sábado, 30 de novembro de 2013

O Natal de Martin Luther King

O Natal pra sonhar,
e eu tive um sonho...

Eu vi os credos
nas pessoas livres...

Tal cervos nas colinas,
sem caçadores

Eu vi os seres 
em perfeita cantata...

E a letra da canção
festejava a liberdade

Eu vi uns pássaros
de cores diversas...

matando a sede
na mesma fonte

Eu vi humanos
de todas as descendências...

sob a mesma luz,
que pra todos nasce...

Eu vi uma nação,
grande oceano...

as ondas: esperanças,
que não se aquietam

Eu vi cidades,
e campos repletos...

de videiras e fundos
suficientes pra todos

Ouvi um sino,
e era liberdade...

Eu tive um sonho,
e realidade era

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

O Natal de Angeline Jolie e Brad Pitt


Pode o leitor
torcer o nariz...
Quem quer saber,
Natal de atriz?

Mas o poema,
se for poesia,
vem na harmonia:
amor é o tema

Não a paixão,
o breve fogo...
Mas alicerce mais rijo
que casca de ovo...

O amor aos filhos,
biológicos, adotivos...
Imagina esse Natal,
são seis filhos!

Olhinhos de China
ou amendoados...
Cútis de todos
tons mesclados...

Meninos de olhares
azuis escocês...
Cabelos afros,
com altivez...

É guri de tudo
quanto é jeito...
Cuidados todos,
maior respeito...

Natal alegre,
só pode ser...
Lírio-de-Natal
a florescer...

São lindas pessoas
a remedar Jesus...
Alumiando destinos,
vestindo-os de luz...

Jolie e Pitt,
toda estima...
Feliz Natal!
Boa vindima!

domingo, 24 de novembro de 2013

O Natal de Brigitte Bardot

Brigitte 
dos belos ideais...
Como serão 
os seus Natais...

Felizes noites,
dos perus polpados...
Porcos das chacinas
alforriados...

Natais de Brigitte,
sem sacrifício...
Respeitar é bem
o seu ofício...

Brigitte, nossa 
notável Brigitte...
Nobel da Paz,
se me permite...

Brigitte dos anos
dourados...
Todos seus anos,
diamantados...

Brigitte,do amor
às criaturas...
Em nosso coração
fulguras...

Teus ideias de
libertação,
ò Brigitte, 
lhe rendem canção...

Brigitte, 
do Pai, especial...
Quão brando é 
o teu Natal...

sábado, 23 de novembro de 2013

O Natal de Chico Xavier

No meio dos pobres,
ouvindo os pobres,
orando com os pobres,
beijando os pobres...

Fazendo sopa,
doando roupa,
dando brinquedo,
copiando Jesus...

Esse homem de luz,
de muitas facetas,
de tantas boinas,
de várias histórias...

Glórias terrenas,
nem fez questão...
Simplório poema,
diferença não...

Simples, o Chico
Humilde, o Chico
Bonita luz
Linda missão...

De erguer o irmão,
levar pela mão...
Evoluir junto,
travar comunhão...

Natal era Chico,
alegria 'special...
E seu abraço,
aroma floral...

O Natal de Zilda Arns


Criança fortinha
-é mágica a farinha
É milagre da vida,
é Natal de Zilda

Retirem dos lares
os antônimos do bem:
voluntárias da Zilda
lá vem!

Nutrição
cuidado
afeição:
lida de toda uma vida...

Broto de 'sperança
advém...
Missionária,
'té no além...

Dessas que,
pra sempre marcam...
Enquanto outras
se atracam...

O Natal de Zilda
é todo dia:
de Jesus o amor
irradia

O Natal de Zilda
é de saudade...
Compensaremos
com caridade

O Natal de Zilda
é de luz
e paz, que essa
Estrela reluz...

O Natal de Nelson Mandela

Natal dos ascos erradicados,
Natal dos sonhos miscigenados...

