quinta-feira, 10 de março de 2016

Exaustão do Barro

Amigo leitor; amiga minha,
que triste a vida, a nossa sina!

Mais trinta anos, e o bom barro:
nadica de nada, nenhum jarro!

Assim como a neve na Sibéria,
se esvai a chita, na Nigéria...

Sublimando águas cor cristal...
Haurindo-se minas, do pré-sal...

A argila do Vale do Mulembá
breve futuro, e restará...

Saudades da panela, que 
harmoniza a moqueca...

A panqueca sem graça,
e o café sem caneca...

Ressonando mal, sigo eu,
ó Roma e Romeu,

pós matéria da Gazeta
do pintassilgo-europeu...

A "poetisa" por ali e aqui 
vem brincando...

(averiguar se o leitor,
atenção me dando)

O poema enredando
o sério problema...

Deus meu, finda o barro,
e aí desengrena:

cultura, tradição, sabor
e emprego...

Apocalíptico tempo,
que desassossego!

Panelas de Goiabeiras,
em quase extinção..

Lacerado sangra
o meu coração!