quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Os poemas seguintes tratam do tema: Retrospectiva do ano de 2015

Retrospectiva nacional e internacional

O incêndio no museu da Língua Portuguesa

Chacinada faz tempo, em rede 
social, e agora chamuscada...
Língua do latim latina judiada
sem o museu, minha rede

sem parede...Deu-me sede,
língua presa, língua grudada...
A Estação da Luz tostada,
a prosa decifrada, quede?

Vede vós, leitora e leiturista,
era digitalizado o acervo,
do patuá nacionalista...

Mas eu, como um cervo,
sem gozo na chama fatalista,
sem livro a que deus eu sirvo?

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

35 anos sem Lennon

Acreditar que os sonhos não morrem,
e louco algum, irá sepultá-los...
Nos óculos redondos nos aros,
e nas flores que não se colhem,

acreditar que os sonhos não morrem...
Alguns são capazes de estampá-los:
as camisas e os galopantes cavalos,
que livres das batalhas, correm...

Nossas mãos vão se entrelaçando,
nossas cores são variadas... 
E os sonhos se transfigurando,

pois as massas, já desarmadas...
E as negras bandeiras, se alvejando,
mas que teimosas, as utopias legadas !


domingo, 20 de dezembro de 2015

Inezita Barroso

Sobre um velho lampião de gás,
e as coisas simples da terra...
Nossa raiz, lá do alto Ela rega,
ó quanta saudade, você me traz!

Sua bandeira, do Divino e da paz...
Café tão bom, ao pé da serra...
Minha rainha? Não da Inglaterra,
ó tanta saudade, você me traz !

Inezita, quisera eu poeta,
pra lhe rimar gratidão,
minha sabiazinha dileta...

A tua viola e o teu violão,
hão de lhe vivificar eterna,
ó meu luar do sertão !


sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Personalidade do Ano

Bate palmas e urra,
meu complexo de vira-lata...
Pela sua coragem nata,
e sua falta de firula...

Todo lobo uiva,
diante da lua de prata...
Diante da paz em Gaza,
álacre o tambor rufa...

Angela Merkel, obrigada
pela sua curta madeixa...
Tua modéstia me agrada...

Nem a doçura da ameixa
à tua índole semelhada...
Miúda a imigrante a beija...


quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Marília Pêra

Marília Pêra, maçã, doçura...
Mulher-trovão que o palco
estremeceu... Deixaste vácuo,
astro da mor-envergadura...

Ás que, na atual conjuntura,
desmantelou-nos o caco...
Nunca mais seu balacobaco,
sanando minha rasgadura!

Ela eleita, pra ser especial...
Ela eclética, numa grã-fina...
Noutra ela, travessa bossal ...

Dalva estrela ilumina,
ó elegante aurora zenital...
Em luz é que tudo culmina !

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Brasil rebaixado

Brasil, meu povo, que humilhação!
Ser rebaixado, e fama de caloteiro...
O país não é ilha, veja bem, dinheiro
de gringo faz falta sim: opinião

de economista, é que a corrupção
é reflexo -mal cheiroso chiqueiro...
A briga por lugar: mais alto poleiro,
podre pau que medalha a fruição...

De incertezas, o cenário
desdoirando o horizonte...
Eu ando tão temerário,

terá meu rebento fonte
pra suster seu canário?
A tocaia pra crise, onde?

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Ano da safadeza

Não, nunca tanta corrupção!
Nunca se viu tanto esquema,
até em mina de sal-gema
mete alguém, a leve mão...

O povo, no humor do limão...
Eu levanto com a siriema,
passo a omelete sem gema
pra sustentar petrolão!

Eu cansei de ver jornal,
a farinha do mesmo saco,
os da Casa de capital...

Ponho a viola no saco,
por esse pecado mortal:
só no sofá dou pitaco...


domingo, 6 de dezembro de 2015

Gente que não larga o osso

Por que os anos são iguais,
e as notícias se repetem?
Por que as águas dos mares
os mesmos lumes refletem?

Por que os homens não crescem?
Sua evolução cavernóide...
Aranhas menos teias tecem,
eu li num certo tablóide...

Por que nós sempre os mesmos,
aceitando corruptibilidades?
Por que assinamos os termos,

e os lemos pelas metades?
O companheiro e sua teima:
por que tuas nulas verdades?

Impeachment!

Porque o Brasil não é em Cuba...
Porque a imperícia, imprudência..
Porque o fim da paciência;
inadimplência dos manda-chuva...

