quinta-feira, 23 de abril de 2015

Os poemas a seguir são inspirados nos "passos de José de Anchieta no Estado do Espírito Santo"

Se quiser ler poemas sobre o Anchieta, favor clicar nos arquivos dos meses de fevereiro, março e abril de 2015. Pois o meu blogue está organizado por datas. Obrigada.
Aquele que vem
é o Anchieta...
Quer salvar o índio,
salvará o planeta

Aquele que vem
é meu Santo...
Quer fundar escola,
erigirá 'spírito Santo

Aquele que vem
é o Venerável...
Sua sede de eternidade,
que implacável!

Aquele que vem,
veio dar 
À terra a semente:
jacarandá

Aquele que vem,
sempre virá...
Incorporar tupi
em Mãe-bá

Aquele que vem,
vem sem fim
(o corpo pintado
por curumim)

Espia quem vem,
Ele, o Amém!
Eis quem vem,
quem manda bem...

Caminha Anchieta
ao longo do tempo...
Seus passos marcam-
me por dentro

Adentro tempo,
e o meu adendo:
caminha Anchieta,
intercedendo...

Pelas almas
vagantes sem rumo...
Sua Luz guiando-as,
no escuro

Caminha Anchieta,
vindo pra sempre...
Seus passos n'areia,
sempre, sempre...

No chão pisando,
fecundando-o...
Por onde passando,
passarinhando

Caminha Anchieta,
nunca mais o Brasil...
Viu tamanho zelo,
co'o gentio

Caminha Anchieta,
nunca mais sem lar...
A arara-azul-
de-lear

Caminha, ó Anchieta,
não, não pares!
Posto que, pro índio,
Zumbi dos Palmares

Revolucionar vem,
meu Anchieta...
Inverter a rotação
do planeta!

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Anchieta andeja,
pra prover a luz...
Seu saber acadêmico,
sol que reluz!

Santa Cruz em polvorosa,
não mais tédio traduz...
Chacoalhar as mentes
(mas não mente Jesus)

Seus pés já em pus...
Eu pus no poema
um terapêutico,
pra Anchieta e Jesus

Anchieta andeja,
na mochila, cuscuz...
Coimbra em Meaípe
Espanha e Aracruz

Anchieta andeja,
ao vigor de avestruz...
A intenção é briosa:
sobre o peso da cruz

Anchieta veleja,
veja só que beleza:
viceja Atlântica Mata
e a lua de prata...

Andeja Anchieta,
co'os índios semi-nus...
Mastruz na lapela
pra 'spantar melzebus

Andeja Anchieta:
herdar arte de alcatruz...
Avante Anchieta,
andarilho, andaluz...


quinta-feira, 16 de abril de 2015

Anchieta caminhara,
amigo leitor,
e era pra apresentar,
o índio ao amor...

Amor do Pai,
que enviou Seu Filho...
História enovelada,
que o Padre andarilho

esmiuçara em autos...
O Padre andador,
atleta de Deus,
era um bom curador,

um galardoador!
Posto que a escada
pro andar superior,
botou nos pés

do seu mor admirador...
E o índio conheceu
lendas lindas...
Prendas advindas,

promessas infindas,
mais paz, paraíso...
Tudo gratuito,
sem dízimo!

Frutos não proibidos,
sem venenos e aditivos...
Camarão era vegetal,
e incorruptível, o pré-sal...

Jesus, enfim, limpo
de sangue e desonra!
Uma Mãe de tez suave,
ao odor de begônia...

Jardins agradáveis,
tudo Blumenau...
Mas se narrava tédio
-celibato clerical

Era casto o Anchieta,
e seu rosto angelical...
Sua intenção pastoril,
anti-capital

Esqueça as seitas
calcadas no dim-dim!
A utopia do Padre,
eternizar tupiniquim

Não percebendo 
Anchieta, porém...
Já era o céu ali,
no Estado do Amém!


terça-feira, 14 de abril de 2015

Seguir Anchieta...
Pra ver a lua 
sem luneta

Pra ver o crepúsculo violeta,
seguir Anchieta...

Ir junto ao Santo...

Sob o espírito santo,
sobre o Espírito Encanto,
beijar este manto!

