sexta-feira, 27 de abril de 2012

Nossa piedade

Ao corpo que se prostitui
À mão que surrupia
Ao olhar que inveja:
a nossa piedade
E ao jovem drogado de olhos esbugalhados

Ao que desiste e não luta
Ao que chora e não se ergue
Ao que fita o chão e não crê:
a nossa piedade
E ao jovem drogado que vende sua alma

À menina-bomba
À menina que não vai a escola
À menina que vende amendoim:
a nossa piedade
E ao jovem drogado de trapos mulambentos

Ao deficiente humilhado
Ao velho esquecido
Às flores murchas sem perfume:
a nossa piedade
E ao jovem drogado não comtemplado co' amor