terça-feira, 30 de dezembro de 2014

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Perspectivas 2015

Melhor pensar em 2016,
juro procês...

Que os juros ano que vem,
saudades de trasantontem

A propina do companheiro
ferrará petróleo e alcooleiro

Nosso pibinho franzino,
e o chinês, pançudinho...

Se o caldo tá osso,
'inda mais insosso

Se do poço, no fundo,
'inda mais profundo

Fala em seca a vidente,
evidente que não mente...

E a Amazônia-insônia
-previu Rondon em Rondônia

Pensar nas Olimpíadas,
nas oliveiras do Olimpo...

Ouvidar o que se prometeu,
nada e nunca se deu...

Eu aposto, até gosto
desse papo do Papa:

aceitará casais,
todos hormônios sexuais...

A paz reinará na metrópole
-na necrópole

Ácida a vida como uva
dançará sem chuva

E na merenda da alunada,
predominará bolacha quebrada

O ano vindouro, enfim,
só a base de gim!

domingo, 28 de dezembro de 2014

Arrumação de final de ano

Lá vai pro saco
a roupa velha
e sandália desgastada...

Lá se vai a mochila
do filho, ainda boa,
mas quão rápido enjoa
essa garotada!

Vai a farda escolar
-será pendurada à lixeira,
alguém vai levar...

Descartar a coisa usada,
mas ainda não abusada...

Doar a alguém com filharada,
gurizada enfileirada...

Cacareco que eu vacilo
em botar pra circular...
Tranqueira que chinês e mídia
vem me empurrar...

Desapegar de tudo isso,
brigando com minha cobiça...

Mas graças a essa "justiça",
é que as indústrias sacolejam:
as sacoladas do Natal 
e de ano, as de final
 

Mas tem um treco, um troço,
um trem, isso tem...
Que me incomoda além
desses meus tarecos...

Ajudarei o "cumpanheiro"
a faxinar também

Botar fora essa lorota
(veja bem, tu nem meu bem) 
de que traquina pública é privada,
e quem mete a mão na paçoca
ainda se dá bem...

Só que dessa vez, entraste bem!

sábado, 27 de dezembro de 2014

O Homem do Ano

O homem do ano
A mulher do ano
O jovem do ano, 
o ancião do ano,

é um brasileiro,
de qualquer gênero
Poderia, um cidadão,
de pé no chão

Quiçá seria,
bom cirurgião
Uma dona de casa...
Ou seria o Tostão?

 A persona do ano,
se eu não me engano,
mora no Oiapoque,
mas nasceu em São Roque

Tem sotaque misturado,
cor de coco queimado
O homem do ano
não é bitolado

Vota pela ideologia
e não ' fisiologia
Não o fisgam pelo estômago,
mas pelo âmago

O homem do século,
homem do milênio,
não fraqueja ante propina
nem propinoduto

Não tolera fanatismo
e mau-caratismo
Nenhuma força, electromagnetismo,
dobrar-se-á, charlatanismo

Saca o companheiro
do Rio de Janeiro
onde quero chegar,
mas eu vou pelo ar

Jogando ao vento
palavras soltas...
As águas revoltas,
golfam revoltas!

O homem do ano,
e eu não me engano,
não atura
atual falcatrua!

Votou e perdeu
mas conta se deu,
quem se escafedeu:
tu, ó Zé Bedeu...

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Retrospectiva 2014

2014, um ano para se lembrar...
ou não

"Beijinho no ombro" e "lepo lepo"
-dê-me um tampão

Os sete a um, dentro e fora de campo
-gol do alemão

 O atentado aéreo funéreo
-sem perdão

Os aviões sumidos, 
sofrido abdução?

O de sempre, o de praxe...
Olho do furacão

A enchente, a seca
A onça em extinção

A justiça que se arrasta
E o arrastão

Bernardo pediu socorro
Virou estrela e canção

Gabriel Medina tirou onda,
onda de campeão

Eduardo Campos do Brasil:
desistiremos não

Funkeira, palhaço, ladrão
Foi-se mais uma eleição

A fome venceu o voto
Dispersaremo-nos não

A grana jorrou solta,
oleoduto do petrolão

O companheiro, pra variar,
jurou de pé junto que não...

