terça-feira, 12 de abril de 2016

Meu voo raso



Não, não saberei poemar
o Ruschi, não ousarei...

Porque não sei o nome das flores,
e o colibri, quais mesmo cores?

Não, não saberei poemar
-não este pomar

O augusto Ruschi,
o Ruschi augusto,

cada riacho,
cada uva no cacho..

Cada mata, sua cascata,
cada lago, sua lua de prata...

Rodeava-se de bichos,
rugiam alto, nos nichos...

Tudo lindo, a Natureza
Junção: homem e Alteza... 

As cidades, seus ipês...
Águas claras, fluidez...

Consumismo? Pouquinho...
Valia mais, colibrizin' no ninho... 

O tempo, em que a
sustentabilidade rompeu...

Como um girassol,
dum gineceu...

Flutuavam as asinhas
no ar...

Alga esmeralda, 
rubi do mar... 

O mundo de Ruschi:
pra se deslumbrar!

Não, não saberei poemar
o Ruschi...

Pois o augusto,
pois o arbusto...

Vereda das alamedas,
seus bichos-da-seda... 

Não, não saberei poemar
a leveza...

Sutileza de tons: 
brincos-de-princesa...