sábado, 28 de março de 2015


Je suis Anchieta...
O Brasil pra brasileiro
E garoa, pra um Janeiro

Je suis Anchieta...
Lâmpada  pra escuridão
E rima, pra um refrão   

Je suis Anchieta...
A castanharia pra arara
Ao homem, a atitude rara

Je suis Anchieta...
Caminhando ao sul
A praia era de Ubu

Je suis Anchieta...
Rubro-celeste sacro-manto
Meu Espírito Santo!

Je suis Anchieta...
Caminhar não simplesmente:
andarilhar contente

Je suis Anchieta...
Terno o colo da Maria
Tal Setiba, a calmaria

Je suis Anchieta...
Posto que sem o Santo,
posto que o desencanto...

Je suis Anchieta
Je suis Jesus
Je suis alva luz

Je suis Anchieta...
Portentoso cometa
Mudara o curso do planeta!

Je suis Anchieta
Je suis Charlie
Je suis Dali

Je suis Anchieta...
Je suis
           Anchieta...

quinta-feira, 26 de março de 2015

Eis que vem Anchieta,
quebrando vento vem...
Mostrar caminho das pedras,
Estrela de Jerusalém...

Eis que vem o Anchieta,
crente que para além...
Do éden capixaba,
Ele, o Matusalém...

Eis que vem Anchieta,
talhado de bem e de luz...
Reluz-lhe mais a petúnia:
permutará pois pecúnia...

Eis que vem o Anchieta,
nosso José do Brasil...
Para ouvir os índios,
e oferecer-lhes cantil...

Eis que vem no eterno,
Ele tão simples, sem terno...
Eis que Ele, bem terno,
Ei-lo doce, e fraterno...

quarta-feira, 25 de março de 2015

Além da lenda, 
Anchieta poeta!

Sua batina modesta,
sua empreitada complexa...

Seus votos de pobreza,
sua missão realeza...

Seu ideal de oferecer
vida de não fenecer...

Os versos psicografados,
soprados por anjos alados...

Por todos os lados,
por todos os poros...

Puros vocábulos
pueris virginais...

Pois se inspirava O Homem
nas Índias Ocidentais...

Anchieta poetava
era a gabiroba-brava!

Aconsoatara Anchieta,
na Praia da Areia Preta...

Plácida a manhã
pra rimar tupi, tupã...

Em Perocão rimaria
em exaustão, Maria...

Avante em Santa Cruz,
suas almas pra Jesus...

Ideal a paisagem,
oferecia visagem...

Andorinhada em Itatiaia,
sugestionara o Atalaia...

A bucólica Ribeira
inspirara a altaneira

faceta...Além da lenda,
de Anchieta

domingo, 22 de março de 2015

Basta Anchieta pisar na terra,
que tudo medra

Café com fé,

chuva densa,
doce uva,
Rio Doce...

Ares de mares
onde os altares
milagres atrairam
muares...

Brandura em terra
em índios
em marés
por onde pisaram Seus pés...

As obras Anchietanas

naquelas brisas montanas...

Espírito Santo!

Sankta Spirito
-em esperanto

Espírito Santo!

Donde o céu se descortinara,
e meu espanto

Espírito Santo!

Agraciado com o Homem 
que não jogara o manto

Espírito Encanto!
Justifica a brasilidade de Deus,
este recanto...

Reluz mais que Minas

e amaranto,
o Espírito Santo...

O Santo Espírito,

que inspirou Anchieta
tanto, tanto...

Mais o periquito-do-espírito-santo,

e sua delicadeza,
cor e canto...

É Anchieta pisar nesse manto

sacrossanto...
E comoção meu pranto!


sexta-feira, 20 de março de 2015

Anchieta caminha,
que frutífero caminhar...

Tem ferrão na pata de jaguar,
a se tirar...

Anchieta andarilha...
Veio de Vitória Ilha

Levaria uma apostila
com lições de partilha

Anchieta vem e volta,
e a perna, já torta...

Galegos vem chegando,
mas Inês é morta !

Anchieta peleja,
sulcar tomate-cereja...

Posto que a sementaria,
adivinha quem traria?

Anchieta trotando
todo rincão de Brasil...