Mais um ano de vista grossa,
alienação!

As selfies encheram o saco,
enfeitaram o pavão

Nosso português sofreu nas redes
um apagão

O Ísis, que espalhou terror,
ganhou caixão

Na Síria, primavera árabe,
ar de pólvora, trovão


Na terra da guerra, e é Gaza,
nação em laceração...

Suassuna, Garcia Marques
Manoel de Barros, João

Ubaldo Ribeiro, Rubem Alves...
Todos constelação

Fofoca de socialite
nem dou atenção

Mas o Pelé, novinho em folha,
meu campeão!

É, 2014, um ano pra se esquecer...
Ou não

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

A seguir, poemas sobre o Natal de 2014


Vá, Natal...

Vá Natal...
Leva as relações humanas
desumanas...

Vá Natal...
Leva a minha bondade
centesimal...

A sua estrutura
comercial,

leva

A alma focada,
vil-metal,

lava

Vá Natal,
leva  essa confraria ocasional

Seu brilho fugaz:
ornamental

Seu peso no bolso
e estomacal

A minha fadiga
(vá, Natal...)

Seu mor-delito,
pecado capital:

a de trocar o Cristo
pelo cristal

 

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Natal made in China

Piscina de plástico,
tênis, roupa...
Não engana a etiqueta:
China, Índia, qualquer outra...

A blusa branquinha
pro novo ano,
tem cheiro de algodão do Brasil...

Matéria-prima que escoa,
sem perceber, partiu!

Ganhei uma batedeira de bolo,
e um celular Samsung

Eu não queria rimar sangue-suga
mas o empresário chinês
em cima do trabalhador,
sordidez

O poema não é tese
A poetisa não é economista
Mas o que traz aquela etiqueta,
anti-nacionalista!

Assusta-me que o picolé
gostoso, de cajá e açaí,
tem procedência estrangeira
-mas era de Jataí

Sabe-se que a infra-estrutura
no solo brasileiro,
meu companheiro,
não chama dinheiro...

Sabe-se que impostos,
e velhos portos,
e legislação ultrapassada,
e mais trapaça, e tropeços,

pesaram nos nossos preços...
E mesmo sem apreço,
e na consciência um peso,
eu falo num celular chinês...

E desemprego o brasileirês

É Natal? (número um)

Silvam harpas angelicais

Abafam brados infernais...

É Natal?



Natal glorificado em mim

ofusca o cordeiro de sangue carmezim...

É Natal?



Esfomeados excluídos de cear

Famigerados a lubridiar...

É Natal?



A fé no mensageiro a derrocar

Tormentas revoltam o mar...

É Natal?



Natal forjado em coisas aéreas,

Natal torneado em formas etéreas...

É Natal?



O sol em apogeu solsticial

desbota a vereda nirvanal...

É Natal?



O príncipe da manjedoura

trocado por um boneco de sal!

É Natal?



Brilha a bola de cristal

Turva a estrela divinal...

???

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Cancelando o Natal

Melhor cancelar o Natal
Passar a noite, sobreviver ao final...

Com torresmo e bucho animal,
é melhor cancelar o Natal
(a caristia do bacalhau)

O sossego da noite natural,
ofuscado pelo brado infernal
(ritmo brega, coisa e tal)

O pássaro não ressona, afinal,
é Natal...

É  melhor cancelar
o comércio ilegal

Na 25 de Março,
No 25 de Dezembro...

Prefiro a paz sideral, abissal...

Salvando o meu cartão,
desse bacanal!

Natal no automático,
servindo ao capital...

Natal efervescente,
na remissão do sonrisal...

É de Jesus, o Natal
-mas vem Noel e bau-bau

Lotou o pronto-socorro
-embriaguez, o metanal...

Sim, é melhor cancelar o Natal...
Que alívio se sente, ao seu final!
 

É Natal?(número dois)

Parcelado de doze vezes,
'té o próximo Natal...
É Natal?

