sábado, 27 de outubro de 2012

Um Feliz Natal!

Ao que chora, sem amigos...
Feliz Natal!

Ao que enlaça a mão em prece...
Feliz Natal!

Ao coração dilacerado...
Feliz Natal!

Ajoelha o que não crê...
Feliz Natal!

Compartilha o que tem pouco...
Feliz Natal!

Ao manso de coração...
Feliz Natal!

Ao grande mas humilde...
Feliz Natal!

Solidário à dor do irmão...
Feliz Natal!

Ao humilhado, mas bondoso...
Feliz Natal!

Ao que visita, na prisão...
Feliz Natal!

Desfalecendo, e 'inda grato...
Feliz Natal!

Faz do tempo, tempo de paz...
Feliz Natal!

Ao que espera na justiça do Pai...
Feliz Natal!

Ao que semeia o trigo do pão...
Feliz Natal!

Ao que aviva a chama do amor...
Feliz Natal!

Ao que...Jesus...gratidão...
Feliz Natal!

Se a cura, sua missão...
Feliz Natal!

Se a caridade, sua mão...
Feliz Natal!

Se não negas o perdão...
Um Feliz Natal!

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

A decoração de Natal de Tereza Germane

A casa de Tereza,
decorada lindamente...
A cada Natal,
'inda mais surpreendente...

Em cada cantinho
do lar de Tereza,
o Natal é magia,
é beleza...

Novembro à vista:
desencaixota ela
zilhões de enfeites,
co'a filha dela

Noéis e presépios
ela vai desembrulhando...
E são muitos e tantos,
se o leitor acreditando...

'té os pratos pintados,
com temas natalícios...
De tons dourados,
quase fictícios...

E tudo é Natal,
do teto ao chão...
E é Noite Feliz
no coração...

No pano de copa,
no porta-retrato...
O Natal presente,
de fato...

Capricho raro
pra esperar Jesus...
Ao longe se vê,
casa e luz!


quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Vitrines de Natal


O velho Natal de novo...
Nas vitrines, 
nos ciclos alegres, tristes da vida...
Natal do novo, do futuro, do presente...
E do velho passado que me arrasa por dentro!
Lá vem sinos, O Bom Velhinho,
e um Jesus novinho em folha...
As coroas de ramos, os pinhos,
as meias de feltro a aguardar pedidos...
As coisas da infância, lá vem,
e o tempo se cumprindo...
O olhar comprido
-as vitrines de Natal
e bolas, e presépios,
e sonhos de laços...
As famílias nos novos formatos,
e os sem-esperança, e os remediados,
e os miseráveis, e os vigorosos,
e todo vem:
no reflexo do vidro o ser deslumbrado!
Mais as árvores lindas,
e os brilhos que transpassam a alma...
E todos os tormentos da Terra
negligenciados nessa estrela,
nessa vela, nesse menino Jesus de gesso...
nesse show de guirlandas verdes,
douradas, vermelhas, azuis...
E tudo isso melhora o mundo
e espanta a crise das bolsas,
das carteiras, das malas...
Porque é Natal,  alegria,
chegaram cartóes musicais,
o CD com a Noite Feliz,
os anjos, as renas, os piscas...
Lá vem Jesus pobre,  aleluia,
nos doando sua riqueza infinita...
Em forros de mesa, em panos de prato,
em almofadas natalinas,
uma certeza:
o velho Natal conserta tudo, 
com seu amor,
o novo, o velho, sempre o mesmo amor,
aleluia... alegria...


Poder do Natal

Saudemos o Natal,
ele é ousado...

Brota a semente
em áridas terras,

arranca suspiros
de corações sórdidos...

Saudemos o Natal
e seu tempo-milagre:

a água na boca
de quem morre à míngua,

a palavra de consolo
na dor da perda...

É sede, é fome,
mas o Natal oportuniza:

erguer a mão
de quem no umbral submerge,

a prática do socorro
neste mundo baixo...

O Natal e a chance:

tirar melodias
de sidéreos espaços

Natal-lume

Natal, Natal

                     Terna luz
                     Raio de sol

nos conduz

                     Brilho no olhar

que traduz:

Paz, amor
                     
                     em Jesus

terça-feira, 23 de outubro de 2012

"Poema" (de Natal) que não foi pra frente

Saudemos o Natal,
e sua potentíssima mão de perdão...

Presentes para o Menino Jesus

Vieram os Magos
adorar Jesus...
Ficaram encantados
com sua luz...

Trouxeram presentes,
alguns caros...
Outros simbólicos,
menos raros...

