quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Repaginai-me, ó Natal...

Transformai-me, ó Natal...
Minha doçura se dissolveu,
e eu, 
estátua que não creu, de sal...

Nova mulher, assim eu quisera, 
no Natal...
Mas eu, capiau,
de evolução quimera...

Ah, Natal, me põe máscara nova,
que comunique dó...
Eu tô de nó,
recolhida em minha alcova...

'stou fraca, cansada 'stou,
mas 'inda boa intenção...
Me cante sua canção, 
quem sabe eu voo

ó Natal, do meu casulo,
da minha zona de conforto,
pra florir um horto
e ensaiar um pulo...

Venha ó estrela 'vilhosa,
'spalhar coragem em mim,
venha sim,
me fazer botão de rosa...*


*ou bondosa. Ou manga rosa

Natal é sonho

A benevolência da distribuição,
a nossa não aniquilação...

O sossego dos lugares,
a confiança nos pares...

O pássaro e seu canto,
a honestidade sem espanto...

O afeto desregrado,
o coração ensolarado...

O jardim de cheiro bom,
o sossego da noite sem som...

O trânsito ausente de guerra,
a compreensão em nova esfera...

O inacreditável bom humor,
o obrigado, o por favor...

O caminhar junto,
a rejeição do presunto...

A humanidade em comunhão,
a praça sem lixo no chão...

Perseverar sem desespero;
sono desagregado de dinheiro...

Os Natais de muito amor,
os poemas nenhuma dor...

Os seres bons, enfim:
Jesus sonhou assim...

domingo, 27 de outubro de 2013

Poema diferente para o Natal

Feliz Natal, Natal feliz,
me lembra a música da Elis:
viver... e não ter a vergonha de ser feliz
Aí me avisam, é outro quem diz...

Feliz Natal, Natal feliz,
só se for pra libertar o perdiz,
só se for pra alimentar o menino infeliz, 
que só come raiz...

Feliz Natal, Feliz Natal,
incomensuráveis rimas com al,
tão fácil poemar o Natal,
pois tudo tende fraternal

Feliz Natal, Feliz Natal,
com o dicio de rimas: minha nau
Imagina Castro Alves, poeta social
com esse fabuloso instrumental?

Mas é o assunto Feliz Natal,
a rixa de Jesus e Nicolau,
a luta entre comercial, 'spiritual...
Vencerá o amor a batalha final

sábado, 26 de outubro de 2013

Natal bifacial

Um poema de Natal...
um poema acidental

pensei "angelical"
mas saiu "desigual"

tentei um "celestial"
recaiu "fome global" 

Um poema de Natal...
sem cerimonial

que revele o aspecto
bifacial
bilabial

a visão axial

insocial
do Natal glacial

Baseado no consumo 
baronial

(que Natal?)

do banquete
hernial

do Haiti
sem bacalhau

Bem anormal
esse Natal 
bicaracterial

(isso Natal?)

Se o fraternal,
pelo negocial?

Se o memorial,
pelo financial?

Se o espiritual,
etéreo como acetal?

O presencial,
então,
pela rede antissocial,

que Natal, 
que Natal!?



O que o Natal nos dá

O Natal nos dá a beleza
Suas mesas e framboesas

O Natal nos dá a mão
E a angina, inflamação

O Natal nos dá
o que ninguém extorquirá:

brandura,
que sempre fluirá

E canto de carcará

O Natal nos dá Jesus
e o reverso que eu compus

O Natal nos dá poesia
Demagogia em demasia
Azia

O Natal nos dá a rima
e um clima pra cima:
auto-estima,
serpentina

O Natal nos dá 
um sinal do céu:
o amor do Pai
é um pitéu

Pudera o poema
criativo fosse...
Natal é manjar,
tudo doce...

Não coma o presépio no Natal

Não coma o presépio do Natal:
seu irmãozinho de nau

Não coma o presépio no Natal
-o seu primo ancestral

Não abata nesse Natal
aquele olhim' angelical...

Não coma do presépio animal
de carne e sangue igual...

Não golpeie de modo mortal
-que o bem é teu arsenal

Não coma o presépio do Natal
(Jesus feliz no curral)

Não coma algum animal
sem ou com espinha dorsal...

Não coma nenhum miau:
bomba o milho do cural!

Não coma o presépio do Natal, 
chorarás sem mu e au au...

Não coma do Natal o presépio
por amor, por obséquio...

ofereço esse poema para amiga Maria Miranda Lopes

O Natal talvez esteja...

Natal na promessa
talvez cumprida...

Talvez Natal...
na frieza aquecida

O Natal, talvez...
na graça concedida

Natal, toda vez
se no prato, comida

Natal placidez,
paz da vida

O Natal, toda vez...
o amor na avenida

O Natal do inglês
é uma data querida

O Natal do francês
é uma data bebida

O Natal, vez em vez...
esperança atrevida

O Natal, tal vez...
a rima repetida

Talvez, o Natal...
seja o Céu, afinal!

