terça-feira, 31 de dezembro de 2013

POEMAS PRA VIRADA DE ANO

Corrida de São Silvestre


Brasil louvando Quênia
Seria Etiópia, tanto faz...
É o instante uno:
irmandade, paz...

Chuva de alegria,
oásis bonito...
No saara Brasil,
do povo aflito

São cores, castas
diversificadas...
São aves voando
confraternadas

Manada de amigos
gritando idealismo...
Saúde, união,
utópico humanismo...

Milhares vencem
essa disparada...
Trotando juntas,
gazelas aprumadas...

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

O que eu queria pra 2014

Trânsito transitável,
cidade habitável

Canto de pássaro na janela...
Mais singela

a vida,
menos ostensiva...

(o que eu queria pra 2014)

Sob ótica da ética,
a política...

O egoísmo
fazendo turismo

em rabo de cometa,
pro'utro planeta...

(o que eu queria pra 2014)

Menos luxo,
e mais preservação...

Menos lixo,
e mais florescerão

as rosas não atômicas,
alvas ou não...

(pra 2014 o que eu queria)

Cristãos comendo
no mesmo prato...

As raças humanas 
de fino trato...

Eu apenas queria
uma água sem rato

(pra 2014...)

Cavalos soltos
nas colinas...

Água reutilizada
nas latrinas...

África protegendo
suas meninas,

É isso o que eu queria 
pro ano que se inicia

Perspectivas para 2014

Crise onde?
Em todo lugar

Onde crase?
Ninguém sabe

Haverá poesia?
A minha voou

Haverá paz!
Sonhar permitido...

Um mago previu
um Novo Tempo...

Mas não disse 
se de frio ou calor

Os búzios jogaram,
deu copa do mundo

Brasil ganhará
mas perderá o povo

na Copa do Tatu
quase extinto...

É beber vinho tinto
e esperar outro ano...

pois 2014 já torrou
nossa grana

Já estourou cartão
e empréstimo...

O ano nem virou
e o brasileiro chafurda

na lama dos políticos
que padecem na Papuda

Ano Novo

Ano novo,
velhas mazelas...

Novo o ano?
Se as mesmas lutas...

Ano velho,
de novo calendário...

Novo ou velho,
se iguais os dias...

Virada de ano,
tempo que voa...

Virou o calendário,
e as promessas...

Alguma esperança,
nosso sustento...

Nos números aleatórios,
a vida que segue...

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Retrospectiva 2013

A seca que murchou,
a chuva que afogou...

A inveja que assaltou,
a amizade que amparou...

Venezuela se enlutou
ou será que festejou?

A Síria verteu sangue:
o mundo todo chorou

O brasileiro se manifestou
e com vinte centavos se calou

Mas por que se calou?
Porque o vândalo depredou

E Mandela nos inspirou
(quem disse que nos deixou?)

A Boate Kiss...
Esperanças incinerou

A Copa 2014...
Hospitais desequipou,

e a merenda escolar consumiu,
essa Copa que nos faliu...

A marolinha de Lula,
em Dilma tsunamizou...

A propaganda disfarçou
que a economia naufragou...

Bento desanimou,
e a toalha jogou...

Francisco, quem diria, 
argentino, nos cativou...

O que Bieber fez,
não me interessou...

Mas o Doutor na Papuda
nos vivificou...

E mais: furacão, meteoros...
É, 2013 aprontou

Homenagem

Augusto Ruschi  (ambientalista)


Os olhos para apreciar as orquídeas...

Os passos para salvar a nós mesmos...

Os braços para apoiar os índios...

As mãos para desenhar beija-flores...

Os ouvidos para captar os gorjeios...

Rude voz para expulsar madeireiros...

Para pulsar amor à pátria, o coração...

Para reformar o planeta, a consciência...

Para adentrar o eterno, os ideais...

E para manter a verdura dos montes,
a enorme bravura...

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Sandálias Havaianas

Recebem-nos fiéis
ao fim dos dias...
Liberam nossos pés,
nos aliviam...

Queridinhas do Brasil
são elas!
Põe as nuvens nos pés, 
essas donzelas...

Na exclusiva sola
antiderrapante...
E haja pirataria
deselegante!

Borracha original:
não racha
 Baixa o facho do calo
que brocha

No leito dessas 
damas, felicidades...
Cúmplices das
nossas intimidades...

