sábado, 30 de junho de 2012

De Jesus emana luz de harmonia. Essa luz reluz em Marias


Mulher:  

fonte de todas as fontes,

que destila transcendência e mistério,

que desfila graça, que desafia na força

Mulher tecida de espírito do bem etéreo...




Uniste a paz celestial à labuta real

Mulher dos mesmos direitos, dos mesmos deveres

e da felicidade igual...




Mulher

poderosa, de tão conhecedora

Segura, de tão pressentida

Piedosa, de tão provedora

 

 

Menina fina-flor, ternura pura
 
  (alma rara)
 
Barco que desliza em água calma
 
(e a lua clara)




Mulher

que pinta e borda, que fia e confia

em lindos dias, mais leves, mais livres...



 
 
Mulher que em tempos de guerra 


vem em missão de paz:

-em tuas mãos, a Nova Era!


 
Corações resplandescedores de amores... 

Sois vós, as Marias de todos os nomes!

quinta-feira, 28 de junho de 2012

6,5 bilhões de irmãos

Quem é meu irmão?

Um ser carente ou independente
inibido ou destemido
 emocional ou racional 
diferente ou igual

Meu irmão tem sede
e as vezes, me serve de oásis...

Meu irmão é este ou aquele
é assim ou assado
mas é meu irmão 

É como eu meu irmão:
apenas um ser humano
no estágio primário da evolução

Ao meu irmão, minha mão,
meu perdão...

pois o erro teu
tantas vezes 
é tal o meu

domingo, 24 de junho de 2012

Amor versus paixão -número dois


O amor coroa, a paixão crucifica

O amor dá de si, a paixão toma para si

Amor indivisível, imensurável
Riacho que escoa vagarosamente...

Paixão, caminho duro, íngrime
Torrente que avança violentamente...

Do amor, futuro com esperanças
Da paixão, passado com lembranças

Um é real, o outro, surreal
Este é elevação, aquele, submissão

Amor é mãe bondosa
Paixão é madrasta raivosa

Cruz ou espada
Alma encantada ou inflamada
Êxtase ou insanidade
Inteiro ou metade

Meio dia no crepúsculo ou o crepúsculo ao meio dia

Canção livre ou pássaro na gaiola

Tempos abundantes ou mãos mendigantes

Amor suficiente, paixão dependente

Ao amor, pois.

Corda bamba

Vai a nave
Voa a ave
Escoa a vida

O destino está por um fio fino

O futuro está em cima do muro

Tudo tão frágil e fulgaz
como rastro de cometa:
nosso corpo
nossa casa
nossa cidade
nosso planeta

Não leve severidade consigo
-que deste mundo ninguém sai vivo

Siga atentamente:
as melhores e as piores coisas acontecem rapidamente

A única segurança é a insegurança

Tudo na vida balança

Confie só na mudança

O amigo e a amiga -número dois

Sol
para as joias do atol
Candura
para a jornada dura
Para a noite escura,
lua

Vem, amigo,
minh'alma dorida te clama
Contigo, gozo. Comigo, drama
Quem ama...

traz o dom de amparar
O peso da cruz de Jesus
amigo é quem foi aliviar
Comigo, calvário
Contigo, o bom tom de consolar

Ai, mundo frio!
De feias vaidades
Cidades perversas...
As pessoas perplexas
já nem estão mais...

Dê-me vigor, viço,
amigo, amiga
Caminhar juntos ameniza
os ardis, as ojerizas

É de Deus a união das almas
Do céu desce graça e calma
Evapora ao léu as incertezas
O amigo, a amiga:
veraz fortaleza

Teu cajado, teu bordão
é estrela que guia
Paz frui do teu coração,
que jorra água da mais cristalina...

ofereço este poeminha para Adriana Paes

Matar o dragão

 Há em nós um fantasma real
(ou seria fictício?)
Ele detona nossos sonhos
e acha que tudo é difícil
Só vence quem desmantela
seu plano sub-reptício 

Amor versus paixão

Sentimento dual: amor e paixão,
em duelo eternal...

Amor é paz infernal
Paixão é guerra celestial

Remédio que mata -a paixão
Veneno que trata -o amor

Fogo e ar
Terra e mar

Mel e fel
A sorte e/ou a morte

Mágico cristal
e trágico punhal

Sentimentos desatinados,
que desperta em nós um Deus e um diabo...

Quente ou frio
Mutante como maré de rio,
nos faz viajar em mar sem navio...

