quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Herança ou mudança?

As Paneleirinhas, as gurizinhas...
Artesãs já são, essas meninas...

Já modelam,
co'as femininas mãos finas,
as tigelinhas,
e são assim, bem feitinhas...

Mas as meninas
(qual teu sotaque, mocinha?)

sabem não 'inda,
qual profissão lhes destinam...

Cruel decisão:
escritório ou Galpão?
Consultório? Ateliê da mãezinha?

Se seguem ou não,
a tradição...
Se no mesmo caminho;
outra trilha...

As Paneleirinhas, 'studando
'stão, hoje em dia...
O que sonharão? Co'a moldagem bonita?
Ou co'a diplomação, uma engenharia?

De acordo atual
mundi historiografia,
se mudável tudo...
Qual futuro do barro,
qual etnografia?

As paneleirinhas, artesãs estão
(já falam inglês, essas meninas)


terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Almas gêmeas

Panela e moqueca
Moqueca e panela

Não vive ela
sem ostra

E a outra, 
atrelada a pérola...

Música aquela:
a carne, a unha

Metades da fruta,
findando numa...

Panela e moqueca
Eu e a terra sueca,

italiana, alemã
polaca; toda Meca...

Moqueca e panela,
chamariz de turista

Suíça e Brasília,
dedos e ametista...

Moqueca e Panela
Robalo e argila

Molhando a goela,
dilatando pupila...

Lama e Peixe
complementando-se

vão...Ateliê e cozinha,
deuses em criação! 

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Zelar pelo Galpão

O poema pede:
que se regue as rosas...
Que se calce as ruas
com nativas rochas ...

O poema pede placa,
ela seja de pedra...
Da preta, a pedra,
da cor da Panela...

O poema pede Galpão
dantesco, luzente...
Donde a Paneleira
labutará contente...

Vem pedindo cuidar,
de quem se ama...
Aqui soltam fogos,
depois se abandona...

Pedindo apenas
a mão d'um amigo...
Amigo vivo,
não um jazigo...

O poema pede
o acordar da nação:
uno saber do barro,
deste rincão!

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Amor à tradição (número dois)

Paneleira, singular Paneleira...
É distinta a mulher brasileira
Que valoriza a gênese,
a genealogia,
a família,
a tia mais primitiva...

Paneleira, ave altaneira...
Só de Goiabeira,
a mulher sem canseira
Não traíra a receita,
sua avó Paneleira...
Não trocara o robalo
ou o barro, 
bisa muquequeira...

Paneleira, flor de laranjeira...
Valora a sabedoria
passada de mãe pra filha...
Eu me encanto com tua ilha...
Eu me encanto com tua tina...

Paneleira, artesã de primeira...
Tua firmeza admiro
Admiro também Colatina,
crepuscular Colatina
da cor, tua bandeira...

Paneleira, já sou eu saideira...
Mas antes do último bonde
subir a reta da Penha,
eu lhe felicito...
Pelo teu ato bonito,
de resguardar o rito
Passado, roseira-roseira...


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Paneleiras

O batente duma amiga
Paneleira, alguma Penha...

É de tirar o fôlego,
e eu já trôpego

de pensar na hora
d'alva, Ela acorda,

ao galo que lhe grita
por ração...

A gurizada aguardando
pelo pão,

beijo, conselho, uniforme...
Só marcha o dia, conforme

sua coragem, seu ânimo,
provisão

(dependendo o homem 
também

dessa força que vem 
do além)

Paneleira, que em seu Galpão
Sete etapas, até conclusão:

a Panela diva, perfeita!
Minha respiração, 'inda rarefeita...

Seu bom astral,
meu murmúrio...

Seu labor sustentável,
decente, duro...

Ó guerreira faceira
do meu coração,

nosso orgulho!


Paneleiros

Pra Eles, a fatia sem cereja...
Pra Eles, a frente do front...

Nas costas doridas,
mais carga

pra Eles,

a enxada,
as bolhas nas mãos...

Pra Eles as fotos
não rogadas...

Pra Eles os autógrafos
não suplicados...

Pra Eles a lama,
o charco, o barro...

Pra Eles a matéria,
densa nos confins...

Pra Eles o mangue,
traindo as forças...

Pra Eles o pântano!
Pra Eles as flores.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Esteio

Panela, panela,
gratidão à bela...

Panela que enche
barriga de pimpolho,

panela que dá graça
ao repolho...

Ela que forma o filho,
a panela que anos a fio,

financia ideais!
Não, nunca mais

os banhos sem sais
nas Índias Ocidentais!