Natal das cores, das castas,
das esperanças misturadas...

Às custas das batalhas árduas,
Natal das alegrias instauradas...

Natal das mãos entrelaçadas,
brancas, negras, pardas...

Natal das idealidades mixadas:
frutos das ações encorajadas...

Das sangrias estancadas,
o Natal das criaturas mescladas...

O Natal de John Lennon

Então é Natal... E o que você fez,
pela felicidade
de toda tez...

Então é Natal...Que fizemos nós,
pelo fim da miséria,
e da fome atroz...

Então é Natal...O que nós fizemos,
pelo velho e pobre...
Juntos, podemos

Então é Natal...Das guerras findas,
do amor triunfante,
flores mais lindas...

Então, é sonho...Da paz afinal...
Falhou Hiroshima,
então é Natal!

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

O Natal de Madre Teresa de Calcutá

Mais que migalhas de pão...
Matara a fome do mundo,
faminto de comoção

Mais que a canção enfadonha...
Acolhera o órfão,
desalojando a maconha

Roupa cheirosa, no capricho,
pro drogado, pra prostituta...
Ganhara ninho 'té bicho

Juntara à ceia do asilo,
um velho achado na rua...
Traçara um Natal tranquilo,

cingido do amor de Jesus...
Fora um milagre vivo:
fracionara o peso da cruz


quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Feliz Natal para os sobreviventes!

Feliz Natal para os rios
animais 
árvores 
sobreviventes...

Feliz Natal para os povos,
nós mesmos sobreviventes...

Feliz Natal para os ares
das aves sobreviventes...

Feliz Natal para os mares
das marés recorrentes...

Feliz Natal, quebrássemos,
certas correntes...

Feliz Natal, e Natal...
Estrela candente

Feliz Natal para o amor...
Estrela cadente

Feliz Natal pro Natal
-um pouco doente

Jesus no deserto,
um lírio -sobrevivente

Natal hipócrita

Esse que dá
pensando em receber

Não doa
mas estende a mão

Abre a mão
só pra tomar

Natal hipócrita,
fecal literal'

Falar do outro,
sua gordura corporal

Zombar do outro,
a atitude original

Desejar ao outro:
cair no degrau

Natal hipócrita,
do carnaval...

Comer, beber
até descambar

Gastar, comprar
até se atolar

Atear mil lâmpadas
'té incendiar

Hipócrita Natal

no automático,
sem Santo Graal


quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Cancelando o Natal

Esse ano,
do apocalipse final,
nenhum Natal 

Esse ano,
do arrefecimento 
sentimental...

O mar subiu
em Natal:
não tem Natal

Sobe dólar 
juros
Inflação surreal
Que Natal?

Cinquenta reais o quilo
-a castanha de Portugal

Definitivamente,
nenhum Natal!

Com desemprego,
sem recital
Sem Natal,
no lamaçal

A fúria dos ventos,
o furor social...
Farta a massa,
falta cereal

A mídia que emburrece,
o silêncio no colmeal...

Sobe a pressão arterial:
o suco de uva artificial

(guardai o castiçal)

Esse ano, sem Natal...

Poema de Natal sem Natal


No dia fatal
do decúbito dorsal
não há Natal

Natal no hospital...
Em coma
Na cama
Na maca
Em estado terminal
não há Natal

Natal no Instituto
Médico Legal...
No exame visceral
Na nossa hora
mais animal
não há Natal

No presídio onde
baixa o cacaual

Na eternidade que 
aguarda o Pascal

Na alcova sob
odor amoniacal

Não há Natal...

No âmago
que não conheceu
amor maternal

 Nos olhos
que não se abriram
no frescor matinal

No amor que não
vingou, coração
de metal...

Não, não há Natal...