Amor que nos faz crer no impalpável...

Paixão, coisa mesma,
que nos faz provar do improvável...

Paixão, amor...
é tudo despedaçador 

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Passarinhos que não passarão

Fabulosas matas por onde flautas soam...
Arrebatamento, adoração, encanto...
Arpeja a araponga seu canto estridente
Gorjeia o surucuá o seu singelo canto  


E o belo da vida se faz em ecos...
Bela manhã acordada pelo bem-te-vi
Ainda mais bela com a meiguice do tico-tico
e os poderes mágicos do pássaro saci  


O tucano-de-bico-verde abre a ferraria,
com sua colorida plumagem, bate bigorna e ferro
Coro ensurdecedor da cigarra, do arapaçu
E mais o grito metálico do trinca-ferro  


E tudo é melodia ao curso do sol...
Sinfonia de sabiá-coleira e inhambu-guaçu:
perfeita escala de tons ascendentes
Tão suave é a música do uru...  


Cai a tarde, despede-se o melancólico jaó
Curiangos rasgam a silêncio da escuridão
Já sinto saudades do aracuã, do tipió,
e da orquestra dos passarinhos que não  passarão...

Morfina na veia

A poesia
salva nossa cidade,
liberta nossas almas
da atroz realidade...

O poeta viaja na busca 
de recantos sossegados,
belezas escusas
aos nossos olhos cansados...

A poesia traz nova era,
apaga a cena da guerra,
inunda de amor
seres doentes de rancor...

O universo frio
se inverte
no vértice do verso

Poemar paixonada 
em soneto de amor
alivia minha dor...

Palavra, meu mel,
pudera fosse a vida 
uma rima de cordel...

in natura

Da singeleza
vem a beleza

Vem mais delicadeza
nos seres de menos vaidade

Nenhum artifício remenda 
uma meia verdade

O meio ambiente em poemas tristes

Alecrins lindos
nos livros

Alecrins cheirosos
na lembrança

Alecrins dourados
na canção

Alecrins sem corpo e sem rosto
na imaginação

Os alecrins
-que ninguém conhece mais

..........................................................................................................................................................

Existe um todo
que aos poucos vamos desfazendo

Existe uma vaidade
que até sombra vai consumindo

Existe uma água venenosa
uma erva radiativa
uma mata silenciosa

Existe uma ideia louca de achar que o fim
é melhor que o começo
...........................................................................................................................................................

O mar é azul
-mais azul

O bosque é verde
-mais verde

Águas mais cristalinas,
cervos mais saltitantes,
coelhinhos mais felpudos,
ipês mais floridos...

na ausência dos humanóides
com seus ácidos e alcalóides

Depois de assistir ao jornal

Guerra é guerra
soldado é soldado
ambição é ambição

E nem a lágrima maternal 
e nem a rosa matinal
      comovem o general

Quebrando os Rolex

O que mede a vida não é o tempo  




O que vai valer de nossa jornada
 
é o quanto nos deleitamos

com as pessoas, com as emoções,

 
o quanto nos degustamos

das coisas, dos lugares... 




Porque vida igual a essa,

com essas mesmas pessoas e essas emoções

com essas mesmas coisas e lugares


                                                                 é só essa

domingo, 17 de junho de 2012

Solidão, ninguém merece!

Vá, mas não me leve.
Deixe-me experimentar caminhos...

Seguiremos por trilhas diferentes.
E ar, cada um respira o seu...

Os pés seus não são meus.
Capenga, mas 'inda vale meu cajado...

Minhas provisões são improvisadas.
Minhas decisões são imprevisíveis...

                                           
                                                                           Vá, mas me espere!
                                                                           É miserável caminhar sozinho...

  

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Condoimento

Viver é arte
sofrer faz parte

Saber viver
é saber sofrer

Sofra vivendo
mas não viva sofrendo

Não espere a dor passar
isso pode demorar

É impossível ser humano
sem sofrer

É preferível sofrer
a não viver

Se há sofrimento,
ainda existe vida

Tanto ai que me corroi...
mas a dor que mais me doi
é ver a vida  que parou de doer...

segunda-feira, 11 de junho de 2012

POEMAS SOBRE ESTUDANTES

Ao estudante, com carinho...



Quem são os estudantes?

Um bando de pássaros que voa alto,
bem alto...

Não são simplesmente alunos,
são jovens que escrevem a história...

