quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Ateliê do papelão (página)

Aproveitar o papelão, nobreza...
Poupar o arvoredo, bonito...
Manter o aquífero, bendito...
'inda fabricar arte e beleza...

Luminárias, delicadeza...
Movelaria, sem mito...
De papelão, 'té veículo
 -consideração à natureza... 

A celulose, na cooperativa,
põe o prato à mesa,
é economia ativa...

E o labor espanta a tristeza...
E reciclar alegria cativa...
Só do papelão, essa leveza...


domingo, 27 de janeiro de 2013

Associação dos Amigos dos Animais Abandonados (página) - A4- PB

Deus te abençoe, meu coração
-o sustentáculo no prato de ração

Deus te abençoe, criatura amada
-ao desiludido, a força restaurada

Deus te guarde, criatura almada
-esperança, ao que vaga na estrada

Medalha de ouro, chuva de prata
-pela cura da sarna, o curativo na pata

Vida longa, anjos guardarão
-pelos cãezinhos salvos do horrendo lixão

Tuas mãos do bem, bem humanas
-contrárias às estúpidas, e desumanas

Seja grato o Céu, seja grato a Terra
-o exemplo que tua obra encerra

Deus te guarde e te guarde Jesus
-que tua jornada é de luz

Deus te abençoe grandemente,enfim:
o olhar do bichano lhe diz assim!

sábado, 26 de janeiro de 2013

Capixaba da Gema (página)

Belo barco
Íris-arco
Montes, mares
Esses lugares...

de espumas de renda
de cascatas em fenda
ternuram o coração
tal canção

do tovacuçu...
Ah, Mimoso do Sul,
Itapemirim...
Que seria de mim

sem Alegre Castelo
e meu Porto Belo,
que um site (poema):
Capixaba da Gema

estampa competente
e graciosamente
em primor de fotografia
 -que fotogenia-

Itaparica e Convento
ao luar, ao vento...
E o crepúsculo em Colatina...
E a moqueca divina...

E as ondas d'ouro...
E um povo, um tesouro...
São venturas ternas...
São jóias eternas!

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Rio de Paz (página)

Alana
Fabiana
Geovana
Yasmim
Bruna
Juliana
Wesley
Ramom
Juan...

A dor em atitude
A saudade em memória
A lágrima em néctar
O grito em justiça

O bálsamo para a dor
A luz para o desespero
A ação para a indignação
A voz para os sem voz
A visibilidade para os invisíveis
A colheita para a semente

Em mãos boas,
que erguem os caídos...
Em olhos ternos,
que alargam horizontes...
Em peitos de coragem,
que afrontam forças...
Em seres dóceis, 
que secam faces...

No movimento pela vida
No direito de crescer das crianças
Na liberdade para o escoar do tempo
Na dinâmica das cidades
No âmago dos delicados sentimentos...

No Brasil de sonho e morte,
um coração raro e reto...

Em rios de sangue,
as águas cristais...

Em torrentes de lágrimas,
um rio de paz...

Teu Cristo é redentor,
ó Rio de amor!

*os nomes de pessoas que aparecem nesse poema são de crianças e jovens vítimas de violência

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

POEMAS SOBRE O FACEBOOK

No face, sem ânimo


Na tela,
a unha pintada 
Mesma tela,
sem onça-pintada...

 A coisa de si
que se posta
 sob o coletivo
me prostra...

Fosca luz
ofuscada
Da paz, da ética
foscaluz

O ego no centro
do mundo
O olho do furacão
no centro

Sem metas:
abismo concreto
Já as obscuras,
medo!

Pura perda
-vento sem vento
Pássaro imóvel
-tempo

sábado, 19 de janeiro de 2013

Face sem book

A editora Abril, em abril,
150 demitiu
-a Veja pouco saiu
A professora então pirou!
Sem opinião e cultura,
pena a criatura,
a sorte obscura,
quem no face brincou...

Rede (só) virtual

Eu não vi o face 
na terra fértil
no olhar de inocência
na verdade pura
nas tradições preciosas...

Eu não vi o face
nos apelos de paz
nos gritos de justiça
nas abolições modernas
nas fontes de esperança...

Eu não vi o face
nas formas das conchas
nas cores do crepúsculo
no milagre da bondade
na imaginação infantil...

Nem na espuma do mar
na agonia da saudade
na alegria da presença
na brisa noturna
no abraço doce...