O Seu auto ficou pronto,
Ele trabuca a mil

Caminha Anchieta,
expressão do amor...

A maré está baixa,
voa, Condor !

Passeia Anchieta,
a passos joviais...

Nos colossos capixabas,
suas digitais

Vem e vai Anchieta,
e é bom que chacoalhe

O leite em queijo,
naturalmente coalhe

Anchieta caminha,
que frutífero caminhar...

Pra bulir os montes,

e o mar...

quinta-feira, 19 de março de 2015

Com tudo vem,
o Anchieta...
Na Rodo-Sol,
vinho luz violeta...

Vem em fogo
que ofusca
clarão de cometa...

Mais fuzuê que corneta,
trombeta, sineta,

vem atleta
sem bicicleta
cruzando o planeta!

No seu ombro
vem borboleta
-todas cores de palheta

Erguer uma nação,
eis que vem Anchieta
(sem lambreta)

Sem o viço
de tal silhueta,
sem a fulgente
caçuleta,

eta pátria obsoleta!

E quem não se engraçar
com o Espanholeta,
com saci
tu te contenta!

Mais velha que maracujá de gaveta, 
a lenda do Anchieta,
vem vencendo ampulheta...

Posto que o Anacoreta,
quem trouxe a malagueta
-de Creta

Ó meu Anchieta,
não à toa esculpi
em minh'alma,
tua estatueta...

Ó figura dileta,
não ao léu
teus versos grafei,
na Praia d'Areia Preta...

domingo, 15 de março de 2015

Anchieta passou
na Praia da Areia Preta...
A onda não apagou,
os passos do Anacoreta

Anchieta pisou,
divinizado naco do planeta...
Por onde Ele marcou,
nem tsunami apagou

Ainda Seus pés,
ainda Suas mãos...
Numa nação erguida,
co'os  co-irmãos

Ainda Sua alma,
a Sua energia...
Gran' obra fundada
pela ousadia

Ainda seus poemas
escritos n'areia...
Estas marcas,
nem vento ricocheteia

Anchieta passou
na Atlântica Mata...
Protegeu-a,
e à lua de prata...

Anchieta passou
pelo Estado do Amém...
Ainda o vejo passando,
mesmo no além

Anchieta bolou
a moqueca capixaba...
A legítima,
a que não é peixada...

Anchieta passou
pelo litoral mineiro...
Quis morrer ali,
belo mais que Janeiro!

sábado, 14 de março de 2015

Por onde passaram
os pés de Anchieta,
brotou o coco, a jaca...
Abriu-se a violeta

Por onde passaram
os pés do Santo,
floriram poemas...
E plácido canto

Por onde passaram
os pés do Vigário,
alterou-se a bússola...
Do itinerário

Por onde passaram
os pés calejados,
ergueram-se poços...
Ao bater de cajados

Por onde passaram
os pés do Capelão,
melificaram-se as uvas...
Multiplicou-se o pão

Por onde passaram
os pés do Pastor,
pipocaram aldeias...
Rumo ao interior

Por onde passaram
os pés do Ligeirinho,
'inda trina o hino...
O canarinho

Por onde passaram,
e ainda passam,
os passos passados...
Presentes perpassam

sexta-feira, 13 de março de 2015

Que manhãs garbosas
aquelas,
em que Anchieta,
sebo nas canelas!

Que maçãs cheirosas,
sem venenos,
daqueles tempos,
plenos, buenos...

Que sonhos de poemas,
Anchietanos...
Agradaram a gregos
e a troianos...

Que auto emanava
tão densa luz...
Que efusão instigava,
o nome Jesus...

Que utopia de paz
entre o manso e o europeu !
Glória Ele ministrava:
choveu

Que tempo de graça,
em lendária paisagem...
Eu me abalei,
ao avistar a margem

onde pisaram 
os pés do Senil...
Sob a nostalgia
-era um Abril,
.
caminhara o Eterno,
com seu cantil...
Este ícone,
de amor febril

pelo Brasil,
pelo céu anil...
Zelo que índio
nunca mais viu !

domingo, 8 de março de 2015

Debaixo do lírico
e do dramático,
caminha Anchieta,
tão carismático...