O Rei do Universo,
gran' tesouro...
A realeza de Jesus,
no brilho d'ouro...

O incenso cheiroso,
pro Rei Cristino...
O Filho de Deus,
do poder divino...

E a mirra,
erva amargosa...
Anunciando a Jesus,
'strada pedregulhosa...

Para adorar o Rebento,
vieram do Oriente...
Os Magos, na verdade,
é que ganharam o presente...

O perdão do Pai,
que Cristo ofertou,
à custa de cruz...
Maria chorou

Motivos para gostar do Natal

Tem criança que sorri
só no dia de Natal

Tem mão que se abre
só no dia de Natal

Tem mendigo que ganha roupa 
só no dia de Natal

Tem velhinho que ganha visita
Tem família que se reúne
Tem joelho que se dobra
Tem cidade que se acalma
Tem Deus que recebe prece

só no dia de Natal...

domingo, 21 de outubro de 2012

Os sinos no Natal

O bebê na manjedoura,
é esperança vindoura,
é sol da justiça duradoura,
é estrela boa que guia...
Nas igrejas, nas noites de Natal,
os sinos lindos de metal,
lembram a chegada especial...
E se dobram, co' alegria...

A vela de Natal

A vela de Natal 
é estrela, não é vela...

Reaviva a fé
quem acende ela...

A prece é mais santa
sob a chama dela...

A "Luz do Mundo"
em sua luz amarela...

Alegria e paz 
emanam ela...

Nas casas e igrejas,
a espantar as trevas...

As lâmpadas coloridas
são pequenas velas...


sábado, 20 de outubro de 2012

As bolas de Natal

Bolinhas lindas,
delicadas, coloridas...

Representam os frutos
da árvore viva...

que é Jesus,
e seu exemplo de vida...

Simbolizam as bolas,
esperança rediviva...

AquEle que se doou,
em carne viva...

Bons frutos, boas ações,
são as bolas coloridas...

Poema sobre o Cartão de Natal -número três

Cartão de Natal, que magia...
Tira amargor, põe doçura...
Mensageiro de candura
que um inglês perpetuaria...

Henry Cole quem criaria
o cartão, que configura
alegria que perdura
até hoje em dia...

O Inglês, que não tinha tempo,
pra escrever cartas colossais,
desenhou, no papel, o Rebento...

E adicionou frases especiais,
que lembram o grande nascimento...
Em mimosos postais


poema sobre o Cartão de Natal -número dois

À espera no portão,
do significante cartão...

Da mão de carteiros apressados,
vinham anjos delicados...

As palavras escolhidas,
de pessoas mui queridas...

O desenho era europeu,
mas ninguém conta se deu...

O dos Correios, de valor moderado,
recebido de bom grado...

Que saudades do enlevo
das estrelas em auto-relevo...

Emanava o papel amor...
Inspirado no Redentor

Aquele mimo era mesmo especial...
Hoje é só virtual


sexta-feira, 19 de outubro de 2012

poema sobre Cartão de Natal - número um

A árvore de Natal
da minha mãe adorada,
de um jeito especial
era decorada: 

Minha mãe prendia,
(na paciência que só dela)
os cartões recebidos,
na árvore singela...

Depois ela os guardava,
com carinho,
em caixa de veludo
cor de vinho

Na caixa de tesouros,
os cartões divinos...
Com nobres palavras 
em traços finos...

Manejo essas joias
de vez em quando...
É tanta saudade
me revisitando...

Lembranças boas
dos tempos idos...
Com letra e cheiro
dos entes queridos...

Hoje os recebo,
mas são descartáveis,
esses cartões virtuais,
deletáveis...

poema pobre sobre o Natal -número dois

O Natal é mais...
que os belos castiçais
das Catedrais

O Natal vai alem...
do vai e vem

O Natal, mais significante...
que o espumante
E o consumo ofegante

O Natal, produz...
mais que explosão 
de luz...

O Natal reluz...
amor, Jesus

O Natal,
efusão de perdão...

Uma mão contumaz...
de paz!

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

poema pobre sobre o Natal -número um

O Natal...
preenche o que se perdeu

O Natal...
exalta o plebeu

O Natal...
é luz no breu

O Natal...
sacode o ateu

O Natal...
Jesus nasceu!

Confraternização de final de ano

Tentando ser inédito,
o poema vem dar crédito
às festas confraternais
-em especial, as institucionais

Com carinho planejadas,
podem ser bem legais...
Dependem, se as pessoas,
não temperamentais...

