quinta-feira, 31 de maio de 2012

O professor aposentado

Não quero ser um muro de lamentações,
mas, nossa solidariedade ao aposentado,
'inda mais, se o brasileiro não for deputado,
e se for professor, nossas condecorações...

Haja contorcionismo, mandigas, orações...
p'ra não faltar o da feira, o do supermercado...
A farmácia estoura o orçamento apertado...
Mas não quero ser um poço de reclamações...

Respeite-se, garanta direitos, companheiro...
Professor é amor revertido em trabalho...
E trabalho é amor revertido em dinheiro...

Acomodar-se, camarada, é ato falho...
Tens a faca e o queijo, e o filão inteiro...
Avante e sempre na força, coma alho!

Como deve ser comenorado o Dia dos Professores

Alvorada alegre, fogos de artifício, tiros de canhão...
Esquadrilha da fumaça, chuva de pétalas vinda do céu...
Por no peito do Professor medalha, e na mão, troféu...
Violinos, tapete vermelho, solene condecoração...

Tocam clarins, rufam tambores e o coração...
E sobe ao palanque, o heroi da nação, o menestrel...
"o que espalha esperança e transforma sal em mel"
No dia 15 de Outubro, dia de honra, gratidão...

Feriado na nação, com pronunciamento de presidente...
que anuncia ao Mestre seu justo aumento salarial...
É o professor, resgatando sua dignidade, contente...

Momento memorável, inesquecível, especial...
Abraçar quem cuida da esperança emergente...
É o Educador, finalmente, no alto do pedestal...

domingo, 27 de maio de 2012

O final de semana do professor

É  uma  barra,  quem  é  professor sabe...
Faxinar no sábado, planejar no domingão...
Do sábado a feira, dominguinho do Faustão...
É  uma  barra,  é uma  bola  na  trave!

O diário a ser preenchido é entrave
à divertida visita à zebrinha, ao leáo...
Zoos, parques, sonhos que fenecerão...
pra quem precisa descansar do baque

É o professor corrigindo provas,
enquanto o circo chega à cidade...
Seus atos velhos nas eras novas...

Burocráticos registros, nenhuma facilidade...
Vai ganhando o professor novinhas corcovas...
Onde ' os junhos festivos? Aonde ' felicidade?


sábado, 26 de maio de 2012

Final de mês do professor

Final de mês, um desespero total!
É professor na feira atrás de xepa...
O cartão estourou, secou a teta...
Ansiedade de chegar o dia capital...

Arrasta o mês, voa o cheque especial...
Segunda quinzena, e a vó pela greta...
Equilibrando mais que canguru perneta,
o professor bota mais água no cural...

Tira-lhe o sono, o terrível imprevisto,
que afunda ainda mais o navio...
Enquanto isso, ronca o Ministro...

É o dinheiro do mestre, em eterno extravio...
Da conta bancária, evapora sinistro...
Um salário-bomba, de curto pavio...

As férias do professor

Férias! Hora do professor arrumar bagagem...
Tóquio, Paris, Milão, Cancún, Dubai...
Decolando com o Google Earth ele vai
matando sua vontade de 'star na paisagem...

Lençois Maranhenses, bela miragem...
Algum dia (rss) conhecerá Shangai...
Mas caiu na real e foi p'ro Paraguai,
sua mais internacional viagem...

O professor baiano curte Salvador, Dali...
Professor do Pará se remedia com Mosqueiro...
Sou professora, me contento com Guarapari...

É o professor e seu singelo roteiro...
Seu álbum de fotos sem Mickey e javali...
Seu rio com lama, seu rio sem Janeiro...

sexta-feira, 25 de maio de 2012

O professor, a caminho da escola...

Ao professor, nosso afeto, nosso carinho...
Esse que pega metrô às cinco da matina...
Correnteza vence e no mangue patina...
Implode as pedras, no meio do caminho...

Pelos sertões poeirentos, lá vai andarilho...
Vai de ônibus velho, apertada sardinha...
Sobe o Morro do Alemão, desce o da Rocinha...
No tranco da bicicleta, ao balanço do trilho...

...assim chega nosso herói (nossa ternura!)
Sua sala singela, seu instrumento precário...
"inda ensina co' amor, doce figura...

Nosso carinho à mestra Ana, ao mestre Dário...
Aplainam as sendas para a geração futura...
São amigos fiéis no nosso itinerário...

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Seja feliz, professor...

Amigo professor, minh'alma querida...
Tua abnegação melhora o nosso mundo...
Do deserto triste, fazes solo fecundo...
Ânimo trazes, à mais enfadonha vida...