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Poeminha de Natal desintencional

Desproposital
Sem tópico frasal
nexo causal
conteúdo cabal

Poema de Natal
rima opcional
Tamo mal
Esqueci meu gadernal

Não vai rolar original
Poeminha de Natal...
nada excepcional,
nenhum hino nacional

Natal...
céu infernal
Doce ou sem sal
Normal, animal

Natal...
bipolar
-rima opcional,
acidental

Unidirecional, adi-
mensional...
            Amor...língua trans-
nacional

Saúde espiritual
Só ritual . Bomba o comércio
                                     informal
-não me leve a mal-

Eu disse bipolar
e com rima
                                    opcional
casual

Esse Natal:
na cadeia o Lalau,
e outro Nicolau,
Que Natal, meu Deus,
                        que Natal!

Salve o Natal
e o pré-sal
-vital    
                capital

(quem me deu o poema
foi o Dicio inFormal)

Natal em Cascalho Rico

Natal 'splêndido,
em Cascalho Rico...
Janela aberta
porta sem trinco

Natal ao ar
livre e puro
Cerne acessível
sem muro

Sonho da paz
e do amor...
Sem delegacia
Doce é o licor

Bolso cheio
Povo feliz
Natal melhor
que o de Paris

Próxima vez,
' nascer Jesus,
seja em Cascalho
-propus

domingo, 17 de novembro de 2013

Natal 2013

As Filipinas
foi pelos ares...
Missa do Galo, 
sem altares

Sertão estéril,
sem chuva...
Esse ano,
vinho sem uva

Tá salgado,
o bacalhau...
Natal quebrado
em Portugal

Brasil nas ruas,
de novo...
Vinte centavos
calou o povo

Eclode a fúria
nesse país...
Fingir de morto
é a diretriz

Secam águas,
surtam animais...
Meu Deus,
que Natais?

Trabalho escravo:
velho, criança...
Pende prum lado
a balança

E o perigo
rondando o zênite...
Na minha cabeça
caiu satélite

Inflação,
e eu tô no sal...
Pior seria
sem Natal


sábado, 16 de novembro de 2013

Em busca do elo perdido

O elo entre a gruta do Menino
lumiada por candelabro...
E esse clarão da cidade
que enerva 'té o diabo

O elo entre a manta sem bordado
que envolveu Jesus...
E a marca de luxo, cujo preço,
credo-em-cruz

O elo entre a viagem dos Magos
com canto jubiloso...
E o giro ao shopping,
que fardo doloroso...

O elo entre esperança brotando
num tempo de fosca luz...
E esse Natal, sabe-se lá,
faz jus a que luz...

O elo entre o leite maternal
morno e quentinho...
E engenhocas que transformam
a saúde em toverlinho 

O elo entre canto de pássaros
libertos no céu...
E  a natureza capturada,
um troféu

O elo entre o mais sincero
e desinteressado amor...
E a dependência química
pelo computador

O elo entre o tempo em que crer
 era simples assim...
E o tempo em que a indagação
não sai de mim...

Natal nas lojas de departamentos

Natal dos lojões,
Natal das multidões...
Grandes promoções,
aglomerações...

Quantos amamos
-indagamos
Quanto por isso pagamos
-contabilizamos

Zilhões de artigos,
raramente presépio...
Cartão de crédito,
e lá vem presepada!

O layout do

hipermercado
Deixando cérebro
desmiolado...

Tantas novidades,
fazendo de entulho, 
o que eu já tenho...
Consumismo ferrenho!

Muitas compras,
menos meditação...
É tudo o que deseja
capitalismo cão

Natal das promessas
de momento...
Ano que vem,
o reaproveitamento

Natal dos sonhos
irreais...
Ano que vem,
mais Natais

O Natal daqui a quinhentos anos...

Natal no futuro,
Natal na Praia do Futuro...

Natal dos efeitos da transgenia,
dos cadáveres de acefalia...

Natal do planeta desértico,
do poema antipoético...

Do final que não sai de mim,
fim do elefante de marfim...

Natal das consequências finais,
Natal nos lares espaciais...