Panela, panela,
à bela, gratidão...

E ao barro, e à mão,
a Joana, ao João,

ao joão-de-barro...
Que da lama, tão

ardor faz sua casa...
A panela que casa,

que compra carro
(errou quem achou

que não faz pro cigarro),
a panela das alças,

das asas...

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Amor no Barro

Panela de barro
As mãos não a amassam,
a enlaçam!

Panela singela
Com tanino tingida,
lama amarela...

Não em série
mas no sério

Não é brinquedo
mas tem segredo

Singular se faz ela,
tradição Una
De cada vez uma...

Em cada momento,
uma Panela
Em cada movimento,
o amor...

Cingindo a cintura
dela

Vale quanto pesa

Panelas célebres, 
internacionais...
Módicas Panelas 
que valem mais reais...

As panelas que respeitam 
as artes memoriais...
Resistentes as Panelas,
solavancos laborais...

As Panelas boas,
valorizaríamos mais
Se as Panelas belas,
made in outro cais?

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Amor à tradição

Vix agitadinha, amanhece assim bombando...
E os Paneleiros o barro coletando...

A cidade elegante, shoppings abrindo...
Lixando as panelas, Elas sorrindo...

O Tubarão, Porto, despachando minério...
Quem decifraria o mistério?

O mundo em verdadeira convulsão!
As Paneleiras, no respeito à tradição...

Eu vi as Panelas em redes sociais
Mas os fornos são a lenha, e não gás...

V.V. na chuva. Trânsito: transtorno.
Moldagem à mão, não no torno...

Proibido parece, a mesma trajetória...
Só as Paneleiras, fiéis à história!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Relaxando...

A xícara capixaba
é de barro
Belo acho
a arte do charco

A Ilha do Mel
é um charme
A chaleira do xá
é de barro

Os xeique, 
de todo penacho
É de barro
o tacho capixaba

Moquecada
é queixo arriado
Ela fora do eixo
é peixada!

Resistência

Roda a roda sucessória,
e a receita, na memória...

Firme e forte a Panela
plena gleba rotatória...

Não, não pede moratória
aquela lama de Vitória !

Não, não perde o bonde 
da história, Ela...

donde global esfera
civilizatória

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Espairecendo um pouco

Panela preta que tempera o peixe...
Pote porreta que o pirão depura...
Peculiar pipa que prospera a prole...
Pressupõe-se, a peça, pajelança pura...

Galpão das Paneleiras

Sociáveis damas,
que paciência elas tem...
Recebem co' cortesia
uma nação que vem

tirar fotos; turistar;
fazer dever de escola...
Gente que não leva
compra alguma em sacola...

Mas, serenas damas,
co'a massa na mão,
'inda pousam pra curiosos, 
isso é cristão!

Sabem elas, que as 
panelas delas, que de 
amarelas a negras belas,
suas gamelas tem...

o poder de suster,
e bem! Nas casas,
nas ruas, na urbe,
chamam damas vintém,

pro Estado do amém

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Patrimônio maior

Trabalho honesto,
lírio mais lindo...
Alegria n'alma
ao dia findo...

No país corrupto
o trabalho digno
Impressiona-nos,
doce tamarindo...

Gente que cria
diletos meninos
Co' suor e canto,
eu ouço 'té sinos...

É trampo honesto,
consciência tinindo...
Madrugam altivas,
as mãos erigindo...

Valores da nação,
o bem incluindo...
Unhas sujas estão,
e os lábios, sorrindo...


De barro

De barro a panela 
no restaurante caro...
De barro a panela
guisando peixe raro...

De barro a panela
do singelo bairro...
De barro e bárbaro,
o cântaro não claro... 

De barro a panela
ó meu Mestre Álvaro...
De barro e de boa
meu pitéu preparo...

De barro a panela
-doce faz do amaro
De barro à panela
-meu amor declaro

Poema da gratidão

Nossa gratidão
à Paneleira de Goiabeira...
Nas suas costas, a massa,
pegando rabeira...

Comerciantes vendem
a sua linda moquequeira...
Sem ela, a Paneleira,
e a multidão sem eira...

Nossa gratidão
à Paneleira de Goiabeira...
Eu a vi guerreira,
ao calor da fogueira...

É o esteio da família,
a casada e a solteira...
Passando, de mãe pra filha,
a ocupação altaneira...

Mas, nossa gratidão,
à Paneleira de Goiabeira...
Que entalha em sua mão,
da nação, pé-de-meia !