Mas sol não vê tua tez empalidecida...
Não se vê ânimo do teu semblante oriundo...
O brilho ofuscado do teu olho fundo
revela um cansaço de quem jovem 'inda...

Ó anjo bom, dedicai sim à missão mais linda...
de facilitar sementes em árvores frondosas...
Mas aproveitai a brisa, da noite vinda...

Tens todo direito sob às peras gostosas...
E ao esporte, e ao cinema, e à tristeza finda...
Festejai a vida, com as amizades fogosas...

Intervalo na sala dos professores

Hora do recreio, hora de comilança, gritaria...
Bom p'ra ganhar um extra e fazer um bico...
Vai o professor vender batom, e até fuxico...
A professora vai vender camisa, bijuteria...

O mercado bomba, e no fiado se fia...
Garante seus trocados, o professor Chico...
que trabalhar na educação é pagar mico...
Quem não se vira nos 30, ao SPC se filia...

O professor... que profissional versátil!
Vende, compra, ensina, barganha...
Tentando inchar seu salário contrátil...

Educação: coisa importante e estranha...
Tratada como troco pequeno, radinho portátil...
E o professor, nessa angústia tamanha..

observação: o fuxico a que me refiro é o artesanato, ok?

terça-feira, 22 de maio de 2012

Pela Educação!

É preciso virar o jogo, virar a mesa,
a página, o enredo, a trama, a história...
Devolver à escola seu brio, sua glória...
Restituir à educação sua grandeza...

Senhor Ministro, queira, por gentileza,
deletar a ideia da educação ser escória...
Aplicar dez por cento do PIB será jóia
para retirar da merenda a calabreza...

Trazer a escola ao século novo, é necessário...
Promover, com todo carinho, os docentes...
E pagar ao deputado o mesmo salário...

E o velho quadro negro, e a sala quente,
trocar por castelo lindo e bem contrário...
Cuidar da educação, assim simplesmente...

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Violência na escola

Bons tempos em que as escolas eram
sacros templos de respeito, sabedoria...
Atracam-se os alunos, hoje em dia,
com armas que os próprios pais lhes deram...

Os limites, as famílias não impuseram...
E recaem, sob a escola, à revelia...
Formar caráter, não seria serventia
dos que apenas inserção propuseram...

As gerações, na hombridade, não se superam...
Nenhuma tataravó nesse fiasco creria...
Os homens primitivos mais dóceis eram...

"Amanhã vai piar a cotovia"
No facebook os estudantes disseram...
E o professor, acuado, na sorte se fia...

sábado, 19 de maio de 2012

Valorizar o professor...A campanha continua

Criaturas extraordinárias, os professores
- quase todos, e muitos, e queridos...
Marcam nossas vidas, doces sorrisos...
Ensinam-nos perseverança, esses amores...

Seres oprimidos que oferecem flores...
Anjos alegres de bolsos falidos...
Almas cansadas, mas bons fluídos...
Sôfregos espíritos a ocultar suas dores...

É por amor que se decide professor...
Abraçar a educação, é por amor...
Por amor se casa com o professor...

O branco da paz, se professor fosse cor...
Explosão solar, se medissem seu calor...
A menina dos olhos, se eu, governador...

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Fazendo as contas de um professor

Analisemos as contas de um professor
-seu salário de mil, de dois, três mil reais,
tanto faz, que essa grana não satisfaz
as necessidades de um trabalhador...

Ele vai subtraindo desse salário-terror
-aluguel/financiamento, luz, água, gás,
tv a cabo não. Paga o armazém do Tomás
e o cartão e o carnê, do mês anterior

Ironia da vida...quem ensinou o doutor,
se envergonha do seu saldo bancário...
E não viaja de avião pra Salvador...

É o professor e seu vexatório honorário...
Cruze os braços então, querido educador,
só na greve conseguirás o teu implante dentário!

Ao mestre, com carinho...

O professor, este ser humano,
muito humano...

Um mestre, um aprendiz...

Mais que um transmissor, um transformador...

Mais que informador,
um formador, um formatador de sonhos...

Abre caminhos
onde só existiam muros...

Norteia trajetórias
onde os destinos vagavam obscuros...

Um amigo
que vai partir, mas vai marcar...

Que vai seguir
mas vai estar...

Um companheiro revestido de fé imortal,
que não nos deixa de mãos vazias...


Companheiro que não nos deixa,
nem no início, nem no final...

Esse amigo que professa...
progresso    paz    esperança   
temperança

O professor, conhecedor das coisas da razão,
mas principalmente e tão profundamente,
sabedor das coisas que habitam o coração...

