segunda-feira, 18 de junho de 2012

Passarinhos que não passarão

Fabulosas matas por onde flautas soam...
Arrebatamento, adoração, encanto...
Arpeja a araponga seu canto estridente
Gorjeia o surucuá o seu singelo canto  


E o belo da vida se faz em ecos...
Bela manhã acordada pelo bem-te-vi
Ainda mais bela com a meiguice do tico-tico
e os poderes mágicos do pássaro saci  


O tucano-de-bico-verde abre a ferraria,
com sua colorida plumagem, bate bigorna e ferro
Coro ensurdecedor da cigarra, do arapaçu
E mais o grito metálico do trinca-ferro  


E tudo é melodia ao curso do sol...
Sinfonia de sabiá-coleira e inhambu-guaçu:
perfeita escala de tons ascendentes
Tão suave é a música do uru...  


Cai a tarde, despede-se o melancólico jaó
Curiangos rasgam a silêncio da escuridão
Já sinto saudades do aracuã, do tipió,
e da orquestra dos passarinhos que não  passarão...