A raposa levou toda a uva,
usando luva, com recorrência...
E o companheiro ainda pensa:
fora a velha formiga-saúva...

Impedi-La de detonar
nosso comércio e geladeira...
Impedi-La para sonhar-

mos (a gente que, sem eira)...
Já se cansou de remediar,
tapar o sol com a peneira !

2015 e Fernando Pessoa

Esse ano e suas marcas...
Ano mais aquecido no ar...
E frio, no cerne desse muar...
Ano das vacas magras,

ano de viragem de barcas...
Quiçá esse ano irá torar, 
antes de terminar,
o ciclo das mentecaptas !

Minha impressão, talvez,
mas esse tempo ausente,
não é a bola da vez...

E a gente se ressente
de fininho, mês em mês,
saindo pela tangente...


sábado, 5 de dezembro de 2015

Ano da vigarice

Personas non gratas
aqueles das gravatas
de cinco mil real
E de aluguel social

Eles tem um pré-sal
nalgum paraíso fiscal
Mas deu branco geral:
tomaram gadernal...

São todos "inocentes"
e chegando ao xilindró,
"dá dó", pois doentes...

Esse ano que finda,
há de vermos ainda...
Malandréu levar tinta!

Estado de Choque

Quando hastearam a bandeira negra,
assombrou-se a humanidade...
Decaptaram a liberdade,
homens da flâmula caveira...

Quando hastearam foice e faca,
estremeceu a civilização...
Silenciaram a oração,
e a velha cantiga sacra...

Quando hastearam o ódio,
o anti-cristo nasceu...
No mais alto do pódio,

o fanatismo pendeu...
Tão sinistro este episódio,
que a roseira, seu botão escondeu...

A morte de Yoná

A Estrela singular se apaga...
E o leitor não torça o nariz,
se o soneto é versador de atriz...
Mas cometa igual, só a cada

mil anos por aqui perpassa...
Se novela é indigna de bis,
tal cintilação, digna de tris...
Amor com Amor se Paga !

Yoná Magalhães, professara...
Aula de vida e fibra
-confessara o filho

Brilho que fulgura 'inda
n'alma emoção infinda...
Generosa Yoná, e linda...


sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Albatroz ancião

Não, hoje eu não quero o poema
chafurdando, lama de corrupção...
Hoje o soneto não almeja menção
-o gás fétido do sistema...

Um albatroz...Seu vôo de cinema !
O companheiro, que à depravação
se acostumou, seu mor-Canastrão,
e co'o arrastão em su' Ipanema,

não vira a notícia do aniversário,
64 anos do albatroz Wisdom,
não, ele não vê no noticiário,

a ave de encantar, e o seu dom...
No puro azul, supra-partidário,
oh...Deus do mar, Poseidon !


quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Os imigrantes

Aquele formigueiro humano
se deslocando... Um final
de segunda guerra mundial !
Imagem que afigura o ano

Que nem o povo cigano...
Fadiga nas costas, na qual
resguardada num bornal:
um documento, e nenhum plano...

Uma velhinha centenária
carregada no colo...E uma criança,
em urna funerária...

Estirpes em desaventurança:
´pelo deserto que seca a dália...
Ou no mar ,que venturas balança...

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

economia de guerra

"Esqueci" de pegar as contas
na caixinha dos correios...
Sabotei assim os aperreios,
ta difícil segurar as pontas !

Eu cortei o atum das lontras,
e sabe onde eu botei os freios?
Em meus sonhos de veraneios,
na Ilha-do-faz-de-conta...

Na terra do pibinho anão,
eu comi o farelo do pombo,
chupei manga esse ano não...

Paguei o quiproquó do rombo,
enquanto os dos três oitão,
seus pés-de-meia num Congo...

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

caneta de luto

Quando se vai um chargista,
mais ilegível o universo...
Eu teço triste o verso,
sem psicanalista...

O traço do minimalista,
na criticidade, imerso..
Quão  'spírito perverso,
quem quebra a ametista!

Je suis Charlie, o mantra,
decodificando-se: amor
à liberdade sacrossanta...

Se o traço é instigador,
vá, enervado, te levanta!
Mas não carecia terror.


segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Zika vírus

é o fim da picada!

Não é picadinha de abelha...
É ferroada de Aedes:
dengue
chicungunha...

mais zika ferrando
a vida da gente
que já ta ferrada

Nesse tempo
de global aquecimento
e moral arrefecimento,

é o fim da picada!

