segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Natal de 2016

Natal em 2016,
talvez...

Porque este Natal
ta no sal

Subiu energia
Parcelaram meu salário

Jogaram no Natal
uma pá de cal

Natal devedor
tal governo federal

Mas meu imposto
bau bau

Não minguou a farra
do Congresso Nacional

Este Natal,
que Natal?

O comércio brochado.
A vendedora,
sem sorriso angelical...

Tal de Natal 2015,
sem damasco tropical

É, melhor pensar 
próximo Natal...

Ou na ceia passada
a base d'uva passa 

Tivesse vivo Drummond
o mestre da rima do al,

o Zenital:
Isso Natal?


Natal que não

Nossa compaixão
aos que não passarão o Natal

Nossa compaixão aos que 
o Natal não passará por eles

Nossa compaixão
aos que não mais passarinharão

Nossa compaixão
aos refugiados, migrantes, caminhantes

Nossa compaixão
a Síria, Iraque, Brasil

Nossa compaixão,
esse nosso fio de compaixão

Nossa compaixão
aos que acham que o Natal não

Natal de 2015

Este Natal será lembrado
como o da água na torneira...

O Natal das vacas gordas,
d'árvores eletrizadas...

O Natal que recendeu os
seus aromas típicos...

O Natal das lembrancinhas,
antes do grande apuro...

O Natal 'té então lindo,
capengando mas vivo...

O Natal, seu milagre
Com direito ao décimo

Os shoppings decorados,
filmemos pros museus...

Pois esse Natal 'inda Natal...
E o futuro, incerto

domingo, 30 de agosto de 2015

Os poemas a seguir são sobre o seguinte tema: OLIMPÍADAS NO RIO 2016

Para ler estes poemas, favor procurar no arquivo de AGOSTO DE 2015, pois meu blogue está organizado por datas.

não seja só uns Jogos de Berlim

que fique mais um tempo

Essas cores nas paredes
essa limpeza nas ruas
esse cuidado

Fique mais que três semanas

Essa trégua
esse clima de paz
essa encenação

Fique pra todos
não só pra inglês ver

Essa cidade incrível
esse país modelo
essa gente afável

Fique depois dos Jogos

Essa energia boa
essa ordem no trânsito
essa polícia nas ruas

Fique e não vá embora

Esse país-vitrine
essa "economia bombando"
esse basileirismo,

Essa ilusão...

sábado, 29 de agosto de 2015

no lugar errado, na hora errada

Os Jogos de Olimpia,
alegria
Não fosse tempo
de redimensionamento
de pensamento...

Não que não
me fascinem:
o João do Pulo,
a Maria Lenk

Daiane
Oscar
Grael

Borges
Muri
Maggi

os Hypólitos,
os Bernardos,
os Silvas...

Todos, a minha paixão
no fundo, meu coração 

Velejássemos pudera
apenas pró-vento...

Posto que consome a pira
nosso parco provento...


quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Sobre a batata que já tá assando

Sim, vai ter Olimpíada!

Mas vai ter reação
pra essa ação

Consequência
pra essa causa

Colheita
pra dita semente...

Sim, vai ter dança
conforme a música

Vai ter Grécia
no fim da festa

Vai ter imposto
e é impostômetro

Vai ter uma conta
e não é só do Rio

Sim, 
vai ter medalha
pudera acadêmica

Vai ter remo,
e lagoa endêmica

Vai ter o que já se teve
e nada se obteve

Mas vai ter Jogos...
na rede global

 A grana é do povo
oficial

A intenção é escusa
Brasília-al

E já não 'dianta,
ó dileta massa criticial

Lançar ora ao fogo, 
o areial...

Não agoura o poema,
posto que agora

O circo, armado
 Feijão queimado

E o clarim último
já ressoado

Mais selo sétimo
já revelado

(já subiu o edifício,
superfaturado)

Só pra abrir teu olho,
ó Juvenal:

roubaram o milho
do teu cural!

Aquele Jornal,
 canal que afunda a nau,

 num vai mostrar nem a pau
que é nóis no sal...

sábado, 22 de agosto de 2015

genocídio olímpico

Trovejou motor dos infernos!
Beijaram o chão
o filhotinho da anta,
e do mico-leão

Esmagando caranguejo
veio um monstro de metal
Revirando restinga
e o frágil manguezal

Sem mínima piedade
homem com arma de fogo
Assassinando vidas
em nome dum tal Jogo

Transformando em grama,
sem cavalo pra comer
Cavando uns buraquinhos,
tatu algum vai se esconder

O nome dessa saga,
ei-lo: Marapendi...
Ex-Mata-Atlântica
Ex-anta e sagui

Tudo em hotel e golfe!
Já tem joaninha ferrada
pela gramínea agro-
toxicada...

Golfou o prefeito:
"pra promover o esporte"
Pagando alto preço 
de Marte, da morte...
 

no alvo

Prova de tiro no Sambódromo
-deu no Estado
Pensei, normal...O passarim' carioca,
mais que acostumado...

