terça-feira, 22 de maio de 2018

Não chega a ser poema:
é apenas minha pena

Não chega a uma rima:
é a pátria em ruína...

Ao pseudônimo companheiro,
minha condolecência...

Ao menino utopista,
que vai bater continência...

A estrela sob o peito,
do lírico curumim

que não pegara em armas,
o bom tupiniquim...

Não lançara ele pedras,
nunca um vaso ruim...

Não, não chega a ser poema:
manifestação de pena...

Dói-me tanta ingenuidade,
beira à religiosidade...

Uma loucura tamanha,
lançar-se à teia d'aranha...

Mostrei-lhe as provas,
as gravações, os fatos...

Periciadas assinaturas,
mostrei-lhe as fotos...

Mostrei-lhe delação, ilação,
seu ideólogo em involução...

(Não chega a ser poema
são apenas minhas penas)

Não se assume iludido:
seu rei posto, rei morto

Não se assume ele traído:
seu rei que nasce torto

Não se assume abduzido:
nosso cordeiro, crendeiro...

É uma presa tão facinho...
Na gaiola o passarinho

Não chega a ser poema,
é uma infestação de penas!

Só algo mais me assustaria:
o choque enérgico da enguia...

O servil do comunismo,
se serviu do consumismo...

Foice e martelo bandeirou,
panfletou o populismo...

Sua obsoletas flâmulas,
delirando marxismo...

Não chega a ser poema,
lá vou eu tecendo à pena...

A mídia o capturando,
tão passivo o donzel...

Os pecês o cooptando,
mais duende e Noel...

Os petês o captando,
vai ele crendo fidel...

Não chega a ser poema:
manifesto a minha pena

De vê-lo assim, decepcionado...
Eu já sabia, e avisado,
de cor e salteado,
mas o alazão viciado...

Não chega a ser poema...
Achei a pena pequena.