 

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Brincando com as rimas do Natal


Natal augustal,
Natal eternal...

Exponencial datal
confraternal literal

Festival cordial,
Natal fraternal...

Anti-mal
-pró-floral

Especial,
o Natal!

Infinitesimal
multidimensio-
nal

Natal musical,
Natal palatal...

Bacalhau, Portugal
Sarau e Macau:

ritual trilegal

ops!  Pinheiral...

Pequena oração de Natal

Desça sobre mim, ó Natal,
necessito um mínimo de piedade...

Desça sobre mim, ó Natal:
a frialdade, frivolidade, futilidade...

Desça sobre nós, ó Natal,
para nos mostrar Tua vontade...

Desça, ó Natal, sobre a cidade,
e o homem em nova identidade...

Desça sobre mim, ó Natal
-me inspira a tua rusticidade

E na tua idealidade,
ó Natal,
e no teu encanto de jade,

instaure sentimento de irmandade:

já quase extinto o fogo da caridade...

E o meu egoísmo é uma ferida,
que arde, arde, arde...

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Sensível no Natal

Reluza a estrela maioral
enternecendo o Natal!

Na flor delicada
sob o mármore final

Na palavra de amparo
sob o pranto passional

No panetone perfumado
sob a fome de chacal...

Reluza a estrela maioral
apiedando o Natal!

Na paz da amizade
sob a guerra do pré-sal

No zelo pela vida
sob veneno no trigal

No valor da ética
sob teste no animal...

Reluza a estrela maioral
sensibilizando o Natal!

A naturalidade do meio
sob a poluição audiovisual

A calmaria da modéstia
sob a chaga comercial

A transpiração do exercício
sob a sintética rede social...

Reluza a estrela maioral


domingo, 20 de outubro de 2013

Só Jesus

Despojar-se do seu ouro
e socorrer nossa miséria...

Só Jesus:

vestir-se de humano
e nos tornar humanidade...

Falar assim austero
pra não nos deixar dúvidas...

Ferir assim sincero,
lapidar os corações...

Optar por manjedoura
e ensinar a sobriedade...

Sacrificar a sua vida
pra nos revelar o amor! 

Faxinando para o Natal


Perdoe...
 Somos humanos:
 erramos  

Vamos nos perdoando, 

nos desintoxicando... 
  
Vamos limpando, clareando, 
faxinando a mente,
excluindo o pensamento inclemente...


A compaixão, a compreensão,
são degraus para a evolução...

Os maiores vencedores 

são os melhores perdoadores...

Perdoar é botar fé na humanidade,

é crer nos acertos que vem, co'a maturidade...

Os dias passam,

e nós, menos imperfeição...

 
Paciência às experiências,

aos aprendizados...

E brinde ao perdão!


Poema de Natal dos dois pês

Caminho uno da humanidade:
perdão, piedade

Apesar de tanta modernidade
'inda há perdão... e piedade

O Natal traz essa raridade
-perdão, piedade

Jesus e sua finalidade:
perdão, piedade

Mais suavidade, mais sonoridade
Mais perdão, mais piedade

Vida e poema, na idealidade
-perdão e piedade

A rima é pobre, mas na docilidade
Perdão, piedade

Essa paridade que se faz canção:
pidade, perdão

Natal é luz

A luz do Natal é linda:
ressuscita a 'sperança finda...

É linda a luz do Natal
ou ainda, o Círio Pascal...

Do Natal a luz é linda
E a Terra floriu berlinda

que o azul do céu reluz
Do Natal é linda a luz...

Salve, Jesus!

Que se veste de humilde
para revelar a glória...

Que se reveste de humano 
para ver amor nos olhos...

Que se deita em presépio,
nos presentear doçura...

Que pela manhã, broto,
e a tarde, grande carvalho...

Que brilha sol eterno
para iluminar a lua...

Que tem manto de ouro
mas prefere os pés descalços...

Que descende da realeza,
mas habita entre os pobres... 

Que nasce para morrer
na missão de estrela-guia...

 

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Coração tornado manjedoura

Para ver o Senhor do amor,
é preciso descer dos montes...

Para ver a face do Pai,
é preciso galgar espaços...

Para ver a glória do Filho,
é preciso acordar do sono...

Deleitar-se de paz, esperança
preciso é aceitar mistérios...

É preciso se vestir manjedoura
para ter acesso a luz...

Enxergando Deus

                                                            Quem é Deus?
Aquele que sempre foi e sempre será

Onde está?
Na força que impulsiona o passo
no caminhar

Deus é o bem que ganha poder,
é o mal que se põe a perder...