Eu não vi o face
na morte na cruz
no alívio da chuva
no café divino
na conversa boa...

Eu não o face
Eu não vi a face
no mundo real
ou no mundo bonito...

Eu não vi o face
no sino de Belém
no calor uterino
nos corações jovens
ou cansados...

Eu não vi o face
no elo da corrente
na redenção do homem
na queda do muro
na face molhada...

Eu não vi o face
nem num grão de areia


sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

É o face, pena...

O humor barato
O pio, a piada
O vazio do vácuo
mais nada

O luxo
O hábito ruim
A coisa banal
sem conteúdo cabal

A marca da cerveja
A dança do verão
Saúde e educação
não!

Essa coisa de um
sobre a coisa de todos
A coisa só dele,
e os outros...

A respiração
A excreção
A circulação
de um cristão
 (sem coração)

O sonho de consumo
O cérebro consumado
O fundo d'um poço:
 menu de almoço...
Insosso!

Um suspiro
Um murmúrio
Uma carência
Uma dormência...
Tudo no face vem
-interessa a quem?
   


quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Narciso

O face
para tuas glórias...
E medalhas, e troféus

O face
para tua inteligência superior,
tua beleza estonteante,
teus traços mais que perfeitos...

No face

a tua aura iluminada,
ó estrela iluminadora!

Teu poder quase divino,
tua imagem intocável,
ó semi-deus, ó zeus!

Tua perfeição, ó maravilha!
Tua genialidade, que orgulho!

E o sorriso (só teu)
E a formosura (só tua)

E coroa, e reino,
e domínios, e conquistas
(no face)

Teu guarda-roupa,
teu bom gosto,
no face
-tua passarela

E tuas viagens incríveis,
mais tua popularidade,
tua vida interessante,
teu tempo eterno,
tua influência intergalática...

Mais tua pose de modelo,
tua fotogenia,
tua face linda,
teu face sagrado,
teu espelho traidor,
ó Narciso...

Afogarás sorrindo e encantado.

 

A que veio o face?

Perder o dia:
só o pássaro-operário

Anular a flor:
poema desmantelado

Limpar as palavras:
a vida em branco

Exilar a liberdade:
suspensão da luz

Expulsar: das nuvens
dançantes figuras

Quebrar o elo:
jardins-alegria

Cíntilar os seres:
estrelas ocultas

Trocar a colheita:
sem labor as mãos

pelo lúdico tempo
-das raízes amargas

domingo, 13 de janeiro de 2013

O que é facebook?

Um território em disputa
-humildade crucificada

Um exército
-de um homem

Um eu
-sobre o nós

Um meu
-sobre o nosso

Uma mesquinharia
-sobre um coletivo

Um ideal meu
-contra um ideal maior

Uma vaidade
-e um olhar de desdém

Um tempo
-que não retroage

Um sol
-que não vê a pele

Uma lua
-que não suspiros-sonhos

Uma vida
-cadê felicidade?

Um poema
-cadê beleza?

Uma criança
-aonde infância?

Uma novidade
-serve pra que?

Uma caixinha sem surpresas
-futilidade em mimos

Um silêncio em família
-cada um em seu quadrado

Uma feira, um mercado
Os facers, mercadoria

Agulha no palheiro

Não procures no face
por altivas atitudes
Acharás o vácuo
das altitudes

Não procures no face
cura para as dores
Depararás apenas
-arco-íris sem cores

Não ouse achar amor
em perfis maquiados
Conseguirás apenas
avatares clonados

Não sonhes no face
sustento e vestimenta
O néctar é frugal
A luz é cinzenta

Nem procures no face
passar o tempo
-que é de apocalipse
e vento

sábado, 12 de janeiro de 2013

Facetas

O feedback,
poço de ansiedade...
Em vão o tico canta
na cidade

Os comentários,
migalhas de afeto...
Em vão abre a rosa
no deserto

Os novos "amigos",
lumes de alegria...
Enquanto, na solidão,
sua tia

E alivia o calor
divina, a chuva...
E o rimador me dá
vindima e uva

E tudo ao léo
ressoa em vão...
E os olhos destreinados
à beleza vão...

descaptando o brilho 
da lua
Enquanto marcam 
a foto sua
 


Face dupla

Socializar-se
se isolando...

Passar o tempo
e o tempo levando...

Na rede perfurada 
confiando...

Reproduz
e não vai criando...  