Seguir o índio
Seguir o sagui
Sem croqui perseguir...
o caqui

Seguir Anchieta...
Agitar-se com seus autos,
seguir alegre sem autos...*

Na trilha sem trégua 
seguir,
levando o trigo pro pão de pequi...

Sem tocaia, o tropel,
chegou na Ilha do Mel

O filho do Nazareno, sereno,
alçou o Morro do Moreno

No fogo do arábico café,
correram nas dunas Dulé

Com sandálias de couro,
com dedos sem ouro,
sem chapéu de touro,

simbora com Anchieta...
A trilha era zen,
sem micareta

                                                   *automóveis

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Que cena essa,
que estupenda:
branco e índio atracado,
sem contenda!

Um, penacho na cabeça
Outro, batina sisuda
Se um sentia enjoo,
lá vinha carqueja-folhuda

O cansaço, a fome,
da longa caminhada,
eram peixe pequeno
frente a intifada...

Gentio e Anchieta:
guerreiro carne e unha...
Na defesa de cada grão,
cada areia de duna

Não sangrariam da terra,
nenhuma erva...
Não  barganhariam minério,
por bagatela

Que cena essa,
que coisa rara...
Manter o licuri
da azulada arara!

Na trilha marcada pelo
ipê-amarelo,
Anchieta e gentio,
pelo cais que é belo,

passaram observando...
Se cada jequitibá abatido,
se iam replantando...
O cardeal-amarelo

tagarelo em bando,
se livre, revoando...
E o Padre mais o Índio 
os contando!

sábado, 11 de abril de 2015

Seja o caminho de Anchieta
o caminho nosso...
Seja o almoço um arroz
ao alho e tremoço

Sejam os passos de Anchieta
os passos teus...
Sejam os braços estendidos:
índios e europeus

Seja a ambição de Anchieta
a minha cobiça...
Só água cristal em garrafa,
tampa de cortiça

Seja mais singela a vida,
tal cerne de Anchieta...
O verde na mata e o azul
no céu do planeta

Seja o caminhar mais lento,
venerar a paisagem...
O Padre parou na gruta:
adorar a Imagem

Seja o tempo pras falésias,
nos mares entalhadas...
Nos horizontes as nuvens
lindas assim, grenadas

Seja o homem pra amizade,
e o lirismo, pra poesia...
Seja fora da tela a vida,
sem heresia!

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Caminhava Anchieta,
seu simples andarilhar...
E seu ato de poemar,
e de amar o mar...

Natural sem veneno,
o seu pomar...
Feliz bichim' de pomo,
a se empançar!

Num tempo isento
de fumaças densas...
Os tanques não fumavam
intensas

labaredas de fogo
(só no mapa do inferno)
Que mais se via,
era gentio, e terno...

Coisa simples
Anchieta caminhando...
Naquele tempo
os pés pisando

grama, areia,
macia restinga...
Tênis de mola,
não, não ainda

Era de pesca a rede
que hoje, social...
Era pra peixe,
não pra antissocial

Era olho no olho
e mão no pão...
Fermento simples:
leite, limão

Meu Deus, coisa
mais simplória!
Andar pra redigir:
história, glória

Baixar a espada,
erguer a nação...
Sob fervor de Cristo,
e não de Lampião...

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Caminha Anchieta,
vai por amor...
Vai pelas rosas
de bom olor

Vai pelo céu,
límpido azul...
Guiado vai,
o Cruzeiro do Sul

Caminha Anchieta,
pela fé vai...
O Céu o espera:
promessas de Pai

Anchieta caminha,
som de natureza...
Caminhasse hoje,
que torpeza!

Lixo e burburinho
pelo caminho...
Mudou o primata
Sumiu choca-da-mata

E o astral das noites
enluaradas...
Por pousadas caras,
complicadas...

A bagagem era simples,
a cama era rocha...
Amigo era índio
E a luz, tocha

Caminhava Anchieta
num tempo tal...
A rima era rica,
substancial...

Caminhasse enfim,
atual...Não mais
reconheceria
a cercada Pontal

São cercas e muros,
loteando praias...
Arpões eletrônicos
capturando arraias

Caminhava Anchieta 
num tal tempo...
Era tempo certo,
pro seu passatempo

Seguiria eu, feliz,
o Anchieta...
Nesse tempo outro,
nesse outro planeta...