domingo, 13 de setembro de 2015

Os poemas a seguir são sobre o tema: Natal de 2015


O Natal de Hebert de Sousa, o Betinho

Eu gosto do Betinho
Seu estilo brando,
de nutrir passarinho...

Só doando um quilinho,
seu Natal de fomento,
e forte o curuminho...

Tão simples o Betinho,
sua camisa sem seda,
seu terno sem linho...

Esse menino, 
nosso Betinho... 

Deve ter se inspirado
no Homem 
de coroa-de-espinho...

Seu comitê contra a fome
matava a sede
de cuidar com carinho...

Sem discurso complicado
   multiplicava o pão,
 partilhava o vinho...

Nosso Betinho,
esse menino

que transmudou tão fácil
o franzino em fortinho...

Sua semente de pinho
floresceu em frutos
dum Natal tinindo !


sábado, 12 de setembro de 2015

Natal afundado

Natal banzado,
verso inviabilizado...

Eu queria enfeitar minha casa
mas naufragado

meu ânimo desanimado
ante o incivilizado

O Natal desse ano
rompeu abalado

Talvez não dobre o sino,
nem deite vinho no assado...

Na cidade em chamas
a estrela guia não guiado

o juízo dos homens,
o amor em doce cristalizado

Enquanto o comércio bomba,
bomba Kosovo assolado

(meu penduricalho brilhante
'inda encaixotado)

Por que o Pai inerte,
mais um ano ressonado?

O cristão na mão do Isis
minha fé decaptado

Meu Natal assim banzado...
Não vou no preço salgado:

se o imigrante perdeu tudo
por que eu teria luxado?

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Feliz Natal para o Francisco!

 Lá vem o homem
da sandália de couro,
da batina já gasta...

Lá vem Aquele:
a coragem desmedida,
o Jesus encarnado...

Lá vem sorrindo
atraindo os seres,
O da índole humilde...

Lá vem humano,
olhando o irmão
enjeitado, invisível...

Aquele da paz e amor
não só
prosperidade,

 lá vem

Aquele
que aninha o povo
de todo o credo...

Lá vem Este:
vem de mansinho
e plácido subverte

Lá vem o Papa
de Natal ornando
a lúgrube era!

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Feliz Natal para a Ângela Merkel!


A Ângela,
o anjo...

Mãe dos imigrantes
Mão para os aflitos

Seu olhar meigo
aos que fogem das bombas

Seu sorriso doce
aos que se safam do inferno

A Ângela,
angélica...

Que tem ouvido
para os gritos

Compaixão
para os soluços

Pegou no colo a criança
cuja desesperança

Deu sopa a uma guria
enxotada da Hungria
 
Angelical, ó Ângela,
o teu Natal,
tua vida...

Tua Alemanha de outros tempos,
novos tempos...

Teu Reich  novo Reino,
novos ventos...

Teu povo, angelicamente
e sensivelmente...

Vai se amalgamando,
uno-humanamente...

Pela Ângela,
pelo anjo...

Mãe dos imigrantes,
mãe para os aflitos...


quarta-feira, 9 de setembro de 2015

anistiando os anti-natálicos

se a Estrela não lhe deslumbrar,
ao menos se encante 
ante o grande levante:
A Primavera Árabe,
a primavera nos trópicos...

Se o presépio humilde
com os meigos muares
não lhe encantares...
Impacte-se então co'ação,
de abrigar o irmão

Se as coisas pertencentes
a espiritualidade,
nem tua sensibilidade...
Eu não vejo problema
se tu'alma, Nazarena

(se tu deixas livre
a gaivota-pequena)
 Não, eu não vejo problema
(se tua cerne buena
rega a rosa-açucena)

Se as coisas referentes
ao Advento do lindo Rebento
 não lhe suspira profundo...
Mas enterras fundo
teu instinto indistinto,

eu não vejo problema
de não embasbacares co'as coisas do Céu
 se a paz, teu troféu.
 Igreja, Seita, Associação...
O templo perfeito
 é partilhar o pão !


segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Natal saudoso

Eram cartões de Natal,
na caixinha de correio...

