terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Natal made in China

Piscina de plástico,
tênis, roupa...
Não engana a etiqueta:
China, Índia, qualquer outra...

A blusa branquinha
pro novo ano,
tem cheiro de algodão do Brasil...

Matéria-prima que escoa,
sem perceber, partiu!

Ganhei uma batedeira de bolo,
e um celular Samsung

Eu não queria rimar sangue-suga
mas o empresário chinês
em cima do trabalhador,
sordidez

O poema não é tese
A poetisa não é economista
Mas o que traz aquela etiqueta,
anti-nacionalista!

Assusta-me que o picolé
gostoso, de cajá e açaí,
tem procedência estrangeira
-mas era de Jataí

Sabe-se que a infra-estrutura
no solo brasileiro,
meu companheiro,
não chama dinheiro...

Sabe-se que impostos,
e velhos portos,
e legislação ultrapassada,
e mais trapaça, e tropeços,

pesaram nos nossos preços...
E mesmo sem apreço,
e na consciência um peso,
eu falo num celular chinês...

E desemprego o brasileirês