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

presente de grego

Os Jogos virão,
para o deleite da paixão,

quem quer mostrar o poderio 
de fogo do Rio...

Líder controverso,
ávido pela supremacia...

Poucos lucrarão em tal
cleptocracia

Um ser desvairado,
tal presidente grego...

Trazer os Jogos pro Brasil, 
presente de grego... 

O que traz os jogos,
é um olho grande:

angariar recurso
que pra si debande

Jogos não são solução,
pro momento lamaçal...

Ninguém vai investir no país
por uma árvore de Natal

Em tempos de crise,
sábio prefeito de Boston...

Retirou a candidatura
desta costa!
 

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

remoção de famílias

O governo quer tirar
O morador quer ficar

O governo quer (injustamente)
indenizar
Os meninos  (na rua em que nasceram)
só querem brincar  

O governo quer 27 dias
de uns Jogos
Sua história de vida,
o morador quer contar...

O governo quer "apês" funcionais
O cidadão, vizinhos e quintais

O governo quer passar trator
A dona de casa quer regar a flor

O governo quer estádio excelso
O despejado quer ter acesso

O governo quer tudo em área nobre
O povo quer sua casa, mesmo pobre

O governo quer derrubar esperança
Mais uma vez, quem dança... 

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Jogos de imagens


Imagens de quem ganha, de quem perde...
Especialmente imagens...
De quem luta

De quem ovaciona o outro,
imagens sublimes...
Das bandeiras diversas

Imagens via satélite,
imagens tão vívidas...
Das cores em peles

Imagens do esforço e da dor,
do suor e do sangue, 
do choro, 
do grito...

Imagens

Da graça, 
da leveza,
da dança,
do quase vôo...

De quem dá o melhor de si,
 as imagens
De quem perde vencendo...

Imagens de quem plantou e colheu,
imagens de quem nunca se imaginou...

Imagens de graves quedas;
de grandes êxitos...

Imagens, e tantas,
que inebriam os sentidos...

Imagens; magias,
corações contagiam...

Imagens correndo
o morro, o mundo...

Lavam noss'alma
e nos levam, as imagens:

Imaginando valer,
hipotecado o país!

terça-feira, 18 de agosto de 2015

na real

Clima banzado impera:
 revolução alguma em esfera!
Utopia a flor-de-um-dia:
amizade, anti-barbaridade...

Morreu mais um na ciclovia.

Na verdade,não muda 
Olimpia a estrutura...
 Brazuca Confraria:
maquiada e dura.
  

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

melhor idade

Eu queria ver no Rio
o cabelo grisalhado
Junto ao sangue novinho
do voluntariado...

A sapiência, nosso
povo madurado...
Eu queria ver no Rio,
modo indiscriminado...

Na história dos Jogos,
esse novo legado...
Eu queria ver no Rio,
eu queria ter estado

Olhasse mais atento,
quem mais antenado...
Eu queria ver no Rio
um país mais arrojado

Enjeitar a melhor idade,
cultura de abestado!
Eu queria ver no Rio,
mas eu vejo é deputado

Na Europa, Canadá,
o ancião tem seu reinado...
Eu queria ver no Rio,
intelecto platinado... 

Mais alma no evento,
dum jeito simpatizado...
Como eu queria ver
no Rio...



O festim mais estrelado

sábado, 15 de agosto de 2015

meninos de Sampa

Os meninos de São Paulo
lá do alto dos prédios
de câmaras vigiados

assistirão aos Jogos

Os meninos de São Paulo
com suas peles sem sol
com seus pulmões de fuligem

Lá do alto bem alto
assistirão aos Jogos

Os meninos da cidade-concreto
do céu telado
do dedo no teclado...

Os meninos de São Paulo
Os meninos do Brasil
que não vão mais ao parque
que temem pelo raiar do dia

E tomam vitamina D em gotas
E suam nas academias
E flertam pela internet 

Assistirão aos jogos
nossos meninos

Das suas caixas desinfetadas.
Hermeticamente fechadas.
 

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

trégua nos Jogos

Pede-se
o transcedental ato da paciência

Respeitar vaga da cadeirante
Parar na faixa
Avançar na gentileza
O tal espírito olímpico

Pede-se 
Que se peça menos

Pede-se recolher as garras,
baixar as espadas...

Pede-se não muito, mas o básico:
lixo na lixeira
silêncio na buzina
um mínimo de honestidade,

pede-se...  

 Aguardar a vez
Baixar a voz

Um fair play
Uma trégua
Uma bandeira branca

da paz...

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

de mau gosto

Os Jogos serão em à gosto
de Deus...
Mas por que um agosto?

Agosto é augusto?
Agosto é um susto!

Agosto...
Que não vou rimar desgosto

Mas tira-gosto. Ou mosto
 Rei morto, rei posto

Agosto...
E haja sal grosso
pra espantar encosto!

