segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Caminhava Anchieta,
ia sem cansaço...
Era o corpo frágil,
e seu espírito, aço

Trabalhando sempre,
sempre com afinco...
Almejando o amigo
índio, ao infinito

tempo, eterno tempo,
sonho coletivo...
Onde é dispensável 
o fel do laxativo

Caminhava Anchieta
nas costas daquele Estado...
Onde qualquer mortal
queria ter estado

Natureza nirvanal,
gente afável...
Mico no ombro,
e água potável

Caminhava Anchieta
nesse cenário...
Mas aproveitava o Santo
o itinerário,

pra criar persuasivas 
peças de teatro
(pediam os índios
bis ao Beato)

O palco ornado,
bananeira e sapé...
Atuavam os curumins
nas dunas d'Ulé:

ressurreição, vida,
e peleja na cruz...
A missão linda,
nosso Cristo Jesus...

Convertia o Padre,
o nativo inocente...
Pro destino que
achava mais pertinente

Era conversão, 
mas sem força coercitiva...
Era tenro e suave,
o azeite de oliva...