Não se limitem todos
à sensação visual,
só pra fazer bonito
na rede social...

Que venha o jantar,
num aroma tentador...
Junto de canções
de paz e de amor...

Presente de amigo invisível,
em valor compatível...
Com afeto ofertado,
em laço dourado...

Mas, presente maior:
união, gratidão,
com abraço...
sem ambição

E damas e cavalheiros,
a se conter...
Leve flui a noite,
se ninguém se exceder...

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

O que fazer com o décimo-terceiro salário?

Fazer o que, com o décimo-terceiro?
Juazeiro, ou Rio de Fevereiro?

Com o décimo de professora,
eu viajo em meu bairro inteiro...

Pagar as contas de Janeiro?
Uma camisa do Cruzeiro?

Torrar no joalheiro, cabelereiro?

Entre o aroma almiscareiro
e a hidro* do banheiro...

Tanto desejo maneiro...
Precisaria do décimo-quinto do deputeiro...

*banheira de hidromassagem

O Natal é belo

Se sob a manjedoura, adoração...

Se as palavras proferidas, esperanças são...

Se cada mágoa íntima, com seu perdão...

Se aos pais, os filhos: amor, gratidão... 

Se os sinos dobram, e joelhos ao chão...

Se libera bondade, a nossa mão...

Se paz no mundo, co'a bela canção...

Se as flores regadas, pisoteadas não!


terça-feira, 16 de outubro de 2012

O Natal é dual

Dual, o Natal...
Pra uns, banal
Pra outros, especial...

Noite diferente...ou igual

à base do trivial
     ou bacalhau

do insocial
ou cordial

Pode ser carnaval
ou cerimonial

carnal/espiritual
emocional/material,

o Natal:

Nada sobrenatural
-ou coisa transubstancial...

Cada um no seu quadrado (astral)

Cada um com seu natal

Detalhes do presépio

O menino de ouro, no berço de palha...

A mãe Maria, e seu leite docinho...

O semblante orgulhoso, do pai José...

Despojamento de soberba, dos reis Magos...

Que olhares cândidos, os dos bichos...

Quão esplêndida luz, da estrela que guia...

Mareja nossos olhos e paz transborda...

esse nenê, portador de esperança...

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Natal pleno

Curtir o Natal, as incríveis decorações...
-meditando nas santas orações

Usufruir o Natal, as ceias maravilhosas...
-praticando as ações bondosas

Comprar no Natal, o celular de última geração...
-mas repartindo o pão

O Natal, sem culpa, no look novinho...
-mas partilhando o vinho

Divertir-se no Natal, na noite longa, animada...
-com presente pra criança abandonada

Aproveitar o Natal, as lindas luzes também...
-lançando o olhar além...

Preparando para o Natal

Se podeis, abras tua mão...

Não vale a canção, se não canteis...


Mudeis. Ou Natal, ilusão...


Reflexão: Jesus é bom, transbordeis...


Sê paz e família, irmão...


Tão doce a fruta, cultiveis...


Direis às estrelas então:


"tão bela a noite, guieis..."



Poema diferente para esperar o Natal

Espera ansiosa: noite-magia...

Alegria advinda: tempo-esperança...


Dança das luzes: milagre-amor...


Humor oscilante: família-saudade...


Verdade revelada: Natal-redenção...


Tradição de paz: Jesus-humildade...


Fraternidade em berço: palha-singeleza...


Beleza-transcedência: presépio de anjos!

O verdadeiro Natal

Está no pão quentinho ofertado...

Está no abraço aliviador de perdão...

E no "eu te amo" desengasgado...

Na prece o Natal, no aperto de mão...

Natais estão, e sempre estarão,

na esperança do desenganado...

De Jesus Natais, sempre brilharáo,

para tecer o homem melhorado...

domingo, 14 de outubro de 2012

POEMAS SOBRE PÁSSAROS E AVES EM EXTINÇÃO

Albatroz-de-nariz-amarelo


Albatroz voraz, veloz...
O poeta, seu porta-voz,
ó obra-prima no meio de nós...
Ferido, o albatroz...
(o espinheleiro algoz)
A pintura celeste -albatroz-
emaranhado em nossa mão atroz...
Uma corda de muitos nós!

cara-pintada

Pequenino verde oliva,
de distribuição geográfica restrita...
Antes que o incêndio a extinga,
ave linda e amiga,
que o poeta persista e a persiga...
Nas suas terras cultivadas,
nas suas matas leiloadas...
Ó doçuras meramente imaginadas!