Leva consigo
um doce de figo,
este Homem-ilhéu,
de Emanuel...

Caminha Anchieta,
ares poéticos...
Seus atos pueris,
sim, éticos!

Ele é de Companhia,
a de Jesus...
Relação de jugo,
não O seduz...

Na pedra bruta,
lapidar diamante...
O Céu acessível,
o Padre avante!

São tupiniquins
e os tupiminós...
É zelo de Pai,
que roga por nós...

Veja os curumins,
tão extasiados!
Anchieta os pintou,
estão agitados...

No palco a guerra
entre o bem e o mal...
Ao final tem papa
com canela-de-pau

A impressão que se tem,
são tão felizes...
O céu de Brasilis,
mais belas matizes...

sexta-feira, 6 de março de 2015

Caminha Anchieta,
pra dominar pelo amor...

Pra se encantar com canários,
e cedros de bom olor...

Caminha Anchieta, 
para louvar ao Senhor...

O tupi em salve-rainhas,
e eternais ladainhas...

Caminha Anchieta,
sem saber-se herói...

É enfermeiro de índio;
obreiro que constrói...

Caminha Anchieta,
sem se cansar de ver,

com celestiais olhos,
que a terra há de roer,

matas de doces frutos:
não se cansa de comer !


quinta-feira, 5 de março de 2015

Anchieta dos passos,
jamais passam...

Aquele que caminha
e deixa seus rastros...

Aquele que realiza 
o sonho humano

De permanecer,
ao passar pr'outro plano...

Modela a nuvem,
e é poema eternal:

Maria do regaço
bálsamo maternal...

Aquele que passa,
e arrasta consigo:

micos e índios,
seus arqui amigos...

Aquele que devolve
as conchas aos mares...

O que transpassa,
o que transpõe os ares

com azuis olhares...
São dóceis os muares

Anchieta que livra
o nativo do chicote...

E do serrote a mata,
Aquele que livra...

Aquele que avista
a jóia e não pilha...

Devoto Ele abriga
as sementes da ilha...

Aquele que sonha,
o sonho universal...

De aventar da janela,
bosque andirobal...



terça-feira, 3 de março de 2015

Lá vai Anchieta,
curvado vai...
Quem Lhe sustenta
é a promessa do Pai

Vai tuberculoso,
caminho dificultoso...
Vai sem GPS 
de Xangai/Paraguai,

Ele vai...
Sangrando em espinheiro,
galgando o Morro,
logo o do Moreno !

Velho e doente,
quase caiu... 
O Tupi o amparou
Gargalhou o Pueril

Capenga e cansado,
eis que Ele vem...
Militando índio
e pintassilgo também...

Virá pra sempre,
Quem se sonhou eterno...
Mesmo lume de sempre,
e terno...


Anchieta, o primeiro professor...
Foi por ideal, 
foi por amor

Professora a paz, 
Anchieta...
Caprichara na letra

E a letra não conhecera
nem lousa, nem palmatória:
prodigiosa memória

A história de Jesus,
coisas sobre cruz,
e ao final, cuscuz...

Anchieta, o primeiro professor...
Honrara o índio,
e o beija-flor

O teto de céu anil...
Mestre pioneiro
Apóstolo do Brasil

Agradara-se da aula
fora da sala de jaula,
a índia afilhada, 
a Paula...

Que sem teleaula
não matara aula...
Era sobre São Francisco,
e de Paula

Rasgara o Mestre o latim,
debulhara o tupi

Mais pra periquito-rei
do que Agnus Dei

Mais pro lado de urucum
do que dominus tecum

O modelo de educação
européia, formal:
bau-bau !

Ensinara em autos
co'a participação geral
-a base do coloquial

Em palco ornado de bananeira,
à sombra da canafístula-
verdadeira,

era paixão o Avis Rara!
Entre salvar-se em Cristo
e salvar a arara,

de empolgação
o Mestre pulara !

Sob o céu que amara,
sobre o Espírito Santo 
donde ecoara 'té
um lírico canto,

versejara Anchieta, 
pioneiro do Brasil...
Redondilha que perfeita,
posicionara o til