Eu gosto de agosto
Mas o menino de Mato Grosso,
que, a contragosto vai pra aula em agosto,
não gosta

pão e circo

Se eu to no vermelho,
eu não dou festa...
O de vermelho,
incompetência atesta!


o rio que eu vou

Eu não vou ao Rio
Sem água, energia...
Viste já o estio?

Eu não vou ao Rio
Um calor dos diabos!
E Vitória é mais frio

Eu não vou ao Rio
A mineral a dez pila
Eu não tenho esse milho

Não, eu não vou ao Rio, 
Hilarino,
eu não vou ao martírio

Bomba gente até onde,
vento e seu assobio...
(em Ubu mais vazio)

Eu não vou ao Rio:
vou torcer pro Tiago,
e sou meio pé-frio

Eu não vou ao Rio
Onde se ranca o couro
Mas iria a Cabo Frio

Eu não vou ao Rio
inacessível ao meu perfil
de professorio

Mas irei, um outro rio...
Resguardado de zoeira
E é Amazonino

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Olimpíadas no Rio

O poema pede um minuto de silêncio
aos que deixaram seus corpos
e seus sonhos
Nos escombros dos estádios

O poema pede um minuto de silêncio
aos que deixarão seus corpos
Nas estradas que levam os sonhos
e que levam aos estádios

O poema pede um minuto de silêncio
apenas um minuto:
Aos que deixarão seus filhos órfãos,
e vai ser bala perdida...

O poema pede um minuto,
uma vida de silêncio...
Aos que deixarão
seus quarenta bi de impostos
em elefantes-brancos...

O poema pede e não é atendido:

aos que deixarão seus corpos
nos hospitas sem leitos
E aos que deixarão suas almas
nas escolas sem leituras

O poema perde

terça-feira, 4 de agosto de 2015

braços do Brasil

Os braços abertos:
o Cristo, o povo

"Mãos ao alto",
e mais braços abertos...

Os braços abertos
nos halteres, nos dardos ...

Os amigos chegando,
e os braços abertos...

Estadia e partida
-braços abertos

 Derrota ou medalha
-abertos braços

Os braços abertos
ao turista que porta

a moeda que nutre
os braços abertos 

pra luta...

Os braços abertos do
Cristo na cruz

mesma posição,
o Zanetti n'argola

Os braços abertos
aos sonhos de Jogos

O Brasil aberto,
os abraços largos...


segunda-feira, 3 de agosto de 2015

esperançando nos Jogos

Vale medalha canarinha
esse sorriso gratuito
do brazuca franzino
vulgo flanelinha

Vale medalha d'ouro
essa mulher do morro
cuja casa alugando
luz parcelada saldando

Vale medalha da cor
 ourada tez morena
queimando sol Ipanema
d'água esse vendedor

Vale medalha essa gente
-incluo indigente
Essa invisível gente
De 'sperança latente

Que corre e dá seus pulos
Paga imposto absurdo
Inda recebe turista
co'a mão de florista

 Louros da vitória
pra pipoca no prato,
quem não se faz escória...
No xadrez lava-jato

Lastro d'ouro,
povo isento do vício:
diabo no couro
mentira em comício

Medalha ourada
quem 'spera na Copa...
Perdão, não é Copa 
mas capa esperançada

 Ferve a economia os Jogos
quem há muito economiza
A gringaiada pira:
o feijão da Luíza

Povo que prepara
casa pra visita
Fazendo trocados,
trocando telhados...

Vale medalha canarinha
esse sorriso gratuito
Do brazuca franzino
Vulgo flanelinha...
 

domingo, 2 de agosto de 2015

à deriva

Eu quero estar viva
daqui a um ano:
a beleza do poema
Machadiano

Eu quero estar viva
daqui a um ano:
o Olimpo no Cristo
brasiliano

Eu quero estar viva
daqui a um ano:
eu quero estar viva

Daqui a um ano
eu quero estar viva:
 se pouparem a vida
dessa mãe de família

Daqui a um ano,
tempo em demasia,
num país em clima,
desutopia?

Mas eu quero,
forte como um touro:
a Hypólito, no solo,
ganhar seu ouro!

Eu quero estar viva,
estarmos vivos,
semivivos...
 
Daqui a um ano, 
eu quero estar viva... 
Minha cadeira cativa,
televisiva...

Daqui a um ano,
eu quero estar viva...
Sobreviver ao Brasil,
ser lenda viva...

sábado, 1 de agosto de 2015

na era moderna

Visa-me lisa
Visa divisas

Jogos de hipocrisia!

A propaganda satura
de gordura in-sadia

Jogos de hipocrisia!

Como se cerveja
espumasse energia

Isso não é de Olimpia!

Do ingresso caro
Só inglês o veria

Jogos de hipocrisia!

Mais caristia nos tênis
O João não Pularia

Jogos de hipocrisia!  

O lucro é alto
Atleta não triscaria

Jogos de mercenaria!

O mascote é de luxo,
uma covardia

Dança sem melodia 

Superfaturam obras
Mas nem pia a cotovia

Rio sem calmaria

Tal maneira,
a Grécia não os reconheceria,

esses jogos de hipocrisia !