Campanha de valorização do professor

São empréstimos agressivos e essenciais...
Ao final do mês, são moedas contadas...
Ao final da vida, são moedas poupadas...
Sempre adiados, os seus projetos pessoais...



Suas contas na corda bamba, e as cordas vocais...
Seu milagre de amor, em escolas desamadas...
Seu delírio de esperança, em famílias alquebradas...
Seu  piso  injustiçado,   de   1.452   reais...


Singelos sonhos de consumo: dignidade,
uma casa, um carro, saúde privada...
O nome limpo...E gratidão da sociedade...


Sua missão honrosa, e tão mal barganhada...
Consignações lhe seguirão afora eternidade...
E vá chorando, professor...sua luz está cortada!

terça-feira, 15 de maio de 2012

Educação em greve

Não dar valor...que erro mais grave!
Uma dívida secular com professores...
Condições e salários desmotivadores...
Um Brasil renegado... restou a greve!

O PIB não foi aplicado, isso se deve,
ao desprezo a quem forma os doutores...
Escolas de jardins de murchas flores...
Invisíveis projetos em tinta cor de neve...

Sem tecnologias, nossas salas lotadas...
d'onde sai a matemática não aprendida...
"Nóis veve" de esperanças abortadas...

Sem sutura, e aberta essa ferida...
A frustração : a coisa pública pilhada
A miséria : a coisa pública estorquida

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Ao estudante

Estudai, estudantada, estudai!
Há um rolo compressor que esmaga
quem não se dá em sacrifício nessa saga...
Marcha a China, estudante, batalhai!

O mercado é um dragão(não cansai!)
Vá na raça garantir a sua paga...
Vai que a tarde caia e a noite traga
a conta da artrite (lutai, lutai!)

É preciso esperança, matéria viva...
Esperança com dia e hora marcada...
Madrugadora esperança rediviva...

Animai, dançai com garra a toada...
Perseverai no sonho 'té carne viva...
Crê no galardão de tu' entifada...

Soneto (sem rima) sobre a reclamação

É incrível que pessoas, que nem eu,
lamuriam, lamentam sem parar...
É a pasta de dente que não fecha...
É o botão da rosa que não abre...

O dia é muito claro, e a noite, sem luz...
A chuva encharca, e o sol, não molha...
Meu Deus, como gritam os papagaios!
O mundo, e seu defeito de fabricação...

E não percebemos que a vida é rara,
e cara também, mas que privilégio...
Estar aqui e saborear as goiabas...

Bem verdade, nem tudo são flores...
Mas, o que não flores: folhas...
Barco tocando...na gratidão

Pra melhorar o humor

Mal humor? Ninguém merece!
Serotonina nele, dá-lhe feijão!
Leve tudo assim tão a serio não...
Cantar, dançar, bye bye estresse!

Tomar sol, olhar lua, coração aquece...
"Super tiras", "Trovão Tropical": diversão...
Bicho e criança detonam a sensação...
De que tudo cansa, tudo envelhece

Viajar, pular, nadar, beijar...
milagres da endorfina estimuladora!
Amigos existem pra nos escutar...

Um hobbie ameniza a feição sofredora...
Dormir bem, trabalhar...E pernas pro ar,
dando "xô" pra essa onda opressora!

domingo, 13 de maio de 2012

Quem dera...

Pudera se todos os dias
fossem dia das mãezinhas...
Daríamos as nossas mãezinhas,
consideração, todos os dias...

Beijaríamos, nas manhãzinhas,
nossas batalhadoras Marias...
Ao útero morninho das Marias,
seríamos gratos, nas manhãzinhas...

Dia das mães, dia sagrado...
Destilar amor à mãezinha de mel...
Nesse dia tem carinho dobrado

Minha consciência tem pesado,
por ter ligado pouco, docinho de mel...
Mas hoje tem carinho dobrado!

sábado, 12 de maio de 2012

Homenagem a mãe que entrega o filho à polícia


As vezes se lê nos jornais:
"mãe entrega filho a polícia"
Mulher de ética é milícia,
educa os filhos nos tribunais...


Encobrir crimes é estultícia
Não deletá-los, erros fatais...
Chafurda a sociedade em lamaçais 
por causa do excesso de carícia...


Carícia na cabeça de quem atropela
Beijo no cabelo de quem estupra
Abraço no corpo de quem escalpela


Quem superprotege, a si mesmo se usurpa...
Quem não faz justiça, é refém dela...
Da árvore doente, sai podre a fruta...

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Soneto floral para mães

Mãe, flor da laranjeira delicada...
Não é rosa de Hiroshima belicosa...
É mulher da força da babosa...
Mãe da face da rosa rosada...