Deus é o menino corajoso
que se ofereceu em sacrifício tortuoso...

Deus é o poderoso menino
que se ergueu do gueto montesinho...

Deus bem aqui:
na alegria do colibri...
Na floração e no fruto,
no brilho escarlate do rubi...

Deus no sideral e no abissal
nas coisas e nas criaturas
no tempo e no vento
no início e no final...

Deus na mãe que acalma
na mão que acolhe
no pão que apruma...

Deus na esperança
Deus nas coisas belas, singelas
  Deus nos seres de pouca vaidade...

Deus da iluminadora luz
emanada de Jesus...

Deus norteador de caminho
ensinado por Cristino...
 
Deus aqui, nas 'vilhosas obras
que não podem ser contadas
-mas podem ser cantadas

domingo, 13 de outubro de 2013

Rosa de Sarom


 Esplêndida e gloriosa flor
  Asa maternal de amor
nesse deserto que  prenuncia
a  destemperança, a vigaria
Mediador nessa nave belicosa
Ó Jesus de Sarom, a rosa!

Lírio cheiroso dos vales
Estrela da manhã reluzente
Abra com o cajado os mares
Quebra com poder as correntes
Guardião nessa fragata tempestuosa
Ó Jesus de Sarom, a rosa!

Raiz de Jessé, Rei de Judá
descerá entre anjos e libertará
tanta criatura que se definharia
A Sião subiremos, em calmaria
livres da fúria intravenosa
Ó Jesus de Sarom, a rosa!

Utopias de Natal

Amigos, amores
Ameixas, amoras
Mui 'vilhosos, 
mais amorosos...

Flores mais cores 
Mais doces odores
Menos rancores
destroçadores

Vales vertentes: 
verônica, verbena
E cervo, corvo,
e anu, açucena...

Viçosos verdes, 
mais nirvanais...
Azuis espaços
mais celestiais...

Irrompe a mão

com seu perdão...
Rompe a mãe
conflagração...

Isenta de agonia
terras e mares:
a irmandade se remiu 
nos altares!

Auréola pura
a paz reluz...
Desceu o Céu,
brotou Jesus!

É urgente resgatar o Natal

É urgente
resgatar o Natal
dessa chuva que cai
anormal

É impreterível
salvar o Natal
dessa nova desordem
mundial

É inadiável
socorrer o Natal
da nossa "vivência"
virtual

É imprescindível
volver ao Natal
a sua essência
 de amor real

É imperativo
restituir ao Natal
sua doce canção
transcedental

É urgente
remir o Natal
É fulgente:
o bem sob o mal...


Encantos da manjedoura

De palha,
mas ouro reluz
A singeleza
-assim quis Jesus

Com amor
o acolheram seus pais
e com calor
os animais

Sob olhos de Reis
e simples pastores
Sob manta quentinha
sem muitas cores

lá está o Menino
ladeado de afeto...
A estrela-guia
indicara certo

A esperança,
deitada em palha...
Misericórdia, 
do Pai que não falha...



Rimas para Jesus


Manai teu amor, ò Jesus,
sem máscara, sem capuz...

Ó linda luz que abduz
e a paz aduz...

Polpai a vida do avestruz
folgai-nos o peso da cruz!

Ó porta-luz...

Livrai-nos do SUS!
Dai-nos anos-luz dos urubus,
fazei-nos jus ao cuscuz,

ó andaluz
ó homem da chaga em pus
ó criador do cipó-cruz,

fazei-nos alcatruz,
pra matar a sede dos pobres
irmãozinhos nus...


sábado, 12 de outubro de 2013

Esperanças do Natal

A criatura espera amor
E a flor, beija-flor

A natureza espera paz,
a calma da mão voraz

A concórdia espera o Brasil
e museu pro fuzil

O comércio espera circular
o que está a encalhar

O peru espera indulgência
E o porco, clemência

A criança espera Noel
ou um sinal do céu

O ancião espera o tempo
transcorrendo lento

O poeta espera inspiração
pela luz do Setentrião

O cristão espera Jesus
que a esperança produz...

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Indulto natalino

Vem o poema sob a ótica
do filho que aguarda mãe

Vem o poema na ética
de Jesus amor é o bordão

Vem a poesia íntima
visitar a vítima:

a mão que se abre perdão
cura a ferida última...

É sândalo,
 lâmpada,
 alívio!

Amigo oculto

Amigo
oculto, invisível...
Importa é que
 indivisível...

Amigo secreto,
eu lhe darei:
gentileza no trânsito,
chá de confrei

Ao amigo secreto,
meu presente...
Salário digno
(se docente)

Amigo ausente 
da minha vista...
Comprar-lhe-ei
uma ametista...

se contudo,
mereceres...
Achando um celular,
 devolveres...

 Brinde maior?
Nosso apreço
-pois a lisura,
sem preço...