amor celestial
Alma em paz, contemplativa
Dá-nos o poema angelical
ou a culinária viva...

(louco e heroi)

Calcula logaritmos naturalmente
Salva a pele do rinoceronte
Respira com tórax, lentamente...

E mais inventa que copia
E menos pergunta que responde
Quem mais e mais se recria:

louco e heroi

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Nossa piedade

Ao corpo que se prostitui
À mão que surrupia
Ao olhar que inveja:
a nossa piedade
E ao jovem drogado de olhos esbugalhados

Ao que desiste e não luta
Ao que chora e não se ergue
Ao que fita o chão e não crê:
a nossa piedade
E ao jovem drogado que vende sua alma

À menina-bomba
À menina que não vai a escola
À menina que vende amendoim:
a nossa piedade
E ao jovem drogado de trapos mulambentos

Ao deficiente humilhado
Ao velho esquecido
Às flores murchas sem perfume:
a nossa piedade
E ao jovem drogado não comtemplado co' amor



Pseudo soneto para o amigo

Essas coisas que dinheiro não compra:
confiança, compreensão, paciência...
Misterios que não desvenda a ciência:
acalma-nos a árvore, sua simples sombra...

Um elefante, e sua articulada tromba
A perfeição dos seres, na imperfeita quizomba
Sustenta de alegria, dê-se ciência,
o amigo, a amiga, presente da Onisciência...

Chuva aliviadora, pós tórrido sol
Providencial sol, pós água arrasadora
Chuva de prata, amigo, sol que doura...

Consolo que abraça, depois de cada dor...
Dia que resplandece, para revelar o amor...
Essência da vida, do poema. Ou da flor

A bisavó

Lá vem a bisa, com seus pontos de cruz...
Tercinho na mão, beijo em ponto de bala...
Aroma lavanda, que só uma avó exala...
Graça natural que a todos seduz...

Amor é o tempero do saboroso cuscuz...
Tão bom sentar com ela no sofá da sala,
suas estorias incríveis, sua doce fala...
Raros sentimentos sua geração traduz...

Inspiradora da paz na família...
Sua casa cheia, seu coração enorme...
Pouco letrada, mas que sabedoria...
                                       (nos humilha)

Surpreende-nos essa mulher: conforme
passa o tempo, mais dura a sua pilha...
Café prontinho -enquanto você dorme...

Poema do nariz

Nariz, irmão rico dos cinco sentidos...
pressente o fogo medonho,
se deleita com feronômios,
antecipa o sabor da comida...

Instrumento de carícias,
mergulha no cabelo amado...

Nariz imponente ou delicado...
se delicia com cheiro de chuva

Nariz novo, potente...
faro de labrador

Nariz velho, surrado...
nem sente bebê borrado

Ausente nos versos,
injustiçado pelos poetas...

Nariz, nariz, nariz,
maravilha da criação divina!

Hospitaleiro, o nariz...
as portas sempre abertas
Os pelos, porteiros alertas

Feche seu nariz...e morra
Feche os olhos, os ouvidos...e nada

Nariz de político corrupto,
nariz de Pinóquio -dois metros

Nariz esculpido por Pitangui,
nariz viciado em perfume francês

Nariz largo, grosseiro
Beleza brasileira

Nossa gratidão ao nariz...
por nos oferecer bons momentos,
por captar sensações reais,
por absorver gás vitalício...

Nossa ternura a esse
apreciador de odores:
das mães,
das rosas,
do café,
da vida...


domingo, 22 de abril de 2012

Feliz Natal em Abril!

Antecipar o Natal...

para que a esperança nasça com o inocente menino

para que o amor nos impeça de nos exterminar

para que as feridas se curem no perdão

(antecipar o Natal)

para que as mãos se abram e ofereçam o pão

para que luzes e canções nos maravilhem

para que a humildade no presépio nos enterneça

e para nos aninharmos no colo de Maria

e para nos surpreendermos
com os resquícios de bondade humana

e para iluminar de alegria a vida,

antecipar o Natal!

Caindo na malha fina

Amar não escolhemos
O amor
é que nos escolhe
e nos acolhe
em suas teias tecidas de
 flautas, frutos e flores
e borboletas de todas as cores
O amor
essa tela tecelada de dramas
-dóceis e dourados dramas...
Amar não escolhemos
As aranhas
quem, em suas bem traçadas tramas,
escolhem

Singelo poema do amor romântico

Amar é louco
Não amar é 'inda mais louco

Amar é abandonar a si
para encontrar o outro

É tirar o chão dos pés
perder o cérebro
e ficar só com o coração

É desvendar, com a emoção,
o que está alem da razão

No amor
o nobre e o pobre
o velho e o moço
homem e mulher
somos todos iguais:
somos todos irracionais

Do amor vem o bom humor

Do amor vem o sorriso
e o abalo do juízo

O amor nos deixa sorridente
sem motivo aparente

Do amor
vem a empolgação da gente!

domingo, 15 de abril de 2012

Sobre a realidade nua e crua de quem -como eu- não nasceu virado para a lua


Dá-nos a vida
todas as feras
em todas as esferas


Dá-nos a vida
todas as guerras
em batalhas etéreas


Nós somos luta e labuta
entrelaçados
lutalabuta


Somos erros e acertos
intercalados
acertos e erros


Somos a sociedade degradada
descrita no poema
que te desagrada


Somos a realidade das ruas, dos jornais
Somos o todo que se divide
em partes desiguais
 
 

Somos espadas e espinhos
Um exército de muitos soldados
mas temos que lutar sozinhos


Somos dores e amores
feridas e flores
entremeados num mosaico de cores


Somos parte desse show, dessa lida
e mesmo a asa ferida
a nave abatida
e a nave cambalida,
NINGUÉM DEVE DIZER BASTA À VIDA!

