segunda-feira, 28 de março de 2016

Poemas sobre AS PANELEIRAS DO BAIRRO DE GOIABEIRAS

Quem quiser ler os poemas das Paneleiras de Goiabeiras, deve acessar o arquivo do mês de fevereiro e março de 2016. Grata.

sexta-feira, 11 de março de 2016

Visitar o Galpão

Visitar o Galpão,
visitar o templo...

Uma Capela Sistina;
um Louvre contemplo...

O esmeralda dos mares,
eis o espaço-tempo

de visitar o Galpão,
meu melhor passatempo...

O tempo dá a rima,
e eu me contento

ter fruído a beleza:
que Rodim portento!

Barro Bom

Panela boa é de barro
Um alumínio é bizarro

Panela boa é de barro
De alumínio é Alzheimer

De cobre até que bonita
Mas o metal parasita

Tem fama a panela
amarela

Mas o abuso de ferro
diarréia

A antiaderente
é plástico

Precisa-se estômago-
elástico

Inox ali eu não 
como

Distúrbios de níquel,
cromo

Panela boa é de barro
Água gostosa no jarro

Panela boa, de barro
De boa joão, de-barro...

Panela boa é de barro...

quinta-feira, 10 de março de 2016

Exaustão do Barro

Amigo leitor; amiga minha,
que triste a vida, a nossa sina!

Mais trinta anos, e o bom barro:
nadica de nada, nenhum jarro!

Assim como a neve na Sibéria,
se esvai a chita, na Nigéria...

Sublimando águas cor cristal...
Haurindo-se minas, do pré-sal...

A argila do Vale do Mulembá
breve futuro, e restará...

Saudades da panela, que 
harmoniza a moqueca...

A panqueca sem graça,
e o café sem caneca...

Ressonando mal, sigo eu,
ó Roma e Romeu,

pós matéria da Gazeta
do pintassilgo-europeu...

A "poetisa" por ali e aqui 
vem brincando...

(averiguar se o leitor,
atenção me dando)

O poema enredando
o sério problema...

Deus meu, finda o barro,
e aí desengrena:

cultura, tradição, sabor
e emprego...

Apocalíptico tempo,
que desassossego!

Panelas de Goiabeiras,
em quase extinção..

Lacerado sangra
o meu coração!


quarta-feira, 9 de março de 2016

Paneleiras do Brasil

Permita-me, 
ó Paneleiras de Goiabeiras,
mas as outras Gameleiras...

Sem certificado de IPHAN,
sem selo de procedência,
nem divina providência...

Pelo Brasil afora,
Paneleiras fora da mídia,
Paneleiras sem memória...

São confrarias,
são opacas estrelas,
sem curadorias...

Toda Paneleira mais-valia,
mais alta afeição...

Mereceriam, Penha e Maria,
nas redes, virilização..

Apoio governamental,
turismo, cunho cultural...

Agregar valor, suporte,
pois portentoso o pote!

Toda Paneleira, toda guerreira...

Paneleiras carentes,
em olvidados quilombos...

Seus congos deslembrados,
desdenhados pelo povo...

São tradições de cultura,
são raízes que ventura,

nos representam genuínas:
as Louceiras do Maruanum;
ou d'alguma Minas...

segunda-feira, 7 de março de 2016

Manifestações culturais

Sobre a panela,
e seu entorno...

Quem a modela,
dançando Congo...

O que a panela,
remete ela:

os "bocudo" bravo,
co' tanino tingindo,

gamela bela...

Sobre a panela,
sua sublimidade:

resiste o folclore
na comunidade...

Goiabeiras antiga,
onde se atina

cada Penha pelo nome
e Anchieta prenome...

Tambores rufam,
os dias, festivos:

na fogueira panelas
sob cantos nativos...

A panela e seu entorno

Saindo quentinha,
a torta do forno...

Festa de Reis,
meu-boi-bumbá...

Feliz quem se encharca,
no Mulembá!

domingo, 6 de março de 2016

Atividade Sustentável

Porque colhem,
a não totalidade...

Porque usufruem,
mas só a metade...

Queimam a madeira,
mas 'tava' no lixo...

No próximo pensam
(isentos do luxo)

Retirando o barro,
vão no cuidado...

Se extraem o tanino, 
deixam o girino...

Mútuo respeito,
e ao Estado do Amém...

São extrativistas,
sabedores tão bem...

que as garças só voam
se o mangue tem:

limpidez de água,
peixe, crustáceo...

Limitada Terra,
irrisório espaço!

Zelando hoje,
ter-se-á amanhã...

Moqueca e Panela
-condimentei hortelã

sábado, 5 de março de 2016

Do barro tu vieste- inspirado em Fernando Pessoa

Elas que arrancam panelas do barro
Mesmo barro que moldaram Elas...
Não sei se Elas é que modelam o barro    
Ou se o barro, que a Elas modelam...            

sexta-feira, 4 de março de 2016

Poesia na Panela

A Panela e sua estética
Não rimaria estática

Negra
-lua novinha

Pesada
-moqueca levinha

Sem dendê
-com pavê

a sobremesa
-seria de que?

A Panela que remete,
à reunião da família

Domingo é festa,
do Mel é a Ilha

Eu filha tivesse,
uma Penha seria...

Panela, Tigela:
os verde-canela 

Vix Vila Velha
Jurema Curvilínea

Poema sem métrica
eu não romaria

Ensinou Anchieta
o ofício a Maria

A Panela e sua estética,
apoteótica vasilha!

quinta-feira, 3 de março de 2016

Capixabíssima

Poema leve
Pesada panela

Tigela singela
tão nobre ela

Gamela que reflete
montanha e mar

Moqueca de banana
fidalgo manjar

Panela pesada
Poema leve

Lava a alma:
malagueta leva

Une família
Tradição Una

Decora Itaúna
Adorna Piúma

Poema Panela
leve     pesada

Legítima arte
Restolho, peixada

quarta-feira, 2 de março de 2016

Ser bem-agradecido

Que desassossego,
das Paneleiras!
Fosse eu, já
perdido estribeiras!

Estas faceiras,
lá de Goiabeiras...
Co'a mão no limo,
mas bem munidas,

polidas maneiras...
Ante as corriqueiras
pesquisas científicas,
as panelas magníficas,

à exaustão inquiridas!
Já devassaram
o fluxograma delas...
Já averiguaram,

a química d'argila...
Anagrama da lama
já foi conferida...
E manteiga derretida,

modus calcinação...
É batalhão todo 
dia bisbilhotando
o Galpão!

Zilhão de
questionários 
Suas fleumas,
testando...

O social o global 
e o capital esmiuçando...
O garbo da louça palacial
lhe delirando...

Todo tipo de questão 
epistemológica...
Não retornando ao Galpão, 
numa réplica lógica...

A toda sorte de
cientista, 
pede o poema 
(inclui turista),

após amolação
o da pós graduação
rápido e rasteiro
seja o forasteiro,

a dar seu ar:  
gratidão!