segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Zika vírus

é o fim da picada!

Não é picadinha de abelha...
É ferroada de Aedes:
dengue
chicungunha...

mais zika ferrando
a vida da gente
que já ta ferrada

Nesse tempo
de global aquecimento
e moral arrefecimento,

é o fim da picada!

E não é de formiga vermelha
É picada de gente,
se diz civilizado
Uma malária,
essa cobra de dois pés peçonhenta!

É o fim da picada!

Já não bastasse o homem
e sua ferradura,
e todos os mosquitos
ferradores já classificados,

vem Zika vírus, 
a gota dágua!
Estreitando as cabeças
justo de quem
As caixas careciam
alargadas...

É a picada do fim!

Já não bastasse o inimigo 
visível, captado por câmeras,
monitoramento, receita federal
e vizinho fofoqueiro,

junte a essa lista de vilão
não o escorpião,
mas um Zika vírus
rasteiro e abjeto
que a vida atazana...

É o fim da picada.
E é fichinha a ratazana.

domingo, 29 de novembro de 2015

salames e salsichas

gente que nem bem se alimenta
agente

de câncer
-salame e salsicha. Ah, presunto.

O assunto tomou conta das mesas
redondas

Redondamente enganados nós,
as presas

das empresas
Percebe-se, as ditas calabresas

levam um s...
Botaram quente na propaganda

propagando que saúde, saara, assedia:
sadia energia...

Meu arqui inimigo: 
aditivo de embutido

Química industrial letal,
eu to no sal !

Quem avisa é ANVISA
Ops! OMS

A gente que não é bobo nada
mas é piaba

na rede do supermercado
cai na cilada

Na padaria, no açougue aqui do lado
fisgam-me viciado

Gordura, açúcar, sal,
aplaude a usina

(assassina)
E tudo acaba em morfina.

sábado, 28 de novembro de 2015

O bombom do delegado

Notícia que causou
um baita alarido:
a faxineira que havia
um chocolate comido

Foi em Roraima
foi num outubro
A empregada,
rosto rubro:

que humilhação,
coitada! Indiciada
a brasileira, e por pouco,
desempregada...

Por pouco,
foi por tão pouco,
foi por fome,
uma vontade...

Comer o que
o rico come,
tanto crime,
cruel maldade?

E quem nessa vida
deslize não cometeu?
Santo todo mundo,
o cristão e o judeu?

O salário da pobre,
mínimamente não cobre,
 um nobre manjar
desse patamar/paladar...

Boletim de ocorrência
foi gerado, e o delegado,
o supremo, o "douto"
o potentado,

serviu-se de sua
brasiliana autoridade...
Zeladora que comeu
o doce da austeridade

virou caso policial...
O país é impunidade,
e o "crime", federal:
o de lesa- majestade!


quarta-feira, 25 de novembro de 2015

a alta da energia

Apagão no Brasil:
de idéias, de ética,
água, eletricidade...
Linguagem poética

alguma dá conta
dessa monta...Em 
meio a crise, 
e politicagem,

a conta no final
do mês não fecha!
Uma flecha
em meu peito!

Aquele eleito
culpa a seca,
a luz acesa,
a cabra montesa,

mas incapaz 
de pensar verde,
pensar sol,
pensar vento...

Invento uma
energia com a 
casca da melancia,
daí se inicia

uma era nova
uma nova trova
uma boa-nova...
Gabiroba

bonita cresceu,
a lua nova 
se encheu,
e você e eu

aqui, sonhando 
singelo: 
carregar celular
no sol amarelo...


terça-feira, 24 de novembro de 2015

os casos de microcefalia

Criança,
sua infância no leito...

Criança,
seu olhar ao longe...

Pela janela, a chuva espia...

Como um pássaro preso,
criança...

Sob piedosos olhares,
ou não...

Sob o cuidado dos pais,
ou sim...

Sob o ventre materno,
refúgio...

Quem há de lhe guardar,
minha criança?

Dos carros brutais
assassinos...

Igualmente crianças
se drogam...

Quem há de lhe guardar
do tempo?

Amores levando,
folha ao vento...

Quem há de lhe salvar,
criança?

Se a amplidão de amor,
no momento

desabrochamos lírio:
lento, lento...

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

ódio.com

(sobre a crise espiritual
educacional, ético-moral
que ebolizou
na rede anti-social)

Já reparou o leitor,
já se espantou e chorou
ante ofensa, injúria...
Quem nunca levou

uma patada, um coice?
Descarrego de ódio!
É a catarse explosiva,
lugar mais alto do pódio

Esse ano, mais um ano
recorde na insulta
Ser mulher, ser um negro
feriu norma culta,

o desamado que na net
despejou seu furor...
É covarde quem destila
veneno de bolor

Palavras intolerantes
nos pegam de surpresa...
Onde o debate sadio?
Cadê tu,ó sutileza?

Esse canal de escape,
seção de descarrego,
tudo registrado na rede, 
isso não é brinquedo...

Distribuir a fúria
atrás dum computador,
não resolve problema
(melhor, pescador)

Eu que já tirei
o meu time de campo...
Não comento mais:
quieta no meu canto


domingo, 22 de novembro de 2015

Notícia que não deu

Não deu no Jornacional
no R-8 não deu

no facebook não leu
no faceboca talvez

O rio Araguari...
Quem se importa co'as
notícias daqui?

Ele doce também,
o Araguari...
Criatura do bem

Sustém este provedor,
pai Araguari...

 Seu leito, seu leite
oferece vigor...

Sua mão, nossa mãe,
ente sustentador...

Araguari,
chora sua morte o rebento !

Cadê seu provento?
-lancei ao vento

Os peixes valem menos
no Vale do Norte !