sabiazinha

Na Mata Atlântica, pode ter habitado...
Na clareira da mata, nidificado...
Poderia ter sido avistado
antes de termos loteado
o belo bosque sombreado...
O macho, do branco destacado,
ao crepúsculo, pode ter cantado...
Antes do concreto armado

rolinha-do-planalto

Pequena ave do cerrado,
no museu mumificado...
Jamais gravado, filmado...
Ente real ou ilusão?
Seu ovinho coletado...
Seu bioma ameaçado...
Agropastagem pra todo lado...
A pomba atônita, sem grão...


olho-de-fogo-rendado

Voa o bicho, desatinado...
Do alto, o verde chamuscado...
Aonde seu bosque sombreado?
Sem norte, o olho-rendado...
Sua floresta, em gado...
O verdume, em lote fracionado...
Procura, sem resultado,
onde fazer ninho, tão delicado...

choquinha-de-rabo-cintado

Em grupos, ou em casais,
sobrevivem as magistrais
choquinhas, que jamais
vistas, 'pós desmatamento
(e o assentamento)
Sem lar, sem fomento,
pena a ave, sem alimento...
E o poeta, sem argumento

choca-lisa-do-nordeste

Nordeste: sua localização
Artrópodos: sua alimentação
Seu sumiço: nossa lamentação
Pássaros indefesos são...
presas fáceis, na nossa mão
Sem Unidades de Conservação,
mais nossa especulação,
é mais um pro caixão!

formigueiro-de-cauda-ruiva

Desmatamento sem fim!
Gado e lenha, o estopim!
Sem floresta e jardim,
jaz o bicho, co'o benjoim...
O dia está ruim,
sem sua cauda carmim...
O bosque, sem cupim,
e o pássaro vencido, enfim...

jacamim-das-costas-verdes

O que será de ti, de mim,
sem o garboso jacamim?
Ele, sem semente e cupim,
eu, sem seu "carin"...
Por quanto, eu resistiria assim,
sem o negro cetim?
Porte de frango, "tadin",
 a panela é seu fim!

sábado, 13 de outubro de 2012

balança-rabo-canela

Que cor aquela,
do balança-rabo-canela?
Pouco se sabe dele, dela,
beija-flor sumido (me gela!)
Sem mata e tutela,
e néctar na goela,
míngua essa flor de lapela,
e a rima mela...

pinica-pau-miudinho

O pinica-pau-miudinho
é um pica-pau delicadinho...
O pequeno mocinho,
na internet, sem retratinho...
A vida em redemoinho,
seu bioma, em desalinho...
Seu voo, seu ninho?
Minguaram no torvelinho...

besourão-do-bico-grande

Pouco se sabe da história natural
desse táxon florestal...
A bromélia, amiga especial,
já o homem, arqui-rival...
Cantava, junto ao rio caudal,
ao beija-flor proximal...
Com o desmatamento colossal,
o fim da festa, no roseiral...

tico-tico do mato

Era da Amazônia, do Cerrado,
o pássaro amarelo e coroado,
solitário ou pareado...
É o que se sabe do amado
-o mundo, consigo, esplendorado!
No museu retratado,
jaz o tico vitimado:
o homem incivilizado...

albatroz-real

Alvo, de penas escuras no dorso,
vem o poema, em tremendo esforço,
tirar a ave do fundo do fosso
-salvemo-la dos espinheleiros!
Em status de ameaça avançado,
o bico possante rosado...
E o poeta, desesperado:
sem magia os mares brasileiros...

borboletinha-baiano

A condição do serzinho é tensa...
Vivia o bando n'alegria imensa,
na mata (éden) de beleza intensa,
e suspensa -cenário em alteração:
As aves doentes, sem remanescentes,
os lugares sem fauna, deprimentes,
os concretos ao invés das nascentes...
É poema e bicho, sem direção


Chorozinho-de-boné

É golpe baixo a construção de hotéis
à beira-mar, e de rodoanéis...
Vão-se os dedos, ficam os anéis,
e a saudade do ser indefenso...
Que já não espalha na mata a semente,
não mais cantarola festivamente...
Sua restinga é hoje, francamente,
ordinário grão no concreto infenso...

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

papa-taoca

Tranquila brincava no chão,
atrás das formigas de correição...
Quão alegre era a canção
do gracioso papa-taoca...
No "Centro de Endemismo Pernambucano,"
irremediável, o dano:
desmatamento, ano após ano...
Sobrou nem minhoca!

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

papo-branco

Registros parcos e pontuais:
as aves raras, nos taquarais...
Animadas, nunca mais,
vistas na mata fracionada...
A cada temporada,
encolhe a revoada...
É alegria que debanda,
da mata sem banda...