No quarto, na cozinha,
passeio da praça...
Vão poupando da dor
nossa couraça...

Praia, banho:
amigas eternas...
Co'as Havaianas,
emoções ternas...

Todos as amamos,
pois a chinela...
Dão-nos férias:
Oh...Ilhabela!

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

POEMAS SOBRE NATAL

Natal na UTI


Como se fosse 
a última ceia,
como se fosse
o ultimo doce...

Como uma noite
o sol não acordaria...
Como um dia o
crepúsculo, meio-dia...

Como a fauna
com pés e penas
Como todos 
ecossistemas...

Como o peru, 
a galinha que pia
Como os óleos
que me entupiria...

Como torresmo
com conhaque,
o coração
sente o baque

Noite de Natal,
família reunida...
no hospital,
clamando por vida!

É o ser humano
sob as correntes
de marketing e vícios 
inclementes...

Criatura dotada
tamanha teimosia,
frágil coração,
glutonaria...


terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Natal na enchente

Rios que caem do céu
e brotam do asfalto...
O firmamento azul-cobalto,
vestiu lúgubre breu...

A noite do pão-de-mel
em sobressalto...
O jantar mais lauto,
boiando ao léu...

No Sudeste alagado,
Jesus nascesse:
hepatite infectado

Se o Natal ' benesse...
Se o sol ' desnublado...
Se o rio descesse...

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Natal rural

Natal sob canto
do uirapuru...
Melhor que passear 
na zona sul

Das trilhas da mata
vem a felicidade
(não do asfalto quente
da cidade)

Natal sob barulhim
de chuva...
Colher pro amor
doce uva...

Menos vaidade,
material paixão...
O céu não aprovaria
essa ilusão

de trocar lindezas
pelo shopping lotado
O Pai não optaria
ar virulado...

Natal natural,
próximo ao genuíno...
Do leite materno
provou o Menino

Natal de orvalho,
o bosque exalou...
Lírio formoso
Maria gerou

Natal singelo
nos deixou José...
Tão pastoril,
vila de Nazaré...

O sonho do vigor,
da alegria matinal...
Utopias de amor,
de Natal...


domingo, 22 de dezembro de 2013

O Natal na rua 25 de Março

Buscar louca-
mente
por coisitas...Real-
mente,

a gente perde tempo
e dinheiro suado...
Adquirindo objetos
pro ano passado...

Que o ano já é outro,
lá vamos nós
renovar o estoque...
O celular de novo toque

A arma de novo choque
O sapato de novo salto
Tanta parafernália
e juros pro alto!

Comprar presente...
que num futuro breve, lixo
Tanto rio seco,
tanto sumiço de bicho...

O planeta não suporta
tanto saque,
nem a conta bancária
tanto baque

E a Vinte e Cinco
bomba Bombaim
Eu vi um chinês
espadachim

Falando mandarim,
riu de mim...
Escravizou o 
pobre curumim

Eu queria terminar
com uma receita 
de macarrão instantâneo...
Mas seria insano

(se fosse ao menos
massa do Mediterrâneo)
Tomate orgânico,
vinagre balsâmico...

Então vou terminar
citando Drummond,
que da história 
não perdeu o bond'...

"O último dia do ano
não é o último dia do tempo
Outros dias virão,"
a tempo

de rever os vícios
que temos herdado...
E reutilizar os trecos
do ano passado

sábado, 21 de dezembro de 2013

Natal em Gramado

Natal baralhado,
Natal de Gramado...

De neve e luz,
cadê Jesus?

São noéis coloridos,
bailarinas saltitantes...

Não seria surpresa,
se os elefantes...

Docinhos desfilam,
simbolizando o que?

Soldadinhos de chumbo,
conspirando o que?

Eu sei que o turismo
em Gramado, especial...

O capital vital
para o pãozinho-de-sal...

Mas o nariz ruivo da rena
tingido de henna,

distrai a atenção
do que é essencial:

a paz do Natal
(que vem do Menino
do berço de sisal)

O Natal é caro

O Natal tem seu preço
Dispendioso
comprar apreço...

O afeto tem seu 
Natal...
Financial

Menino que não
quer mais carrinho,
mas tablet carinho...

Ilógico Natal
analógico...
Só serve o digital

Criança que não
crê mais em Noel,
nem em Papai do Céu...

Toda gente
que quer dar
o que não quer embolsar...

