sábado, 19 de janeiro de 2013

Rede (só) virtual

Eu não vi o face 
na terra fértil
no olhar de inocência
na verdade pura
nas tradições preciosas...

Eu não vi o face
nos apelos de paz
nos gritos de justiça
nas abolições modernas
nas fontes de esperança...

Eu não vi o face
nas formas das conchas
nas cores do crepúsculo
no milagre da bondade
na imaginação infantil...

Nem na espuma do mar
na agonia da saudade
na alegria da presença
na brisa noturna
no abraço doce...

Eu não vi o face
na morte na cruz
no alívio da chuva
no café divino
na conversa boa...

Eu não o face
Eu não vi a face
no mundo real
ou no mundo bonito...

Eu não vi o face
no sino de Belém
no calor uterino
nos corações jovens
ou cansados...

Eu não vi o face
no elo da corrente
na redenção do homem
na queda do muro
na face molhada...

Eu não vi o face
nem num grão de areia