Não seduz,
se todo vai se mostrando...

Fere,
para depois, assoprando...

A via é dupla,
Hildebrando:

esse folguedo seu
lhe vai miserando... 

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Infância no face

É céu sem pipa,
é chão sem pião
É grama intacta
-nenhum pisão

É livro mofando
(de lindas figuras)
È biblioteca-fantasma
de criaturas

É Drummond sem coroa,
Cecília sem leitor...
É bicho sem carinho
e água sem flor...

É matemática ruim,
é linguagem pilhada...
O celular no face:
é mente travada!

É amizade distante,
sem graça...
Sem cumplicidade
e sorvete na praça...

É tudo novo,
diferente, veloz
É tempo e vida se enrolando...
em retrós


Curtir...

Azul dos mares
-inexaurível

Céu igualmente
-azul incrível

A paz
-sonho plausível

Voluntariado
-amor sensível

Ativismo
-alto nível

-significativo
Face possível

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

É facebook! (número quatro)

Rede da vaidade!
Rede da aparência!
Rede da esnobação!
Rede da soberba!
Rede da intriga!
Rede furada!
Rede sem peixes!
Rede antissocial!

É facebook! (número três)

Fogueira de vaidade!
Ilhas de homens!
Marketing brutal!
Descomunhão dos mundos!
Renegação da presença!
Espelho deformado!
Crânio sem cérebro!
Trama de grandeza!
Drama de carência!
Suspensão da vida!

É facebook! (número dois)

Língua ferina!
Destilação de veneno!
Linguagem violada!
Viola sem corda!
Desvanecida poesia!
Canção sem voz!
Pranto sem lágrima!
Estresse das retinas!
Delírio egoísta!
Passarela de futilidades!
Facers falsos!

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

É facebook! (número um)

Estrela morta!
Cometa sem cauda!
Veleiro sem vento!
Bússola sem norte!
Onda supersônica!
Mar insurfável!
Deserto sem noite!
Caviar aos porcos!
Azeite ao lodo!
Terra de ninguém!

domingo, 6 de janeiro de 2013

Não postar...

Se seu passeio é pelo bairro
ou internacional

Sua ideologia intocável
na rede antissocial

Se é azar no jogo
Se é sorte passional

Sua superinteressante vida
Sua beleza anormal

Seu ego maior
que a esfera global

Se o rango é à francesa
ou se é trivial

Seu exemplo ruim
Seu vício "legal"


Seu castelo de ouro,
taça de cristal


As suas coisinhas
E coisa e tal


O que é seu e seu
E ponto final...


Utópico

Eu falo de uma tela branca
oferecendo o gesto útil

Eu falo de um quadro alvo
exibindo a mão que afaga

Eu falo de um solo fértil
gerando girassóis dançantes

Eu falo de uma estrela nova
clareando águas profundas

Eu falo de uma janela aberta
captando luz e brisa...

Sem rosto

O face
Não rosto
mas plasma

O face
Não trilha
mas labirinto

O face
Não alegria
mas ausência

O face
Não voo
mas corrente

O face 
Doce não
mas ácido

sábado, 5 de janeiro de 2013

Compartilhar

Compartilhar

O que constrói
 o ninho
o canto
o voo

O que sustenta o corpo
O que penetra no tempo

Compartilhar

O que restaura a natureza
O que instaura a liberdade

E o que não é puro e perfeito
mas flui

O que não é si nem mim
e é flama

Ansiedade

Se não há feedback,
depressão

Se não há curtida,
pé sem chão

Se não comentaram,
céus cairão

Não compartilharam?
Convulsão!

Trocas - número dois

Egocentrismo
por uma visita

Voyeurismo
por uma ligação

Narcisismo
por um beijo 

Feedback
por um feedgo

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

O que é facebook

Vida escoando
-ampulheta veloz

Poses se exibindo
-passarela de vaidades

Posts voando
-velocidade da luz

Narcisismo fascinando
-espelho traiçoeiro

Povo se escravizando
-marketing feroz

Sonhos se afirmando
-aldeia de mentiras

Ego se mostrando
-festival de carências

Vida brincando
-álbum fútil

Galáxia se diluindo
-dimensão intátil...

Virtual anormal


Não é normal
vacilar com o tempo

Não é normal
se afirmar em (falsos) elogios 

Espalhar figuras fúteis

se expor sem causa

se iludir em tramas invisíveis

não é normal...