Tanta gente, 
quase todos,
consumir consumar...

É o velho Natal de novo,
o "bom" velhinho
a dissimular...

que a felicidade é salgada,
tal bacalhau,
tal caviar...

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

O Natal no Hospital do SUS

As lágrimas para o Natal...
E o ferro duro para
as dores dos pobres

O Natal em lamúrias...
E o abandono para
corpos em chagas

E o Natal da vergonha...
Nas estribarias,
odor de ovo estragado

A criatura vexada...
Humilhado semblante
pelos cantos jogado...

A multidão em coro,
em choro...
Natal frio de neve

Natal vazio
de atitude de amor:
o humilde desertado...

Natal dos governantes
em seus castelos 
pelo povo edificados...

Dos parlamentares acomodados,
nos lençóis alvos
de hospitais privados...

Injustiça social:
do tratamento vip
ou desonra moral...

Saúde desigual...
Onde repousa um,
doutor algum

O banzo em pleno Natal...
Num banco áspero,
o desdém dum parto

O Natal do Papa João Paulo Segundo

Jesus no centro do presépio...

No centro do cerne humildade...

Sabedoria no centro do âmago...

Natal no centro do amor...

Arregaçar as mangas
no centro da dor...

Mirar piedade
no centro do alvo...

Aplicar perdão
no centro da ferida...

Firmar no centro
(fé, coração...)

A paz entre os povos...
no centro do universo

Mundos de sentimentos...
no centro das cidades

Cosmos de gentileza...
no centro de convenções

Constelações de paixão,
bem no centro do peito...

O Natal de Maria da Penha

Da dominação
o fim:
eu cozinho pra você,
você cozinha pra mim...

O fim do superior 
e do inferior...
Cada um de si,
o seu senhor...

Cessação do ódio,
enfim:
Abel poupando
Caim

Natal todo dia
amor...
Todo gênero
e cor

A paz nos doces
lares...
São mansinhos
os muares!

Maria da Penha,
da luz...
Essas Marias
de Jesus

Maria da Penha,
da paz...
Alma gentil
nos traz

Natal sem 
agressão sexual,
na sublimidade
confraternal...

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

O Natal de Clara Nunes

O Natal de Clara
é um portal de luz...
Chama calma,
que a paz reluz...

O Natal de Clara,
da mulher brasileira...
Voando livre,
a águia altaneira...

O Natal de Clara,
da alma genuína...
Da pátria amada,
cheirosa menina

O Natal de Clara
de cultura original...
Mar esmeralda,
Iemanjá floral

O Natal de Clara,
de conchas e tambor...
Toca forte
nossalma bicolor

O Natal de Clara
é de África e Brasil...
Estrela una,
nosso céu anil

O Natal de Clara
é de assumir a história...
Fidedigna,
repleta de glória!


O Natal de João Goulart

Natal das reformas:
a agrária, a do coração...

Natal do amplo amor:
à vida, à nação...

Simples assim Natal,
distribuindo quinhão...

Natal da soberania,
a riqueza em nossa mão...

Natal mais Natal,
se é nossa a canção...

Natal especial:
minério sem abdução...

Natal nacional,
com trabalho e ganha-pão...

A América é do Sul,
sem intromissão...

O Natal é social...
E a burguesia, apreensão

domingo, 15 de dezembro de 2013

O Natal de Leonel Brizola

Rubra é a estrela que brilha,
astro principal...
Brizola nos inspira:
seu nobre ideal

Rubra é a estrela que brilha,
e é Natal...
Brizola nos orienta:
revolução social

Rubra é a estrela que brilha,
fogo eternal...
Sobrevivente de míssil
da Rede Global

Rubra é a estrela que brilha,
da Escola Integral...
Se perdurasse a obra,
alegre o Natal

Rubra é a estrela que brilha,
saudade descomunal...
Celebridade que conteria
desastre neoliberal

Rubra é a estrela que brilha,
da justiça social...
Brizola nos ilumina,
e é Natal

Rubra é a estrela que brilha,
fulgor caudal...
Ganha mais uma estrela,
a Bandeira Nacional

Rubra é a estrela que brilha,
Feliz Natal!
Cantata mais linda
o Hino Nacional...