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

jacucaca

No Nordeste, nas Gerais,
próximo à costa de alguns locais,
nas águas cristais ou lamaçais,
cadê, e nos ipês bonitos,
as aves de avantajado porte?
Carnuda assim, beijou-lhe a morte
-no pescoço, o profundo corte
Esses caçadores malditos!

tiriba-grande

 'spetacular, 'splêndida  ave,
de nuance não tão suave,
em status de ameaça grave...
Formosura traficada,
prostrada em algum cativeiro...
Ó meu povo brasileiro,
de que vale o dinheiro,
se sem canto, a passarada?

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

foalheiro

Estranha a mata, sem o foalheiro...
E a lavoura, ao invés do poleiro...
E o silêncio, ao canto altaneiro...
A cana, o tráfico, a caça,
e a mata, em fragmentação,
a enxotar a ave sem chão...
Revoa o infeliz, sem direção,
asfixiando-se na fumaça...

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

sabiá-pimenta

De voz monossilábica "kuau",
ou no bissilábico "ju ú",
é caroço de angu
o sumiço do sabiazinho,
de verde oliva camuflado...
Foi seu palmito coletado,
seu litoral especulado,
mais o fogo e pinho... 

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

sanã-cinza

Prefere caminhar a voar...
E se ocultar a cantar...
Melhor se esquivar a se mostrar
nas marismas frequentemente pastadas...
Sem estuários, a sanã...
Sem encanto, a manhã...
Perdeu o rubro, a maçã...
E tudo é beleza revoada...

pequeno-tesourão

Pequeno tesourão,
em cruzeiro, um avião,
altíssimo foge, da violação,
da interferência humana...
Habitats deteriorados,
predadores esfomeados,
helicópteros deseducados,
e jaz a ave soberana...

mutum-do-sudeste

'Stava baixa a contagem,
quando uma bo'alma, em Contagem,
concedeu-lhe camaradagem:
salvação no cativeiro...
E o mutum, agora numeroso,
liberto de caçador cobiçoso,
e do incêndio criminoso,
vocaliza feliz no viveiro...

anumará

Triste amanhecerá...
Ou amanhã triste será
sem o reluzente anumará...
A penugem preto brilhante,
no verde dos canaviais,
no solo, nos capinzais,
nas florestas sub e tropicais...
o jaspe-negro galante

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

rabo-de-palha-de-bico-vermelho ou grazina

Animais atormentados, incomodados...
Seus ovos pisoteados, coletados...
Seus filhos consumidos, consumados...
Aves marinhas perseguidas:
cabras e gatos,
turistas e lagartos,
coelhos e ratos...
Grazinas escassas, cambalidas...

caminheiro-grande

Campos sulinos negligenciados...
Abrigam pássaros acuados,
seres fadigados, assustados...
Campos erodidos, fendidos,
desfigurados de agricultura,
de queimadas sem lisura,
pelas partilhas com usura
-campos de pássaros feridos

maria-catarinense

Nos adensamentos das palmeiras,
em bordas de matas e capoeiras,
voavam espertas, ligeiras,
as aves de tons pasteis...
Mas a saga do desmatamento,
e o demográfico crescimento
do turista barulhento...
e os dias incertos,  crueis

chororó-de-goiás

As hidrelétricas chegarão
engolindo tudo, e levarão
chororós e outros, à extinção...
A floresta, que  sombrio lago...
Choremos pelo passarinho,
seu ninho, seu filhotinho,
nas águas em redemoinho...
Mágoas desse lago, trago...

araçari-do-pescoço-vermelho

O tucano voou, voou...
Seu fruto não vingou, 
seu insetinho queimou...
É só clareira no norte do Pará!
O "Centro Endemismo Belém"
no projeto de pecuária vem
tocar as aves pra'lém...
do horizonte grená 

jacu-de-alagoas

Vão jacus, tucanos, papagaios,
"sublimando" dos ramos, dos galhos...
Que caiam sobre mim, os raios,
se a humanidade, não  '  torta:
a caça de lazer da molecada,
a farra ante a mata chamuscada...
Tristíssima a vida fadada...
à Marte que a Terra reporta !

Jacutinga

Dos pássaros, seus exterminadores:
palmiteiros, índios, caçadores...
E grileiros, e colecionadores...
O impiedoso bicho homem
Que vende as  matas, c'os animais...
Joga metais (mananciais)
Ações egoístas, irracionais,
do impiedoso lobisomem!