Estudantes que não esperam o tempo,
que fazem a hora...

Exército que luta bravamente,
pela paz...

Combatentes no lmpeachment,
nas CPI’s,
nos apagões,
em todas as revoluções...

Guerreiros nas batalhas do longo dia...
Estudantes cheios de paixões!

Caminhos, destinos, glórias...
Rupturas, atitudes...
Vidas que avançam, vitórias!

Heróis da resistência
e da persistência...

És tu, estudante:
o desconstrutor da fome
do planeta deserto
do solo infecundo
do futuro incerto...

Estudante, és tu:
a encarnação da esperança!

POEMAS PARA PROFESSORES

Ao mestre, com carinho  -número dois



Ó ser excelso, sábio  e  benevolente,
que destinos ilumina e joias lapida...
Árdua é a luta, mas linda é tua lida...
O amor que doas te volta de presente...

Sabes do céu,   da terra,   da gente,
ó lume em ser, que a vida descodifica...
Esplêndido o mundo, e mais incrível fica
com tua áurea gentil e tua voz ardente...

Seja teu tempo, o dos carvalhos seculares...
Seja tua bondade, uma escada ascendente...
Fartas as bênçãos, caudalosas em mares...

São doces os frutos, se boa é a semente...
Marcaram teus passos  tantos lugares...
Guiai-nos teu brilho, ó estrela candente!

Ofereço este soneto para a professora Mary Cruz,
e assim, termino esta coleção de poemas sobre professores e Educação,
espero que tenham gostado...

Início de ano letivo

Início das aulas,  guri chegando,  maior euforia...
Vai contente, cabelo cortado, caderno novinho...
De amigos novos, fica esperando, empolgadinho...
Aulas bacanas, e algo mais,  que o encantaria...

Mas,  logo logo,  a lua de mel  acabaria...
No quadro negro, escrevendo, ouvindo, dá soninho...
Ele pegou celular, e na surdina, brincou de joguinho...
Sem laboratório,  de  novo  nada  experimentaria...

O pedagógico de uma escola  é  o  coração...
Sem recursos, escola é praça de bate papo...
E o professor, levando a turma na empolgação...

O  governo  não  ama  as  escolas,  de fato...
Confirma a galera desconcentrada no fundão...
Tudo  tão  vago,  sem  foco,  e  tão  chato...

terça-feira, 5 de junho de 2012

O professor, a professora

Ele, possuidor de quarenta clientes por segundo...
Ela,  encarnadora  do  papel  de  psicóloga,
e   educadora,  conselheira,  podóloga...
Tanta força e saber desse ser oriundo...

Aos mestres herois, nosso respeito profundo!
A Tereza Germane é professora, bióloga...
Trabalha com infratores, e é mãezóloga...
'inda faz bolo de castanha e alegra o mundo!

Assim é a professora, o professor:
uma  multiplicidade  de  papeis
numa sociedade carente de amor...

Mestre, seus desafios são tão cruéis...
Mas o soneto singelo lhe oferece flor...
E mais flores, um dia, brotarão de cordéis...

Merenda escolar

O que já se sabe -vem denunciar o poema
E o que já se acostumou paladar, olfato
Epidemia  de  diabetes,  visível  fato...
Cardiopatia precoce, coletivo problema...

A  linguiça  ganha  óleo,  perde  trema...
Gordura saturada, pedra no rim e sapato...
Rolou  um  tucupi,  fugiu  o  pato...
Serviram charque, pediram eparema...

Pandemia de obesidade, esse festival :
caloria  vazia  de  nutriente
nadando no óleo, açúcar, sal...

A sala de jaula, assim de gente doente...
Passou longe a frutinha, a farinha integral...
Nosso apelo à autoridade, (in)competente...

O professor recém formado

Merece nossa simpatia, força, incentivo,
essa criatura que, saindo da faculdade,
sonha douradamente com a possibilidade
de salvar o mundo com sua espada (livro)...

E  quer   fazer  do  verbo   passivo,  ativo...
A intransitividade do verbo, dar transitividade...
Todo gás, toda garra, mas  na  suavidade...
fazer  do  oprimido  ser,  lindo  e  altivo!

Mas quando com real combate, se depara,
paralisa-se  ante  a  depreciativa  cena:
banheiros  sujos  e  água  limpa,  rara...

Parcos recursos didáticos, que pena...
tanto p'ra esse momento se preparara...
E se arrepende, ante sua paga pequena...