Do Coríntios

Caiu a máscara,
chegou o amor!
O amor que tudo sonha
e tudo voa
O amor
que revela a beleza do outro
Amor:
encontro do que se procura
Luz norteadora de caminhos,
cantiga serenadora de almas
O mais sublime de nós
vem do amor
Criador e criação
vem do amor
A plenitude perfeita
vem do amor
Esse amor que sustenta a humanidade
de eternidade em eternidade...
Amor da solicitude viva,
amor indescritível
em vãs palavras vagas
Do amor se teme apenas
o tempo que se mostra
na breve maçã
na folhagem amarela
na sombra crescente da fluída manhã
(Do amor se teme doidamente  amort...)
Amor que tudo salva
tudo espera
tudo suporta
tudo crê 
tudo, tudo.

Apesar.

sábado, 14 de abril de 2012

As escolhas

Levar a vida
ou deixar a vida levar?

Mudar o mundo
ou passar pelo mundo?

Viver na bondade e serenidade
ou na vaidade e severidade?

Leveza ou avareza?
Mansidão ou escravidão?
Benevolência ou violência?
Paz ou caos?

Se não amares teu irmão, amarias quem?
Se não amar a ti mesmo, o amaria quem?
Se não amares agora, amarás no alem?

Do amor e do tempo. Agarradinhos

Quebrar os relógios
quebrantar o tempo
O tempo
suspenso
O instante
surpreso
A saudade
em fuga
A presença
em fogo
ardendo
Ardendo
essa chama
que nos chama
-o amor

quinta-feira, 12 de abril de 2012

O amor. De novo e sempre


A felicidade

na boa companhia vem

Na partilha do pão

vem também

O bem estar é para quem

convive com o bem



Quem se doa ao amor

se delicia em esplendor...



 
O amor...

Que faz das pessoas a humanidade

Que faz da poesia a melodia

Que faz da bondade

a esperança da eternidade

Que faz da saudade e da nostalgia,

vibrações de alegria



 
O amor, o que faz sentido

nessa seara, nesse saara,

nesse navegar, nesse pelejar





Filhos, pais,  paz,

amigos,

velhos vizinhos queridos,

colegas, cônjuges,

parceiros sem parcimônia,

Deus criador, Jesus redentor...

Ó almas, fruamos das fontes frondosas,

fulgurantes, infindas do amor...




do doce amor...

Regozijai, ó fígado!

Ó coração, regozijai!

No amor desatador de dor,

nesse fogo, nesse fulgor

-antônimo de tiro, tráfico, tragédia

e terror

Flores que brotam no meu computador


Flor da beleza benevolente
-a cerejeira do oriente
 
Qual seria seu rimador?
esplendor, beija-flor, condor, amor...


Da cerejeira a florzinha:
a japinha delicadinha


A criação do Mestre
A emoção do Mestre
A paixão, a mão, o coração do Mestre
A arte perfeita do Mestre
nessa pintura primaveril
de encher os olhos
-as rosadinhas-maravilhil

 

Sakura zansen
Vem e vai o tempo

O tempo vai e vem


 Os ciclos da natureza que se repetem
que por enquanto se repetem
que graças a Deus se repetem
e se repetem
E ainda se repetem


A cerejeira quase morta
na última invernada?
pouco importa!

Pequena e preciosa



A explosão da matéria gerou o mundo
- para o buraco negro engolir tudo


Chegar para partir...
Juntar para se despedaçar...


Segredos da vida,
enigmas da morte...


Como é humilde nossa posição
diante da grandeza do universo...


Como é grandiosa nossa posição
diante da fragilidade da vida...

sexta-feira, 6 de abril de 2012

A Páscoa é tempo de esperança!

Sementes a gerar fertilidade
Cristãos a brotar benignidade
A Páscoa é tempo de esperança

Enlevar-nos em poemas santos...
Elevar-nos em sublimes cantos...
de Páscoa, tempo de esperança

Tornar dóceis os gestos...
Tornar doces as palavras...
na Páscoa, tempo de esperança

Eis as boas-novas em advento!
Fraternar-nos na temperança
-e esperança -'inda em tempo

A cristandade em transfiguração
nutre de esperanças os corações!
Páscoa, tempo de luz

Fluidificar esperança,
gratificar ao Salvador...
Na Páscoa: templo do amor

A paixão e morte de Jesus
a nos redimir, em perdoadora cruz...
A Páscoa é tempo de esperança

Páscoa, tempo bom de libertar
os sentimentos mesquinhos...

Bom tempo para banir rancores,
baixar espadas, aparar espinhos...

Páscoa das alegrias em luz inebriadas,
a vencer as agonias em treva enlutadas...
A Páscoa é tempo de esperança!