Natal da lenda amarelada,
Natal dos contos de fada...

Natal dos corações arrefecidos,
Natal dos bons tempos idos...

Natal do futuro nebuloso
-pois o jornal, calamitoso

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Natal em família

Natal pleno,
família congraçada...
Que esse folguedo
não seja marmelada...

Já vi Natal
pra branco e rico
Já vi Natal,
só mexerico

Convite que não chega
ao tio humilde...
Empregada sem convite,
dona Clotilde...

Se é gay, 
não entra na festa...
Sem emprego,
também não presta...

Natal apenas
pro bem sucedido...
O Nosso Pai
 teria suspendido

Natal (já vi),
da discriminação...
De dar tanta sobra
pro cão...

Natal é família,
família se acolhe...
Natal é estupidez,
que se tolhe...

Natal no lixão

Natal banal,
meio de lixo
Sapato furado
seria um luxo

Natal no lixão
forra o bucho
Atiça lombriga
do gorducho

Caco de boneco,
e é guri feliz
Caco de vidro,
e é cicatriz

Velho e moço
no mesmo caldeirão
Brigando por sobras
urubu-ladrão

Campo de guerra,
campo minado...
Jesus visse,
teria chorado

Um ar
cheirando a cola...
Natal no lixão
não rola

Sopão de Natal


De norte a sul
da terra Brasilis,
mãos caridosas
enchem cantis...

Cortam batatas,
temperam macarrão
Floresce no Natal
esse botão...

de rosa rosada
corada de amor:
doa ao miserável
sopa, cobertor

Oferece ao drogado
palavra de conforto
Jesus ressuscitou 
um morto!

De Natal em Natal
elas aparecem...
Almas boas
que se compadecem

E do céu descem,
pra aliviar a dor...
Dos que mutilam
seu cerne sonhador...

De leste a oeste
das terras brasileiras...
Jesus nascendo,
de várias maneiras...

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Natal do plantonista

O mundo não para,
o tempo não 'spera...
Louco tudo gira,
nessa 'sfera

Dias e noites,
diferença faz?
Se em hospitais
o Natal jaz...

Jatos ruidosos
que rasgam o céu...
Seus pilotos distantes
das coisas do Céu

Bomba o movimento
na delegacia...
Passou batido,
o Lírio-de-um-dia

No ponto de táxi,
por detrás do volante...
Não se viu Lume
-meteoro radiante

E anexo ao pomposo
arranha-céu...
O que se passa
no homem-ilhéu?

O bombeiro de plantão
salva o suicida,
que a Rosa não avista:
 execrável vida!

Os ossos do ofício,
pião desatinado...
Resta beber
um café encorpado

O Natal no planeta Marte

Que Natal zen,
o de Marte...
Puro, sereno,
sem morte...

Sem delegacia,
ninguém dá parte
Do crime que não ocorreu,
em Marte...

Sem gente alguma
pra fazer arte...
Segue a Noite Feliz,
em Marte...

Sem humanos,
nenhum embate...
Nem trabalha,
a equipe do resgate

A comiseração
vem à la carte...
O matadouro invisível,
sem abate

E tudo à paz 
tende em Marte...
Visão de guerra,
só em sétima arte

Eu quero em Marte,
Natal que vem...
Sem mertiolate
e belenguedem

domingo, 10 de novembro de 2013

Natal esquisito

Tá estranho,
esse Natal...
Comércio vazio
em Portugal

Que insosso,
esse Natal...
O feijão tá ralo
-nem colorau

Crise brava,
esse Natal...
'spiritual, 
financial

Não chove há meses
em Natal...
Não neva nada
em Montreal

Cartão algum,
a vista real...
Só ilusório,
no virtual

A violência
ao urutau...
Insolência,
coisa e tal...

Êta Natal,
banal que só...
O poema idem
-de dar dó

Tá utópico,
esse Natal...
É que o povo,
tá no sal