E não é de formiga vermelha
É picada de gente,
se diz civilizado
Uma malária,
essa cobra de dois pés peçonhenta!

É o fim da picada!

Já não bastasse o homem
e sua ferradura,
e todos os mosquitos
ferradores já classificados,

vem Zika vírus, 
a gota dágua!
Estreitando as cabeças
justo de quem
As caixas careciam
alargadas...

É a picada do fim!

Já não bastasse o inimigo 
visível, captado por câmeras,
monitoramento, receita federal
e vizinho fofoqueiro,

junte a essa lista de vilão
não o escorpião,
mas um Zika vírus
rasteiro e abjeto
que a vida atazana...

É o fim da picada.
E é fichinha a ratazana.

domingo, 29 de novembro de 2015

salames e salsichas

gente que nem bem se alimenta
agente

de câncer
-salame e salsicha. Ah, presunto.

O assunto tomou conta das mesas
redondas

Redondamente enganados nós,
as presas

das empresas
Percebe-se, as ditas calabresas

levam um s...
Botaram quente na propaganda

propagando que saúde, saara, assedia:
sadia energia...

Meu arqui inimigo: 
aditivo de embutido

Química industrial letal,
eu to no sal !

Quem avisa é ANVISA
Ops! OMS

A gente que não é bobo nada
mas é piaba

na rede do supermercado
cai na cilada

Na padaria, no açougue aqui do lado
fisgam-me viciado

Gordura, açúcar, sal,
aplaude a usina

(assassina)
E tudo acaba em morfina.

sábado, 28 de novembro de 2015

O bombom do delegado

Notícia que causou
um baita alarido:
a faxineira que havia
um chocolate comido

Foi em Roraima
foi num outubro
A empregada,
rosto rubro:

que humilhação,
coitada! Indiciada
a brasileira, e por pouco,
desempregada...

Por pouco,
foi por tão pouco,
foi por fome,
uma vontade...

Comer o que
o rico come,
tanto crime,
cruel maldade?

E quem nessa vida
deslize não cometeu?
Santo todo mundo,
o cristão e o judeu?

O salário da pobre,
mínimamente não cobre,
 um nobre manjar
desse patamar/paladar...

Boletim de ocorrência
foi gerado, e o delegado,
o supremo, o "douto"
o potentado,

serviu-se de sua
brasiliana autoridade...
Zeladora que comeu
o doce da austeridade

virou caso policial...
O país é impunidade,
e o "crime", federal:
o de lesa- majestade!


quarta-feira, 25 de novembro de 2015

a alta da energia

Apagão no Brasil:
de idéias, de ética,
água, eletricidade...
Linguagem poética

alguma dá conta
dessa monta...Em 
meio a crise, 
e politicagem,

a conta no final
do mês não fecha!
Uma flecha
em meu peito!

Aquele eleito
culpa a seca,
a luz acesa,
a cabra montesa,

mas incapaz 
de pensar verde,
pensar sol,
pensar vento...

Invento uma
energia com a 
casca da melancia,
daí se inicia

uma era nova
uma nova trova
uma boa-nova...
Gabiroba

bonita cresceu,
a lua nova 
se encheu,
e você e eu

aqui, sonhando 
singelo: 
carregar celular
no sol amarelo...


terça-feira, 24 de novembro de 2015

os casos de microcefalia

Criança,
sua infância no leito...

Criança,
seu olhar ao longe...

Pela janela, a chuva espia...

Como um pássaro preso,
criança...

Sob piedosos olhares,
ou não...

Sob o cuidado dos pais,
ou sim...

Sob o ventre materno,
refúgio...

Quem há de lhe guardar,
minha criança?

Dos carros brutais
assassinos...

Igualmente crianças
se drogam...

Quem há de lhe guardar
do tempo?

Amores levando,
folha ao vento...

Quem há de lhe salvar,
criança?

Se a amplidão de amor,
no momento

desabrochamos lírio:
lento, lento...

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

ódio.com

(sobre a crise espiritual
educacional, ético-moral
que ebolizou
na rede anti-social)

Já reparou o leitor,
já se espantou e chorou
ante ofensa, injúria...
Quem nunca levou

uma patada, um coice?
Descarrego de ódio!
É a catarse explosiva,
lugar mais alto do pódio

Esse ano, mais um ano
recorde na insulta
Ser mulher, ser um negro
feriu norma culta,

o desamado que na net
despejou seu furor...
É covarde quem destila
veneno de bolor

Palavras intolerantes
nos pegam de surpresa...
Onde o debate sadio?
Cadê tu,ó sutileza?

