sexta-feira, 27 de abril de 2012

Poema do nariz

Nariz, irmão rico dos cinco sentidos...
pressente o fogo medonho,
se deleita com feronômios,
antecipa o sabor da comida...

Instrumento de carícias,
mergulha no cabelo amado...

Nariz imponente ou delicado...
se delicia com cheiro de chuva

Nariz novo, potente...
faro de labrador

Nariz velho, surrado...
nem sente bebê borrado

Ausente nos versos,
injustiçado pelos poetas...

Nariz, nariz, nariz,
maravilha da criação divina!

Hospitaleiro, o nariz...
as portas sempre abertas
Os pelos, porteiros alertas

Feche seu nariz...e morra
Feche os olhos, os ouvidos...e nada

Nariz de político corrupto,
nariz de Pinóquio -dois metros

Nariz esculpido por Pitangui,
nariz viciado em perfume francês

Nariz largo, grosseiro
Beleza brasileira

Nossa gratidão ao nariz...
por nos oferecer bons momentos,
por captar sensações reais,
por absorver gás vitalício...

Nossa ternura a esse
apreciador de odores:
das mães,
das rosas,
do café,
da vida...