Rubra é a estrela que brilha,
compartilhem o Natal!
Brizola aqui estivesse,
repartiria igual


O Natal de Irmã Dulce


Natal dulcíssimo...
Pois doce o amor

Natal docílimo...
Igual colinho de mãe

Natal docinho,
e a voz que nina

Natal dulcificado...
O que resgata vidas

Natal açucarado...
Melado de caramelo

Natal adoçado...
Cura e acalma

Natal de Dulce
Guloseimas pra alma

Natal de mel
Nectarina pro corpo

Docilíssimo, docemente...
Docemel, dócil irmã...

Natal doce,
pois Dulce

Natal de Dulce
doce, pois.

sábado, 14 de dezembro de 2013

O Natal de Herbert de Souza (Betinho)

Fazer a paz,
fazer as pazes.
Honrar o nome humanidade.
Esconder os ossos à mostra,
com alimento.

Romper o silêncio
(o termo, cidadania).
Juntar os forças, remendar os trapos.
Reencontrar o Brasil
em comitês pela vida.

Quebrar correntes do egoísmo,
formar novos elos.
Não uma cadeia de argolas de ferro,
mas um encadeamento 
de sonhos inflamados...

À revolução, sem perder a ternura...

Crer, crer e fazer.
Com simplicidade, sem rodeios.
Armar-se, amar com palavras.
Desfazer o engano de que
nós não podemos...

Crer, crer, marchar!
Para que os pratos vazios nunca mais
reflitam olhos esbugalhados...
Para que o Brasil, seus Natais
de vergonha, nunca,
nunca mais!

O Natal dos Frades Capuchinhos


Embrenhar-se nas grutas
e ajudar no parto...
Infiltrar nas gretas
e visitar os sem-teto...
No chão das praças,
pra ouvir os drogados...

Na perfeição da caridade,
ampliando a paz...
Na graça da pobreza
salvando esse mundo...
Na clareza da castidade,
defendendo oprimidos...

E ser presença
nas filas dos hospitais...
Um ombro
pros desempregados...
Uma luz,
da fonte que é Jesus...

Dividindo o que se tem,
que é fé e esperança...
Compartilhando suas posses:
amor, confiança...
Multiplicando seus bens
-candura, bondade...

É o Natal dos capuchinhos,
que põe a mão na massa!

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

O Natal de Yoko Ono

De Yoko
os Natais...
Sementes
de paz

De Yoko
o fim...
Onde 
o estopim

De Yoko
essa garra...
Que anula
a guerra

De Yoko
filme,
música,
arte

que fomentam
amor,
seu
baluarte...

De Yoko,
canção...
A letra:
revolução

De Yoko
o Natal...
Ocasião 
especial:

clamar
pela bonança...
Sem 
desesperança

Yoko
ambientalista,
ativista,
artista,

Yoko
idealista...
Seu Natal,
socialista


O Natal de Djalma Santos


Guiou-nos a Estrela
'té Minas Gerais:
a cidade lumiada,
de arco-íris boreais...

Lampejo singular,
essa urbe clareada...
É lume de seres
em terra agraciada...

Homens, mulheres,
pra história do Brasil...
Entre tantos lumes,
 um bem varonil

que 'scolheu Uberaba,
rincão de luzeiros...
Reverenciemos nós,
co'a flor nos cruzeiros...

Sob o túmulo de Djalma,
que gostava dos Natais...
Sob a memória de Djalma,
nossos apreços leais...

Áurea refletidora,
Dj'alma da paz...
És fonte dissipadora
do amor vivaz!

A bondade é de Djalma,
e a luz, de Jesus...
O Natal é alegria,
a saudade, uma cruz...

 De novo o Natal,
vem doce a canção...
Da lembrança de Djalma,
 suave cintilação...


quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

O Natal do Marechal Rondon

Natal passado
às noites enluaradas...

Natal (se foi Natal),
nos sertões cavalgados...

Nas terras tropicais,
Natal em meio...

aos Terenas, Borôros, Guanás
e seus guaranás...

Natal (se lembrado)
traçando mapas,

corrigindo traçados de rios,
instalando telégrafos...

No Natal, um bom dia
pra vigiar fronteiras...

Natal, que bela noite
pra abrir caminhos...

Passar o Natal
a serviço dos povos...

Comemorar o Natal
travando a paz...

Natal, esse tempo:
desbravar as terras...

Natal, tempo comum:
instalar ferrovias...

Amar o Brasil
no Natal, todo dia...

À serviço da pátria,
foram trinta Natais...

Missionário valente,
esqueceremos jamais!