Criança fora da escola
em plena era do pré-sal...
É Natal?

Eu vi uma estrela brilhante,
mas era lixo espacial
É Natal?

A companheirada usurpando...
Faltou seringa no hospital
É Natal?

Balsas pesadas chegando
Fechando a indústria nacional
É Natal?

Brilha Noel no shopping,
Jesus ficou no curral
É Natal?

Impostômetro impostor!
Leão feroz, eu to no sal
É Natal?

Madrugar pra pagar a bolsa
do parasita social
É Natal?

A fome é de justiça
O pecado é capital
É Natal?

A vida bomba na paz
-mas isso é rede social
É Natal?

Poema sem poesia:
o homem é de neandertal
É Natal?


domingo, 21 de dezembro de 2014

Natal sem crise

Natal sem crise
no terno do eterno
recesso do Congresso
-sem popular acesso


Natal sem crise
nos cartões corporativos
companheirativos
e corruptivos


Natal sem crise
na mesa farta
que nada falta
dos que nos fintam


Natal que jorra água,
petróleo, óleos...
AquEla lá não verte
água dos olhos!


Natal dos que fingem 
não perceber...
Que a grana é do povo,
nem só dela  -lê-se você


Natal, essa flor 
tão esporádica...
Desabrocha nos cartões,
de forma sádica


Noite feliz, não fosse
só comercial...
Se larápia não fosse
a mão malandra do Lalau



Papai Noel nesse ano

Que bizarrice
esse Natal...
O Noel em malabaris,
no sinal...

Fazendo hohoho
e uns trocados...
Garantir as bugigangas,
' seus afilhados...

Saco vazio,
o do Noel...
De saco cheio
do escarcéu

lá do Congresso
do vil-metal...
Avultaram seus salários,
bem no final...

Noel e seu aumento:
40 mangos...
Compraria, na xepa,
uns dois frangos?

Self com criança,
Noel anda cobrando
(pagar SABESP)
E o mundo acabando!

Noel diferente,
ele nem sorridente...
Quem repartia o pão,
com o indigente...

O bicho pegando,
Noel justifica...
O emprego escasso,
e a larica

 deixaram mesquinho,
o rival de Jesus...
Ele  clama justiça:
na fila do SUS,

desassistido,
vê Natal sem sentido,
o ex-bom velhinho
só vê torvelinho!

No país da propina 
infernal,
a esperança perdeu...
Isso, Natal?
 

Natal 2014

Meio capenga, mas vem...
No vermelho, ei-lo porém...

No ano atípico
Natal apático

Natal do crédito fácil,
do dinheiro difícil...

Natal dos juros altos
(jura o governo que não...)

O saco do Noel vazio,
e as meias na janela, levaram...

Natal sem presépio,
Natal-presepada!

Tal petróleo o dinheiro
jorra, mas não vi a cor...

O partidário brinda a 
vinho, trocentos anos...

E o pobre lambe os beiços:
os pés dos frangos...

Que tal esse Natal,
de damasco a 60 pau?

Que paulada é essa,
batatal sem bacalhau?

Viste o IPVA de Janeiro?
E o IPTU de fevereiro?

Arrancam o couro do brasileiro,
mas não o do companheiro!

O Natal é de Jesus,
mas ofuscam Sua luz...

O Natal é da humanidade,
houvesse fraternidade...

Cadê os meninos dos corais?
Estão nas redes sociais

Onde tu, ó estrela guia?
Mas quem pro céu olharia...

Pra que um boneco de neve,
por que uma prece tão breve?

Por que a morte à mesa,
o bicho não teve defesa...

Natal que revela falhas,
filas, fuleiragens fabricadas

na China, que aquece sua 
economia e derrete o planeta...

Eu ligo a tv, e o David Guetta
do Natal roubou a cena...

Sem aroma da extinta açucena,
eu saio de cena!

O Natal já foi especial, 
sentimental, quase vital...

Mas Natal de 2014,
meus brasileirinhos,

a mesa sem crase, na crise,
e pelas cruzes que conduzes,

tem nem cheiro de Natal
essa saca de puro sal!