Apostar nesse afeto barato

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Preferências

O falso
ao sincero

A criação
à reprodução

O privado 
ao público

O sisudo
ao (chato) supercordial

O omisso
ao cutucador

Linguagem culta
ao palavrão

Caixa baixa
ao CAPS LOCK

Feed de páginas
à página inicial

Discreto
ao esnobe

Sair do face
a morar no face

O toque de pele
à tecnologia...
 

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Jóia falsa

Mostrar  no  face

postura   opinião   atitude
posição   piedade   conhecimento
reconhecimento   formosura   moral
popularidade   sensibilidade   sabedoria

que  na  verdade  não  tem

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

"Revolução"

Os computadores são rápidos
-os homens lentos

Os homens sem trabalho
-as máquinas ágeis

Homens perguntam
-computadores respondem

Homens envelhecem
-o Google se repagina

Computadores novinhos em folha
-editoras em falência

Jornalistas a ver navios
-as redes bombando

Fotoshops sobem
-fotógrafos descem

O divórcio pela net
-advogados de braços cruzados

São carteiros sem cartas
-arquivistas sem arquivos

E são parques vazios
-crianças na tela vidradas

Em vão dança o mar
-tantas ondas desperdiçadas...

Face que vale

O Rio de Paz,
o Coral das Lavadeiras...
Artes, humanidades,
Médicos sem Fronteiras...

Mente e Cérebro,
galáxias misteriosas...
A reversão do tempo
nas oleaginosas...

Cães e gatos
à espera de adoção...
E por teu coração,
ó meu cristão...

Comunicação gratuita
co' o caro diamante:
o amigo,
tão, tão distante...

A reciclagem do lixo,
a defesa da mata...
O dvd novo
de Vanessa da Mata...

O vírus da Aids
curando tumor...
Inhotim revelando
cadáver-flor...

Coisas instigantes,
notícias, enfim...
Valeria o face,
se além de mim...

Rede "social"
o face seria,
simples assim...
Utopia!
 

Desenganos

Compartilhar
mais que ser compartilhado

Curtir
mais que ser curtido

Solicitar
mais que ser solicitado

Postar
mais que ser postado

Marcar
mais que ser marcado

Frustrar
frustrar, frustrado...

O face - como ele está

O face não te completa

O face não te decifra

O face não te cobre de beijos

O face não te espera em casa

O face não te diploma

O face não te emprega

O face não te consola

O face não te cuida

O face não te orienta

O face não te perdoa

O face não te salva

O face não!

Pegando leve

Não deposite emoções no face
-chip de silício insensível

Não passe a vida no face
-matéria inanimada invisível

Não confie segredos ao face
-face estranha, imprevisível

Não leve tão a sério o face
-vício letal incorrigível

Trocas

Uma pose
por um prece

Uma coisa pequena
por uma causa maior

Uma balada
por uma informação

Uma conquista individual
por uma revolução!

Vida off-line

Água que mata a sede -a prece

Esplendor de perfume e cor -a flor

A vida que não passa em branco -o livro

O pássaro, o amigo, o trabalho
-estrelas plenas em luz

O café, a conversa, a chuva
-o amor

Brilhante o sol se põe...
fora da tela

Na real

Não é seu amigo

Não é sua família

E não te abraça

Não te consola

Não esquenta sua cama

Não te ouve

Nem ri com você...

O face

 te engorda

te empobrece

te vicia

te expõe

te escraviza

te distrai

                                apenas

te destrói

Dual

O face
A face, a faca
de dois gumes:

o meu, o nosso...

Face ou não face,
eis a (difícil) questão...

Vida além do face

Yes, we can...

Pegar uma fila

Filar uma bóia

Emagrecer, engordar
e vice-versa

Amar, se separar
e versa-vice

E usar o vaso sanitário...

E  respirar, e se resfriar,
dormir, acordar

sem publicar
PELO AMOR DE DEUS,
no face!

E nós podemos sair do face
e andar de bicicleta
 

Recado

útil
ativista
fraterno
coletivo
informativo
mobilizador
educativo
divulgador
focado
visionário
crítico
Por um face!

Impessoal

Você pode ter um segredo
e não espalhar no face

Você pode ter um charme
e não esnobar no face

Você pode ter uma galáxia
e não estampar no face

E um amor
e um avião
uma opinião

sem escancarar no face

Enigmática

Desinteressante
se desnudar
por inteiro...