Delicados, meigos,
chegavam em meio

a um clima ameno,
que a sazonalidade

frescor nos ares, 
e ares de amizade...

Oh, antigos figos,
oh velho Natal...

Ir a Missa do Galo,
sair na paz ao final

Era mais de meia-noite
mas nada de anormal

A liberdade circulava,
tal um vento boreal...

Oh, Natal saudoso,
chega a doloroso

Dos presentinhos simples,
mas nacionais

O comércio era festivo,
presépios tradicionais

Não virtuais as pessoas,
ao tato, bem reais

Por amor o leitor
aturando meus ais

Não hormonais perus.
E crianças nos quintais.

Natal antigamente,
especiais Natais...

Eu fui comprar juta e palha:
mas não vende mais


Natal utópico

Que Natal seja Deus
revelando Sua força

mão que salva refugiado
pelo marzão agitado

Que Natal seja Deus
não demore, seja agora

erga da cama o doente
cujo tumor o devora

Que Natal seja o dia
do tempo presente

chuva de bênçãos
chuva, literalmente

Que Natal seja uma linda 
Noite Feliz

vencendo essa idéia 
de que tudo, por um triz

Que Natal seja o que 
dele se espera: milagre

consciência nas corruptas
cabeças-de-bagre

Que Natal fosse um tempo
ao menos, reflexão

os homens em demos,
tem cabimento não!
 

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Natal é...

Autêntico Natalício,
genuíno Natal cristão...
Eu abriguei lá em casa
um refugiado afegão

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Feliz Natal para o desempregado!

Feliz Natal
para aquele brasileiro
Que apreensão verte
na fronha do travesseiro...

Sai de casa as cinco
da matina
Pega aquele busão
apertada sardinha

Feliz Natal
para o amigo 
que na fila do Sine
sonha

Que aperta o seu
curriculum no peito
Matutando pra entrevista
aquela frase de efeito...

Feliz Natal para a 
amiga, que culpa 
não leva da crise,
nem da crase 

É a corda arrebentando
pro lado mais fraco...
Pro buraco, mais fundo,
me mandou "o velhaco"
 
E leitores me indagam
então...
O que a vaca tem a ver
com o leitão?

Brincadeiras à parte,
Bonaparte,
resta-nos brincar,
e essa coisa de esperançar...

Que o Natal lhe traga
paz,
e vontade contumaz,
de virar a mesa...

Acesa a chama do
salário e geladeira cheia...
Que a luz de Jesus,
tua candeia,

ó meu coração...Tua face não
fixe o chão,
tua mão na mão do Pai...
De fermentar, hão

o pão

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Natal sem crise

Natal sem crise 
o de Jesus
Nasceu sob lua,
era sua luz

Sem conta dágua 
e aluguel
Relaxou José,
estrelado céu

Não se estressou Maria,
enxoval de linho
Cobriu-O com lã macia,
carneirinho

Trocaram festança
por singela ceia
Dormiram cedo
sem álcool na veia

Coacharam sapos,
agradáveis sons
Orquestra afinada
nos reveillons 

 Eram tempos livres
de juros nos cartões
De graça viver
naqueles grotões

Advento sem crise
com Maria e José...
Na paz ressonara
o canário-sapé

Hoje complica 
o homem, a mulher...
Salgada segue a vida
no voucher
 

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Cancelando o Natal

Natal não substancial,
Natal desispiritual...

Na prisão não se verteu
um filete lacrimal

Natal no umbral,
sem castanha de Portugal...

A cracolândia nem se tocou,
a esperança Pascal

Natal horripilante,
com au ao final

O mau não se rendeu
ao Menino do Curral

Natal carnaval,
Natal festival...

Nada de novo, no Front
ou no Jornacional

Natal do sonrisal,
Natal glicose-venal

Que tempos, que homens,
de Neandertal !

Natal sem Natal
Não me leve a mal

Mas Natal tão carnal, 
assim sensorial...

Cancelem a Noite
desatitudinal