Esse canal de escape,
seção de descarrego,
tudo registrado na rede, 
isso não é brinquedo...

Distribuir a fúria
atrás dum computador,
não resolve problema
(melhor, pescador)

Eu que já tirei
o meu time de campo...
Não comento mais:
quieta no meu canto


domingo, 22 de novembro de 2015

Notícia que não deu

Não deu no Jornacional
no R-8 não deu

no facebook não leu
no faceboca talvez

O rio Araguari...
Quem se importa co'as
notícias daqui?

Ele doce também,
o Araguari...
Criatura do bem

Sustém este provedor,
pai Araguari...

 Seu leito, seu leite
oferece vigor...

Sua mão, nossa mãe,
ente sustentador...

Araguari,
chora sua morte o rebento !

Cadê seu provento?
-lancei ao vento

Os peixes valem menos
no Vale do Norte !

Pouca sorte
no Vale de Marte,

Araguari sem peixes
sem redes
com Aedes

Araguari sem norte...
Seu fraco passaporte

na mídia, 
sem quem se importe...

sábado, 21 de novembro de 2015

Poema da lama

Eu queria lhama

Mas na real, é lama

Eu queria lima,
a laranja

Ou um leme de barco

um lume de luz

um lema,  um livro

Mas me grita o poema;
lama!

À lama...

que muda a cor do rio...

A lama

que soterra os sonhos...

Lama

que respinga nos retratos...

Eu queria uma lama
onde brincam porcos

Mas são Corpos,
emporcalhados de lama!

Quisera eu o barro, moldando
panelas
baianas
jarros
toda sorte de artes...

Mas são malditos barros,
amálgamas de mercúrio e sangue!

O barro: 
início e fim,
a origem e o destino,
base e esteio...
Mais o cheiro bom de barro,
que co'a chuva vem...
O barro do barroco,
o Barros de Manuel,
o barro do joão-de barro...
O anagrama de lama é alma,
dá-lhe poesia!

Mas não, são aflições de berros,
lá vai a lama, já se foi Mariana!
É barro vazada das mãos dum burro,
barril de lama tsunami
barrigas inchadas de radio-
ativos bários,
rubros barros,
bóiam os bagres,
berram os bambinos,
birrenta eu, 

pelos malditos barros,
fundidos de cobiça e lapso!


Ano do medo

Paris não foi ao Louvre

medo

Alemanha não foi ao estádio

medo

Bélgica não foi ao metrô

medo

Brasil foi, mas com

medo

Quem foi e não voltou

medo

Quem se arrependeu de ir

medo

Quem nasceu e viu

medo

Quem se fingiu de morto

fui eu

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

O garimpo da Serra da Borda

Me chamou atenção
especialmente

aquele garimpo,
aquela gente...

Sete mil pares
de olhos, atentamente

atrás do naco glorioso
reflavescente...

Eram sombras de homens
e acrescente

um ancião aos setenta,
sem dente...

Obviamente, de Marte
e morte, o ambiente

Nem formigas são tantas,
como a gente...

Gritos se ouviram,
notícia quente:

achou-se o ouro
-ou mulher saliente

Mas aquela sombra de
homem, que prepotente!

Mesmo cinzenta, poeirenta,
sem silhueta imponente,

arenizaram a terra,
sucumbiram a semente...

Era Saara na selva.
E foi de repente.

O ano do Je suis

Je suis Charlie
Je suis Paris
Je suis Mali

Je suis o país
Je suis os pais
de família sem emprego

Je suis os homens de laranja,
meu Deus,
Je suis, Je suis!

Je suis os elefantes do Zimbábue
Je suis os peixes, 
era Doce o Rio...

Je suis os negros, e são jovens...
Je suis nossos meninos,
que partem tão cedo...

Je suis os micro-
encefálicos
Não Je suis os de mente pequenina...

Je suis os meus amigos
nas mãos dos inimigos

Je suis os muçulmanos,
são plácidos, pacíficos...

Je suis minha pele
Je suis minha prole

Je suis o poema
temeroso,
sobressaltado

Je suis o povo
que espera, espera,
o Messias...

Je suis o sideral,
espaço de lixo...

Je suis 

Je suis 

Charlie 
Je suis...