Pouca sorte
no Vale de Marte,

Araguari sem peixes
sem redes
com Aedes

Araguari sem norte...
Seu fraco passaporte

na mídia, 
sem quem se importe...

sábado, 21 de novembro de 2015

Poema da lama

Eu queria lhama

Mas na real, é lama

Eu queria lima,
a laranja

Ou um leme de barco

um lume de luz

um lema,  um livro

Mas me grita o poema;
lama!

À lama...

que muda a cor do rio...

A lama

que soterra os sonhos...

Lama

que respinga nos retratos...

Eu queria uma lama
onde brincam porcos

Mas são Corpos,
emporcalhados de lama!

Quisera eu o barro, moldando
panelas
baianas
jarros
toda sorte de artes...

Mas são malditos barros,
amálgamas de mercúrio e sangue!

O barro: 
início e fim,
a origem e o destino,
base e esteio...
Mais o cheiro bom de barro,
que co'a chuva vem...
O barro do barroco,
o Barros de Manuel,
o barro do joão-de barro...
O anagrama de lama é alma,
dá-lhe poesia!

Mas não, são aflições de berros,
lá vai a lama, já se foi Mariana!
É barro vazada das mãos dum burro,
barril de lama tsunami
barrigas inchadas de radio-
ativos bários,
rubros barros,
bóiam os bagres,
berram os bambinos,
birrenta eu, 

pelos malditos barros,
fundidos de cobiça e lapso!


Ano do medo

Paris não foi ao Louvre

medo

Alemanha não foi ao estádio

medo

Bélgica não foi ao metrô

medo

Brasil foi, mas com

medo

Quem foi e não voltou

medo

Quem se arrependeu de ir

medo

Quem nasceu e viu

medo

Quem se fingiu de morto

fui eu

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

O garimpo da Serra da Borda

Me chamou atenção
especialmente

aquele garimpo,
aquela gente...

Sete mil pares
de olhos, atentamente

atrás do naco glorioso
reflavescente...

Eram sombras de homens
e acrescente

um ancião aos setenta,
sem dente...

Obviamente, de Marte
e morte, o ambiente

Nem formigas são tantas,
como a gente...

Gritos se ouviram,
notícia quente:

achou-se o ouro
-ou mulher saliente

Mas aquela sombra de
homem, que prepotente!

Mesmo cinzenta, poeirenta,
sem silhueta imponente,

arenizaram a terra,
sucumbiram a semente...

Era Saara na selva.
E foi de repente.

O ano do Je suis

Je suis Charlie
Je suis Paris
Je suis Mali

Je suis o país
Je suis os pais
de família sem emprego

Je suis os homens de laranja,
meu Deus,
Je suis, Je suis!

Je suis os elefantes do Zimbábue
Je suis os peixes, 
era Doce o Rio...

Je suis os negros, e são jovens...
Je suis nossos meninos,
que partem tão cedo...

Je suis os micro-
encefálicos
Não Je suis os de mente pequenina...

Je suis os meus amigos
nas mãos dos inimigos

Je suis os muçulmanos,
são plácidos, pacíficos...

Je suis minha pele
Je suis minha prole

Je suis o poema
temeroso,
sobressaltado

Je suis o povo
que espera, espera,
o Messias...

Je suis o sideral,
espaço de lixo...

Je suis 

Je suis 

Charlie 
Je suis...

Assim caminha a humanidade...

Homens de laranja
Meninos no mar
Barcos revirados
Um rio a azedar

Faces molhadas
Mães chorosas
(não queriam as ditas
rosas cheirosas)

Bandeira negra
Chargista condenado
O de sempre, o de praxe
do ano passado

O avião sumido
até hoje, nada
Subiu a gasosa,
que bofetada!

Corrupção no Bra-
sil, já acostumados...
Pelos séculos vindouros;
passados...

Lá fora e cá
má sorte a mesma
Evoluímos assim
ao ritmo -lesma

Dois mil e quinze
que ano, que dano!
Que danação de ano,
que orelhas de abano!

Mas 'té que se tem
uma boa recordação...
Quem ora me lê,
não sofrido abdução

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

franco mineiro

Meu coração balança:
Mariana e França

O coração sem bonança,
entre o rubro e a lama...

Meu perfil em foto,
é bandeira branca

Meu coração se amansa,
se é Dalai Lama

Meu coração balança
-França, Mariana


Os anos não são diferentes

Mas os tempos são iguais
O homem sob a terra
O homem sob o homem

a dominar a esfera,
já cratera

O homem erra
Os tempos, iguais

A mesma fera
os motivos da guerra

Homens são homens
a brincar de era

uma vez a Lito,
Estrato, e Biosfera...

Mas os tempos são iguais
E os homens, são da caverna...
Ou da taverna

Retrospectiva Brasil 2015

Ano pré-olímpico,
homo sapiens frívolo...

Ano do fogo amigo,
inimigo cínico...

Foi o ano da cabra,
e de cabra macabro...

Sem abracadabra,
mas mui pé de cabra...

Foi ano de energia
consumir salário...

Esse ano, todo ano
pobre público erário...

Foi ano de secar
Cantareira e mar...

O ar rarefeito,
mas foi bom pro Neymar...

Brasil, meu Brasil
-na tevê bonito

Pão de açúcar, samba
-Tietê aflito

Disseram marolinha,
mas olho do furacão...

El Nino crescido
Cuspiu fogo o dragão...

O PIB pibinho
do diplomata anão...

Mas na virada do ano
a grande mídia não

nenhum lume de Sócrates,
de reflexão...

Mais um zilhão de selfies,
retratando humanidade

que gira sobre si mesma,
gerando massiva vaidade...

Lama sob lama,
Planalto e Gerais...

O Brasil no poço
O fundo, sempre mais...