A flor da abóbora é apetitosa...
A menina da flor no cabelo, amada...
Mãe é sempre-viva e animada,
vitória-régia que rege poderosa...

Ó mãe, meu poema é tão pobre,
não traduz teu hálito de hortelã,
tua fragância singela e nobre...

Perfuma o cravo a manhã...
Jardins rescendem, e a mãe nos cobre
de fresco cheiro do rosto na maçã...

Verdadeiramente mãe...


Mãe,
estrela guia


 
Farol que vigia
na noite e no dia


Mãe, madona, manancial...


que quando luta, luta bravamente
que quando canta, canta alegremente
que quando sonha, sonha livremente


Mãe que esquece de si, mas de você já se lembrou
que só de alimenta se você já se alimentou
que só dorme se você já chegou
que te doa mais do que ela ganhou


Mãe que acha que tudo vai bem
quando tudo vai mal


Mãe que transfigura sombras em cores
num quadro belo e irreal


Mãe de coragem,
que fala o que precisa ser dito,
que faz o que tem de ser feito


Mãe da força infindável,
mãe do amor que torna a vida suportável...


Melzinho

Mãe terna
eternamente linda
Olinda!

Doce senhora
bochecha rosada
de amora

Se fosse poema
a vida dela:
da Adélia

Se quadro fosse
sua alma multi matiz:
Matisse

Sinfonia viva
-Vivaldi

Ninfa do céu
sorriso-sol
olhar-mel

Mulher cheirosa
manhã clara
fonte generosa

 Amor feito flor:
amor-perfeito
perfeito amor...

Poema animal para mães

Eis o dia das mamãezinhas!
Mata-nos de saudades as ausentes...
Criva-nos de beijos as presentes...
São tão meigas as cabritinhas...

Pássaros que trabalham contentes
pondo comida nas boquinhas...
Doces trinos nas manhãzinhas
embora muito cedo e estridentes...

Moldura grande os pequeninos
Confere coragem aos fracotes
Vê beleza nos mais franzinos...

Mamam gostoso os filhotes
seivas que os fazem fortinhos...
Mães brilham sem holofotes!

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Dia das mães

Agradecer a mãe...

Que preparou, com amor, o teu mingau
Que sentiu perfume na tua fralda borrada
Que se cuidou pra ver sua empreitada
Que ela, doce, e o mundo, sal

Ser grato a mãe...

Que lhe deu de sua renda economizada
Que lhe deu a mão no lamaçal
Que lhe mostrou a beleza do trigal
Que o mundo bom, e ela, palmada

Eternamente grato a mãe...

Que, na formatura, mareja os olhos...
Que embala o mundo, avisa, pressente...
Que fecha feridas com seus óleos...

Ternamente grato a mãe...

Que proteje o filho (unha e dente)
Que enche de conselhos seus miolos...
Que sente, só ela, o que ela sente...

Incoerência

Da mesma boca que profere a bênção
e a maldição
Da mão direita que afaga, e a esquerda
se esquiva
Do navio que ostenta luxo, estando
a deriva
Do amor que gosta na saúde e na doença
não...


No passo que se apressa, ante o falido
irmão
Na cabeça inteligente, mas petulante
crista
No cérebro racional, mas de ornamento
crina
No olhar que se desvia, ante um Brasil,
um Gabão...


Incoerência mor, a maldade...
Retirar todo o peixe do mar...
Acrescentar raios à tempestade...


Para o rico, transtorno bipolar
Para o pobre, inescrupulosidade...
Tudo frieza de ártico polar

Apaixonada por sonetos

Peças perfeitamente encaixáveis:
sonetos mágicos, de fácil montagem...
Comportam a vaca, o vírus, a vagem...
Lúdicos signos, invólucros musicáveis...


Guardo as mágoas em vedada garagem
Melhor brincar com as rimas improváveis
Despertar sensações mais agradáveis
que a notícia da triste estiagem...


Plantas crescem se fluem suas seivas...
Reinventam-se os sonetos, e nos encantam...
como, de Araxá, doces das ameixas...


Colhem apenas os que plantam...
Pintou dúvida: gueixas ou madeixas?
Esquemas de sons que nos espantam!

domingo, 6 de maio de 2012

Espero resposta

Os esplêndidos alfajores,
se dissolvem ao céu da boca...
Meu blog, árvore oca,
entregue aos roedores...

Ausentes comentários de força...
Não me seguem os seguidores...
Dão-te meus dizeres, flores
Dá-me teu silêncio, forca

E ninguém ainda conta se deu:
o desprestígio vai me arrefecendo...
E a inspiração de mim escorreu

Será que a pena está valendo?
Meu poema tua piedade acolheu?
A poesia vem lhe surpreendendo?