quinta-feira, 26 de junho de 2014

O que levou a seleção do Irã de 2014 a correr atrás da bola?

Não, o poema
não quer lamúrias...

Não, o poema 
não quer as sombras...

Os persas amargos,
o poema não quer...

O poema quer as
glórias, os grandes feitos...

Os heróis querem
poemas, e as grandes coisas...

O poema quer a rosa,
e o cantopássaro...

O poema quer a paz,
e a doce lembrança:

era copa de 98,
e ódio-tempo:

o Grande Satã
e os eleitos de Alá

(leia-se EUA e Irã),
arqui-inimigos...

Todo mundo apreensivo,
pois os bonitos,

iriam se confrontar
na segunda rodada!

O leitor, será que crerá
no milagre da pomba

pueril e livre,
feliz nos ares?

Crerá (será) o leitor,
nas flores ofertadas

da Ásia
à América?

Nos apertos das mãos,
nos abraços fraternos,

cristãos e muçulmanos,
se fiaria o leitor?

Nas fotos que uniram
dois brasões adversos,

duas bandeiras hostis,
dois rancores em flâmulas?

Imaginarias tu,
que esse sonho, futebol,

servindo chás aos Xás,
gestos de humildade?

Essa arte de amansar
as espécies contrárias,

seu gesto de apaziguar
as guerras em campos,

afiançaria
o leitor,

bola travando acordos
de paz e nucleares?